{"id":6078,"date":"2024-05-10T09:14:04","date_gmt":"2024-05-10T12:14:04","guid":{"rendered":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/ipa\/?p=6078"},"modified":"2024-05-10T09:45:50","modified_gmt":"2024-05-10T12:45:50","slug":"em-podcast-da-pesquisa-fapesp-geologa-do-ipa-explica-como-eventos-climaticos-severos-somados-a-urbanizacao-sem-planejamento-acentuam-a-erosao-costeira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/ipa\/2024\/05\/em-podcast-da-pesquisa-fapesp-geologa-do-ipa-explica-como-eventos-climaticos-severos-somados-a-urbanizacao-sem-planejamento-acentuam-a-erosao-costeira\/","title":{"rendered":"Em podcast da Pesquisa Fapesp, ge\u00f3loga do IPA explica como eventos clim\u00e1ticos severos somados \u00e0 urbaniza\u00e7\u00e3o sem planejamento acentuam a eros\u00e3o costeira"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><em>Foto: Eros\u00e3o cr\u00f4nica no munic\u00edpio paulista de Iguape \/ Cr\u00e9dito: Daniel Fran\u00e7a<\/em><\/p>\n<p>No dia 3 de maio, a pesquisadora cient\u00edfica C\u00e9lia de Gouveia Souza, do Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA), participou do podcast <a href=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/o-desgaste-das-nossas-praias\/\">Pesquisa Brasil<\/a>, realizado pela revista <a href=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/\">Pesquisa Fapesp<\/a> em parceria com a <a href=\"https:\/\/jornal.usp.br\/radio\/\">R\u00e1dio USP<\/a>. Na ocasi\u00e3o, a ge\u00f3loga falou sobre a eros\u00e3o costeira no estado de S\u00e3o Paulo e como esse fen\u00f4meno \u00e9 amplificado n\u00e3o apenas pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, mas tamb\u00e9m pela execu\u00e7\u00e3o de obras de conten\u00e7\u00e3o inadequadas e medidas que n\u00e3o levam em considera\u00e7\u00e3o estudos e conhecimento adquiridos pelas institui\u00e7\u00f5es de pesquisa em Geoci\u00eancias.<\/p>\n<p>A eros\u00e3o marinha j\u00e1 alterou 60% do litoral brasileiro e deve se agravar, visto que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas tendem a tornar as tempestades mais fortes e as ondas mais altas. No projeto de pesquisa &#8220;Sistema de aviso de ressacas e inunda\u00e7\u00f5es costeiras para o litoral de S\u00e3o Paulo, com foco em impactos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas&#8221; (n\u00b0 18\/14601-0), coordenado por C\u00e9lia, foram registrados 279 eventos clim\u00e1ticos severos de 1928 a 2021 no litoral paulista. Entre 1928 e 1999, o n\u00famero de ressacas com ondas de mais de 2,5 metros de altura aumentou 19%. Nas duas d\u00e9cadas seguintes, esse \u00edndice foi de 80%.<\/p>\n<p>C\u00e9lia explica que a eros\u00e3o r\u00e1pida (aguda), que ocorre nesses eventos extremos, \u00e9 diferente daquela em que a praia vai perdendo areia ao longo do tempo (eros\u00e3o cr\u00f4nica). &#8220;Esses eventos severos, que chamamos de eventos meteorol\u00f3gicos oceanogr\u00e1ficos, principalmente na Regi\u00e3o Sudeste, t\u00eam causas relacionadas com ciclones extratropicais, que aumentam o tamanho das ondas (ondas de tempestade), al\u00e9m de provocarem uma eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel do mar de curto per\u00edodo (mar\u00e9s de tempestade). Os piores eventos s\u00e3o aqueles tanto com ondas muito altas e fortes quanto com o n\u00edvel do mar subindo bastante. Essas ondas inundam as praias e levam a areia embora. Nos casos mais fortes, onde temos sobre-eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel do mar, a \u00e1gua invade a \u00e1rea urbana, ultrapassando a o limite da praia e avan\u00e7ando sobre ruas, avenidas, casas, garagens de pr\u00e9dios, etc. S\u00e3o dois fen\u00f4menos: a eros\u00e3o costeira (da praia) e a inunda\u00e7\u00e3o costeira na orla oce\u00e2nica (da urbaniza\u00e7\u00e3o). Sempre tivemos ressaca, sempre tivemos eventos fortes. No entanto, estamos tendo um aumento desses eventos curtos de ressacas e mar\u00e9s altas e an\u00f4malas e o n\u00edvel do mar subindo, o que acreditamos que seja resultado de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas&#8221;, descreve a pesquisadora.<\/p>\n<p>Se uma praia est\u00e1 em eros\u00e3o costeira cr\u00f4nica, est\u00e1 faltando areia (est\u00e1 entrando menos areia do que deveria ou est\u00e1 saindo mais areia do que deveria). \u00c9 um balan\u00e7o negativo. Eros\u00e3o costeira cr\u00f4nica \u00e9 um processo de muitos anos, de d\u00e9cadas. Quando uma praia entra nesse processo, acende um alerta para n\u00f3s. A praia n\u00e3o consegue mais cumprir um de seus papeis mais importantes, que \u00e9 a prote\u00e7\u00e3o f\u00edsica que ela exerce como uma barreira natural contra a a\u00e7\u00e3o do mar. Quanto mais estreita for uma praia, quanto menos areia tiver e quanto menos natural ela for, maiores ser\u00e3o os impactos desses eventos severos.