{"id":6865,"date":"2024-08-30T15:22:11","date_gmt":"2024-08-30T18:22:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/ipa\/?p=6865"},"modified":"2024-09-02T17:02:46","modified_gmt":"2024-09-02T20:02:46","slug":"pesquisas-do-ipa-promovem-manejo-sustentavel-do-pinhao-no-municipio-de-cunha-sp","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/ipa\/2024\/08\/pesquisas-do-ipa-promovem-manejo-sustentavel-do-pinhao-no-municipio-de-cunha-sp\/","title":{"rendered":"Pesquisas do IPA promovem manejo sustent\u00e1vel do pinh\u00e3o no munic\u00edpio de Cunha (SP)"},"content":{"rendered":"<p>A arauc\u00e1ria (<em>Araucaria angustifolia<\/em>) \u00e9 uma esp\u00e9cie arb\u00f3rea brasileira de grande import\u00e2ncia ambiental e econ\u00f4mica e tem presen\u00e7a marcante no munic\u00edpio paulista de Cunha, tanto em fragmentos florestais quanto em \u00e1rvores isoladas na paisagem. Suas sementes, os pinh\u00f5es, constituem um importante recurso econ\u00f4mico para a sustentabilidade de comunidades coletoras e contribuem significativamente para o Produto Interno Bruto municipal.\u00a0No entanto, desde 2013, a arauc\u00e1ria est\u00e1 na categoria \u201c<a href=\"https:\/\/www.iucnredlist.org\/species\/32975\/2829141\">Criticamente em perigo<\/a>\u201d na \u201c<a href=\"https:\/\/www.iucn.org\/resources\/conservation-tools\/iucn-red-list-threatened-species\">Lista Vermelha de Esp\u00e9cies Amea\u00e7adas<\/a>\u201d da\u00a0<a href=\"https:\/\/www.iucn.org\/about\/\">Uni\u00e3o Internacional para a Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza (IUCN<\/a>) em fun\u00e7\u00e3o da cont\u00ednua redu\u00e7\u00e3o de sua popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Um levantamento realizado em 2018, pela <a href=\"https:\/\/www.agricultura.sp.gov.br\/\">Secretaria de Agricultura e Abastecimento<\/a> (SAA) do estado de S\u00e3o Paulo, apontou a exist\u00eancia de 180 pequenas propriedades em Cunha onde a atividade de coleta de pinh\u00e3o \u00e9 realizada, servindo de sustento ou complementando a renda de agricultores familiares. No ano de 2019, mostramos no site do antigo <a href=\"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/\">Instituto Florestal (IF)<\/a>, atual Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA), que, <a href=\"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/2019\/09\/instituto-florestal-pesquisa-sementes-da-araucaria-especie-ameacada-de-relevancia-ecologica-cultural-e-nutricional\/\">al\u00e9m da import\u00e2ncia ecol\u00f3gica e econ\u00f4mica, a esp\u00e9cie tem relev\u00e2ncia cultural<\/a>, movimentando turismo em diferentes pontos do Brasil<a href=\"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/2019\/09\/instituto-florestal-pesquisa-sementes-da-araucaria-especie-ameacada-de-relevancia-ecologica-cultural-e-nutricional\/\">,<\/a> e <a href=\"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/2019\/09\/instituto-florestal-pesquisa-sementes-da-araucaria-especie-ameacada-de-relevancia-ecologica-cultural-e-nutricional\/\">nutricional<\/a>.