Simone Alves de Oliveira
No dia 16 de abril de 2015, às 14:00, a aluna da pós-graduação em Biodiversidade Vegetal e Meio Ambiente do Instituto de Botânica, São Paulo (IBt), Simone Alves de Oliveira (bolsista CNPq) defendeu sua dissertação de mestrado intitulada “Comparação da biodiversidade e distribuição das diatomáceas planctônicas, perifíticas e de sedimentos superficiais dos reservatórios Cabuçu e Tanque Grande, Região Metropolitana de São Paulo”.
A banca examinadora foi composta por Dr. Carlos Eduardo de Mattos Bicudo (orientador/IBt), Dr. André Cordeiro Alves dos Santos (Universidade Federal de São Carlos – Campus Sorocaba) e Dra. Maria do Carmo Carvalho (CETESB).
O trabalho avaliou a biodiversidade e a distribuição das diatomáceas de dois reservatórios de abastecimento do Município de Guarulhos (reservatórios Cabuçu e Tanque Grande) contribuindo para a caracterização limnológica desses ecossistemas e ampliando o conhecimento autoecológico das espécies de diatomáceas de represas tropicais. A comparação entre as comunidades de diatomáceas mostrou que o plâncton e os sedimentos superficiais são bastante similares entre si, uma vez que os sedimentos recentes integram elementos tanto planctônicos quanto bentônicos de ambos os períodos climáticos avaliados. Os dois reservatórios foram caracterizados pelas baixas concentrações de nutrientes e clorofila-a, baixa turbidez e alta transparência, qualidades estas de ambientes oligotróficos e que foram confirmadas pelo Índice do Estado Trófico. Os reservatórios permanecem em condições de baixo impacto antropogênico, sendo considerados ambientes de referência na RMSP neste estudo.
Comparação da biodiversidade e distribuição das diatomáceas planctônicas, perifíticas e de sedimentos superficiais dos reservatórios Cabuçu e Tanque Grande, Região Metropolitana de São Paulo
RESUMO
O estudo objetivou avaliar a biodiversidade e distribuição das diatomáceas planctônicas, dos sedimentos superficiais e perifíticas das represas de abastecimento do Sistema Produtor de Guarulhos (Tanque Grande e Cabuçu) em escala espacial e sazonal. Visou também analisar a influência das características limnológicas e de hábitat na distribuição das diatomáceas, contribuindo para a caracterização ecológica destes sistemas. Foram selecionados três locais de amostragem em cada represa e as amostras de água e fitoplâncton foram coletadas ao longo do perfil vertical nos períodos de inverno e verão. O perifíton foi coletado a partir de plantas aquáticas em ambos os períodos climáticos. Os sedimentos superficiais foram coletados apenas no inverno. As análises incluíram variáveis físicas e químicas da água, bem como análise qualitativa e quantitativa das diatomáceas. Os dados foram avaliados mediante análises multivariadas, de similaridade, de espécies indicadoras além de ter sido aplicado índice de qualidade de água. As represas foram classificadas oligotróficas e permanecem em condições de baixo impacto antropogênico, consideradas neste estudo ambientes de referência para a Região Metropolitana de São Paulo. As represas foram caracterizadas por águas levemente ácidas, de baixa condutividade, baixos teores de nutrientes e clorofila-a. Foram encontrados 63 táxons específicos e infraespecíficos no plâncton, 60 nos sedimentos superficiais e 51 no perifíton. A organização da comunidade de diatomáceas planctônicas não sofreu influencia da escala espacial e poucas alterações foram observadas em escala sazonal. Na Tanque Grande Staurosira construens foi a espécie mais abundante em ambos os períodos amostrados. Na Cabuçu, Discostella stelligera e Aulacoseira tenella foram abundantes, sendo a primeira dominante tanto no inverno quanto no verão. A distribuição das espécies dos sedimentos superficiais foi principalmente influenciada pelos tributários e pela profundidade das represas. Os sedimentos superficiais integraram elementos planctônicos de ambos os períodos climáticos avaliados e ainda espécies bentônicas, confirmando seu papel integrador e acumulador. A comunidade perifítica foi influenciada pela escala sazonal. Na Tanque Grande foi abundante as espécies Brachysira brebissonii e Encyonema neomesianum. Na Cabuçu, Achnanthidium minutissimum foi abundante nos dois períodos amostrado e dominante no verão. As espécies indicadoras de hábitats foram consideradas boas representantes nos três compartimentos estudados e estiveram na maioria associadas com ambientes oligotróficos. A comparação entre as comunidades de diatomáceas mostrou que o plâncton e os sedimentos superficiais são bastante similares entre si, uma vez que os sedimentos recentes integram elementos tanto planctônicos quanto bentônicos de ambos os períodos climáticos avaliados. Embora as represas ainda preservem condições de equilíbrio, salienta-se a necessidade de ações que permitam conter o aporte de nutrientes provenientes das cidades vizinhas das bacias dos principais tributários, a fim de manter a qualidade ecológica das referidas represas e suas condições de referência entre os mananciais da RMSP. Finalmente, destaca-se a importância de um estudo taxonômico mais minucioso da flórula de diatomáceas das represas, para um melhor conhecimento autoecológico e melhor caracterização das espécies e sua atuação como indicadoras de qualidade ecológica da água.
Palavras-chave: biodiversidade, diatomáceas, oligotrofia, represas, RMSP
Simone Alves de Oliveira
Comparação da biodiversidade e distribuição das diatomáceas planctônicas, perifíticas e de sedimentos superficiais dos reservatórios Cabuçu e Tanque Grande, Região Metropolitana de São Paulo
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