<\/p>\n<p>Esse processo est\u00e1 acontecendo em muitas praias. Em S\u00e3o Paulo, podemos citar algumas em processo de eros\u00e3o muito forte no litoral norte do estado, como a praia de Barra Seca, no munic\u00edpio de Ubatuba, e a praia de Massagua\u00e7u, em Caraguatatuba. &#8220;Temos um mapa de risco com cinco classes: muito baixo, baixo, m\u00e9dio, alto, muito alto. A maior parte das praias do sul da Baixada Santista est\u00e1 em risco alto e muito alto de eros\u00e3o. Embora fa\u00e7amos uma classifica\u00e7\u00e3o geral de cada praia, \u00e0s vezes uma praia em risco m\u00e9dio tem um setor que est\u00e1 muito erosivo e outro setor que est\u00e1 menos. E isso est\u00e1 relacionado a v\u00e1rias causas, incluindo o avan\u00e7o da urbaniza\u00e7\u00e3o sobre a praia e a execu\u00e7\u00e3o de obras de prote\u00e7\u00e3o costeira&#8221;, relata C\u00e9lia.<\/p>\n<p>Espig\u00f5es, muros de conten\u00e7\u00f5es, quebra-mares e outros tipos de obras para a prote\u00e7\u00e3o de casas e avenidas contra o avan\u00e7o do mar vem sendo constru\u00eddos h\u00e1 d\u00e9cadas ao longo costa brasileira e devem se tornar mais necess\u00e1rios nos pr\u00f3ximos anos. No entanto, tem sido comum, por falta de planejamento e de estudos consistentes sobre seus prov\u00e1veis efeitos, que as obras de prote\u00e7\u00e3o costeira n\u00e3o funcionem como o desejado para deter a for\u00e7a do mar e muitas vezes precisem ser refeitas ou complementadas com novas medidas.<\/p>\n<p>Recentemente, foi publicada uma <a href=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/obras-de-protecao-costeira-nem-sempre-evitam-a-erosao-marinha\/\">mat\u00e9ria na revista Pesquisa Fapesp<\/a> sobre as obras ditas de prote\u00e7\u00e3o costeira, mas que na verdade acabam piorando o estado de eros\u00e3o. Em Massagua\u00e7u, por exemplo, eros\u00e3o teve in\u00edcio por volta de 1999 e em 2001 o mar come\u00e7ou a destruir a avenida que passa em frente a essa praia em um trecho de cerca de 100 metros de extens\u00e3o. Mas o resto estava bem. A partir de ent\u00e3o, foram tomadas medidas inadequadas ao longo do tempo que n\u00e3o foram apropriadas para sanar o problema da eros\u00e3o que estava acontecendo naquele trecho (na parte central da praia). Hoje, temos quase 2 km de eros\u00e3o. &#8220;Tentaram-se tantas obras diferentes que cada uma foi piorando a situa\u00e7\u00e3o. As interven\u00e7\u00f5es antr\u00f3picas em termos de constru\u00e7\u00e3o de obras r\u00edgidas s\u00e3o as piores. Porque n\u00e3o se recupera a praia. Precisamos primeiro tentar recuperar a praia, n\u00e3o recuperar ou proteger a avenida. \u00c9 preciso olhar pra essa praia, entender seu funcionamento e compreender do que ela est\u00e1 precisando para que seja corrigido esse processo que ao longo de d\u00e9cadas pode se tornar muito pior. Isso mostra a import\u00e2ncia de se adotar solu\u00e7\u00f5es adequadas para cada praia. Cada trecho de praia precisa de uma a\u00e7\u00e3o espec\u00edfica. E isso tem que ser estudado antes que qualquer medida seja tomada. Justamente para n\u00e3o deixar que essa praia entre em estado alto de eros\u00e3o&#8221;, conclui.<\/p>\n<p>O podcast tamb\u00e9m contou com a participa\u00e7\u00e3o de convidados de outras institui\u00e7\u00f5es abordando temas ambientais, entre eles o ge\u00f3grafo Davis de Paula, da Universidade Estadual do Cear\u00e1 (Uece), que abordou tem\u00e1tica complementar \u00e0 tratada por C\u00e9lia ao analisar <a href=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/obras-de-protecao-costeira-nem-sempre-evitam-a-erosao-marinha\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">como obras em praias de Fortaleza afetaram cidade vizinha<\/a>.<\/p>\n<p>Para escutar a entrevista da pesquisadora do IPA, acesse o link: <a href=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/celia-de-gouveia-souza\/\">https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/celia-de-gouveia-souza\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foto: Eros\u00e3o cr\u00f4nica no munic\u00edpio paulista de Iguape \/ Cr\u00e9dito: Daniel Fran\u00e7a No dia 3 de maio, a pesquisadora cient\u00edfica C\u00e9lia de Gouveia Souza, do Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA), [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":197,"featured_media":6102,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[2,5],"tags":[238,211,46,222,361],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/ipa\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6078"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/ipa\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/ipa\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/ipa\/wp-json\/wp\/v2\/users\/197"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/ipa\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6078"}],"version-history":[{"count":14,"href":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/ipa\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6078\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6110,"href":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/ipa\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6078\/revisions\/6110"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/ipa\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6102"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/ipa\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6078"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/ipa\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6078"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/ipa\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6078"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}