\u00a0Um\u00a0<a href=\"https:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/abs\/10.1111\/gcb.14755\">estudo<\/a> da Universidade de Reading (Reino Unido) publicado naquele mesmo ano, mostrou que as arauc\u00e1rias podem desaparecer por completo at\u00e9 2070 devido \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas caso n\u00e3o haja interven\u00e7\u00f5es direcionadas para ajudar a garantir sua sobreviv\u00eancia na natureza.\u00a0Anteriormente, em 2017, <a href=\"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/2017\/07\/conservacao-da-araucaria-deve-focar-nao-somente-em-fragmentos-florestais-mas-tambem-arvores-isoladas\/\">divulgamos pesquisa que aponta que a conserva\u00e7\u00e3o da arauc\u00e1ria deve focar n\u00e3o somente em fragmentos florestais, mas tamb\u00e9m \u00e1rvores isoladas<\/a>. Tamanha import\u00e2ncia desta esp\u00e9cie tem direcionado a aten\u00e7\u00e3o de pesquisadores e extensionistas para a arauc\u00e1ria com o objetivo de conhecer suas rela\u00e7\u00f5es com o ambiente local e incentivar seu plantio.<\/p>\n<p>Anos atr\u00e1s, pesquisadores do IF desenvolveram <a href=\"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/2021\/06\/reflorestamento-com-araucaria-conservacao-da-natureza-e-geracao-de-trabalho-e-renda\/\">estudo para promover o reflorestamento de arauc\u00e1rias em Cunha<\/a>, de forma a atender demandas tanto de conserva\u00e7\u00e3o da natureza quanto de gera\u00e7\u00e3o de renda para as comunidades locais.\u00a0<a href=\"https:\/\/smastr16.blob.core.windows.net\/iflorestal\/2019\/09\/ifsr_56_v3_art_3.pdf\">Outra<\/a> <a href=\"https:\/\/smastr16.blob.core.windows.net\/iflorestal\/2019\/09\/ifsr_56_v3_art_3.pdf\">pesquisa<\/a>, realizada no \u00e2mbito da institui\u00e7\u00e3o, contribuiu para o <a href=\"https:\/\/smastr16.blob.core.windows.net\/iflorestal\/2019\/09\/ifsr_56_v3_art_3.pdf\">conhecimento da distribui\u00e7\u00e3o temporal da queda dos pinh\u00f5es no munic\u00edpio<\/a> e embasou uma nova pol\u00edtica p\u00fablica para sua colheita, materializada pela <a href=\"https:\/\/www.agricultura.sp.gov.br\/pt\/b\/governo-de-sp-amplia-periodo-da-colheita-autorizada-do-pinhao#:~:text=A%20nova%20norma%20da%20SEMIL,que%20estimulem%20a%20produ%C3%A7%C3%A3o%20sustent%C3%A1vel.\">Resolu\u00e7\u00e3o SIMA 121\/2022<\/a>, que disp\u00f5e sobre os procedimentos de coleta no estado de S\u00e3o Paulo, entre eles, a <a href=\"https:\/\/semil.sp.gov.br\/sma\/manejo-de-especies-nativas\/#1699479856542-9790b9f9-de99\">comunica\u00e7\u00e3o pr\u00e9via de coleta do pinh\u00e3o<\/a>. Atualmente, est\u00e1 sendo desenvolvido um projeto de pesquisa interinstitucional envolvendo pesquisadores do IPA e extensionistas da Coordenadoria de Assist\u00eancia T\u00e9cnica Integral (CATI) da SAA.<\/p>\n<p>Os estudos visam caracterizar os sistemas de produ\u00e7\u00e3o e manejo do pinh\u00e3o (coleta no ch\u00e3o ou por escalada na \u00e1rvore), bem como seus custos. O objetivo \u00e9 compreender os mercados local e nacional do produto, considerando tanto a venda in natura como seus processamentos, beneficiamentos e canais de comercializa\u00e7\u00e3o, caracterizando o seu potencial na bioeconomia local e os fatores limitantes para seu desenvolvimento. Al\u00e9m disso, a pesquisa visa avaliar os impactos dessa atividade para o desenvolvimento rural sustent\u00e1vel do munic\u00edpio. Tamb\u00e9m \u00e9 foco do trabalho a realiza\u00e7\u00e3o da an\u00e1lise econ\u00f4mico-financeira do cultivo do pinh\u00e3o, elencando a\u00e7\u00f5es priorit\u00e1rias e propondo pol\u00edticas p\u00fablicas que contribuam para a consolida\u00e7\u00e3o desse mercado, com agrega\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o justa de valor na cadeia produtiva e promo\u00e7\u00e3o da seguran\u00e7a alimentar das comunidades coletoras.<\/p>\n<p>O projeto \u00e9 desenvolvido pelos pesquisadores do N\u00facleo de Uso Sustent\u00e1vel dos Recursos Naturais do IPA Roberto Starzynski, Clovis de Oliveira Junior, Jos\u00e9 Arimat\u00e9ia Machado e Fernanda Peruchi, em parceria com Cesar Frizo e Priscilla de Souza, extensionistas da Casa da Agricultura de Cunha.<\/p>\n<h4>&#8220;F\u00f3ssil vivo&#8221;<\/h4>\n<p>Originalmente, a \u00e1rea florestal da <i>Araucaria angustifolia<\/i> era de 185.000 km\u00b2, distribuindo-se nas regi\u00f5es Sul e Sudeste do pa\u00eds, principalmente no estado do Paran\u00e1. Entretanto, a partir do come\u00e7o do s\u00e9culo XX, a esp\u00e9cie sofreu uma indiscriminada explora\u00e7\u00e3o, o que levou \u00e0 redu\u00e7\u00e3o de seu habitat natural. Estima-se que atualmente sua distribui\u00e7\u00e3o atual esteja limitada a uma pequena porcentagem (de 1 a 5%) da \u00e1rea original.<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 1940, o engenheiro silvicultor Mansueto Koscinski escreveu que &#8220;<em>\u00easse extraordin\u00e1rio \u00eaxito do pinheiro, t\u00e3o \u00fatil para nossa economia, tornou-se perigoso para o resto das florestas nativas, amea\u00e7ando-as de completo aniquilamento, pois a produ\u00e7\u00e3o natural de pinheiro \u00e9 muito inferior ao crescente consumo. J\u00e1 come\u00e7am a aparecer campos rasos em lugares onde havia outrora pujantes e majestosos pinheirais. Prova cabal de que n\u00e3o h\u00e1 reservas florestais &#8220;inesgot\u00e1veis&#8221;<\/em>&#8220;. No livro <em>O Pinheiro Brasileiro<\/em>, publicado pela Edi\u00e7\u00f5es Melhoramentos, Koscinski defende a cultura da arauc\u00e1ria pelos &#8220;<em>bons brasileiros<\/em>&#8221; e &#8220;<em>previdentes industriais<\/em>&#8221; de forma a &#8220;<em>garantir a continuidade da produ\u00e7\u00e3o, plantando novas florestas e reflorestando sem demora os terrenos onde est\u00e3o sendo derrubadas.<\/em>&#8221;<\/p>\n<p>Considerada um &#8220;f\u00f3ssil vivo&#8221;, j\u00e1 que \u00e9 uma esp\u00e9cie primitiva com milhares de anos de exist\u00eancia no planeta, a arauc\u00e1ria \u00e9 um elemento importante para a biodiversidade da Mata Atl\u00e2ntica. A esp\u00e9cie pode atingir uma altura de at\u00e9 50 metros quando adulta e viver em m\u00e9dia at\u00e9 os 250 anos.<\/p>\n<div class=\"wc-gallery\"><div class='wcflexslider-container wc-gallery-bottomspace-default wc-gallery-clear'><div id='gallery-1' class='gallery wc-gallery-captions-onhover gallery-link-file wcflexslider wcsliderauto' data-gutter-width='5' data-columns='1' data-hide-controls='false'><ul class='slides'>\n\t\t\t\t<li class='gallery-item gallery-item-position-1 gallery-item-attachment-6915 wcflex-slide-item'>\n\t\t\t\t\t<div class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/smastr16.blob.core.windows.net\/2001\/sites\/261\/2024\/08\/foto-4.jpeg\" target=\"_self\"><img src='https:\/\/smastr16.blob.core.windows.net\/2001\/sites\/261\/2024\/08\/foto-4-550x309.jpeg' width='550' height='309' alt='' \/><\/a>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<div class='wp-caption-text gallery-caption' style='width:550px;'>\n\t\t\t\t\t<p>\n\t\t\t\t\tAtividade de distribui\u00e7\u00e3o de sementes de Arauc\u00e1ria e orienta\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica de plantio realizada em uma parceria entre pesquisadores do IPA e extensionistas da CATI\n\t\t\t\t\t<\/p>\n\t\t\t\t\t<\/div><\/li>\n\t\t\t\t<li class='gallery-item gallery-item-position-2 gallery-item-attachment-6914 wcflex-slide-item'>\n\t\t\t\t\t<div class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/smastr16.blob.core.windows.net\/2001\/sites\/261\/2024\/08\/foto-3.jpeg\" target=\"_self\"><img src='https:\/\/smastr16.blob.core.windows.net\/2001\/sites\/261\/2024\/08\/foto-3-550x309.jpeg' width='550' height='309' alt='' \/><\/a>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<div class='wp-caption-text gallery-caption' style='width:550px;'>\n\t\t\t\t\t<p>\n\t\t\t\t\tSele\u00e7\u00e3o de pinh\u00f5es para pesquisa e fomento de plantio\n\t\t\t\t\t<\/p>\n\t\t\t\t\t<\/div><\/li>\n\t\t\t\t<li class='gallery-item gallery-item-position-3 gallery-item-attachment-6913 wcflex-slide-item'>\n\t\t\t\t\t<div class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/smastr16.blob.core.windows.net\/2001\/sites\/261\/2024\/08\/foto-2.jpeg\" target=\"_self\"><img src='https:\/\/smastr16.blob.core.windows.net\/2001\/sites\/261\/2024\/08\/foto-2-550x309.jpeg' width='550' height='309' alt='' \/><\/a>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<div class='wp-caption-text gallery-caption' style='width:550px;'>\n\t\t\t\t\t<p>\n\t\t\t\t\tReuni\u00e3o para apresenta\u00e7\u00e3o do projeto de pesquisa focado na bioeconomia do pinh\u00e3o, realizada pelos pesquisadores na Associa\u00e7\u00e3o dos Moradores e Produtores Rurais dos bairros do S\u00edtio, Paraibuna, Rodeio e Rio Abaixo (AMPRASP) no munic\u00edpio de Cunha\n\t\t\t\t\t<\/p>\n\t\t\t\t\t<\/div><\/li>\n\t\t\t\t<li class='gallery-item gallery-item-position-4 gallery-item-attachment-6912 wcflex-slide-item'>\n\t\t\t\t\t<div class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/smastr16.blob.core.windows.net\/2001\/sites\/261\/2024\/08\/foto-1.jpeg\" target=\"_self\"><img src='https:\/\/smastr16.blob.core.windows.net\/2001\/sites\/261\/2024\/08\/foto-1-550x309.jpeg' width='550' height='309' alt='' \/><\/a>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<div class='wp-caption-text gallery-caption' style='width:550px;'>\n\t\t\t\t\t<p>\n\t\t\t\t\tReuni\u00e3o para apresenta\u00e7\u00e3o do projeto de pesquisa focado na bioeconomia do pinh\u00e3o, realizada pelos pesquisadores na Associa\u00e7\u00e3o dos Moradores e Produtores Rurais dos bairros do S\u00edtio, Paraibuna, Rodeio e Rio Abaixo (AMPRASP) no munic\u00edpio de Cunha\n\t\t\t\t\t<\/p>\n\t\t\t\t\t<\/div><\/li><\/ul><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A arauc\u00e1ria (Araucaria angustifolia) \u00e9 uma esp\u00e9cie arb\u00f3rea brasileira de grande import\u00e2ncia ambiental e econ\u00f4mica e tem presen\u00e7a marcante no munic\u00edpio paulista de Cunha, tanto em 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