{"id":5970,"date":"2024-04-01T09:17:07","date_gmt":"2024-04-01T12:17:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/ipa\/?p=5970"},"modified":"2024-04-02T15:09:42","modified_gmt":"2024-04-02T18:09:42","slug":"analise-da-distribuicao-atual-de-especies-botanicas-permite-avaliar-impactos-de-mudancas-climaticas-no-maior-centro-urbano-do-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/ipa\/2024\/04\/analise-da-distribuicao-atual-de-especies-botanicas-permite-avaliar-impactos-de-mudancas-climaticas-no-maior-centro-urbano-do-pais\/","title":{"rendered":"An\u00e1lise da distribui\u00e7\u00e3o atual de esp\u00e9cies bot\u00e2nicas permite avaliar impactos de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas no maior centro urbano do pa\u00eds"},"content":{"rendered":"<p>A partir do questionamento sobre como o ecossistema da Mata Atl\u00e2ntica reagir\u00e1 diante de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas no estado de S\u00e3o Paulo e considerando a eleva\u00e7\u00e3o da temperatura nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas, o Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA) desenvolveu um estudo de modelagem preditiva para esp\u00e9cies de plantas das fam\u00edlias Euphorbiaceae e Phyllanthaceae, baseado na an\u00e1lise da distribui\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica atual e previs\u00f5es clim\u00e1ticas do Painel Intergovernamental de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC).<\/p>\n<p>&#8220;Os dados de ocorr\u00eancia obtidos no herb\u00e1rio Maria Eneyda Pacheco Kauffmann Fidalgo (Herb\u00e1rio SP) foram o diferencial para a execu\u00e7\u00e3o da pesquisa&#8221;, explica a pesquisadora cient\u00edfica do IPA In\u00eas Cordeiro, que trabalha com taxonomia de angiospermas h\u00e1 mais de tr\u00eas d\u00e9cadas. Gra\u00e7as \u00e0 valida\u00e7\u00e3o da identifica\u00e7\u00e3o das amostras, foi poss\u00edvel prever como a distribui\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies poder\u00e1 ser alterada com base em mudan\u00e7as de temperatura e pluviosidade inferidas para 2050 e 2070.<\/p>\n<p>A pesquisa indica quadros de aten\u00e7\u00e3o para v\u00e1rias das esp\u00e9cies estudadas que s\u00e3o encontradas em matas \u00famidas da Serra do Mar ou mais secas, como as da Serra do Japi.<\/p>\n<p>Com a eleva\u00e7\u00e3o da temperatura e diminui\u00e7\u00e3o da pluviosidade, esp\u00e9cies de florestas mais secas ou vegeta\u00e7\u00f5es mais abertas do dom\u00ednio do Cerrado, atualmente presentes no interior do estado de S\u00e3o Paulo, poder\u00e3o expandir sua distribui\u00e7\u00e3o em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 costa. &#8220;Ao mesmo tempo, esp\u00e9cies caracter\u00edsticas de matas \u00famidas no planalto poder\u00e3o retrair sua distribui\u00e7\u00e3o&#8221;, observa o professor da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) Ot\u00e1vio Lu\u00eds Marques, que desenvolveu este estudo como um p\u00f3s-doutoramento no IPA.<\/p>\n<p>Pelos estudos, um poss\u00edvel avan\u00e7o do Cerrado em dire\u00e7\u00e3o \u00e0s encostas da Mata Atl\u00e2ntica se daria pela aridifica\u00e7\u00e3o destas regi\u00f5es, o que n\u00e3o se restringe \u00e0s esp\u00e9cies analisadas neste estudo, mas tamb\u00e9m vem sendo inferido para outros grupos de plantas e animais.<\/p>\n<p>Em contrapartida, no planalto paulista, principalmente na regi\u00e3o da Serra do Mar, os pesquisadores identificaram \u00e1reas de maior resili\u00eancia, nas quais ainda haver\u00e1 condi\u00e7\u00f5es climaticamente favor\u00e1veis para a perman\u00eancia de esp\u00e9cies t\u00edpicas de mata \u00famidas, mesmo com o aumento de temperatura e a redu\u00e7\u00e3o de pluviosidade esperadas com as Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Neste sentido, um aspecto destacado pelo estudo \u00e9 a import\u00e2ncia da conserva\u00e7\u00e3o de \u00e1reas protegidas, como a Reserva Biol\u00f3gica do Alto da Serra de Paranapiacaba e o Parque Estadual das Fontes do Ipiranga, onde a unidade Jardim Bot\u00e2nico do IPA est\u00e1 localizada, que proveem fundamentais servi\u00e7os ecossist\u00eamicos, amenizando os cen\u00e1rios clim\u00e1ticos extremos, e ainda s\u00e3o ref\u00fagios para esp\u00e9cies raras e restritas que ocorrem na Regi\u00e3o Metropolitana de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<h4>Cole\u00e7\u00f5es digitais<\/h4>\n<p>O apoio da Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo (Fapesp) ao projeto permitiu um salto no processo de digitaliza\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias estudadas, assim como de outras cole\u00e7\u00f5es do maior herb\u00e1rio do estado de S\u00e3o Paulo e terceiro do Brasil. Somente de Euphorbiaceae, foram fotografadas mais de doze mil amostras que hoje est\u00e3o disponibilizadas na rede <em>speciesLink<\/em>, totalmente aberta ao p\u00fablico.<\/p>\n<p>A iniciativa permitiu ao grupo de pesquisas acelerar o processo de digitaliza\u00e7\u00e3o dos registros que se encontrava incompleto, e foi realizado integralmente por especialistas dedicados a esta importante etapa das investiga\u00e7\u00f5es em taxonomia. Com todos os registros validados quanto \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies, este trabalho tornou-se um novo marco na qualidade dos dados dispon\u00edveis para diferentes \u00e1reas do conhecimento e importante ferramenta para a elabora\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas no estado de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Essas informa\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m foram de grande import\u00e2ncia para o cat\u00e1logo on-line &#8220;Flora e Funga do Brasil&#8221;, uma plataforma colaborativa entre pesquisadores e institui\u00e7\u00f5es de pesquisa p\u00fablicas e privadas, nacionais e internacionais, pela disponibiliza\u00e7\u00e3o dos dados para outros especialistas, al\u00e9m de auxiliar na democratiza\u00e7\u00e3o do acesso \u00e0s listas de plantas e fungos existentes em todo o pa\u00eds.<\/p>\n<p>A pesquisa, &#8220;Explorando o impacto de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas na Reserva da Biosfera do Cintur\u00e3o Verde da cidade de S\u00e3o Paulo atrav\u00e9s de modelagem preditiva com esp\u00e9cies de Euphorbiaceae&#8221; foi financiada pela Fapesp, no \u00e2mbito do projeto &#8220;Desafios para conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade frente \u00e0s Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas, polui\u00e7\u00e3o e uso e ocupa\u00e7\u00e3o do solo&#8221; (Proc. FAPESP 2017\/50341-0).<\/p>\n<div class=\"wc-gallery\"><div class='wcflexslider-container wc-gallery-bottomspace-default wc-gallery-clear'><div id='gallery-1' class='gallery wc-gallery-captions-onhover gallery-link-file wcflexslider wcsliderauto' data-gutter-width='5' data-columns='1' data-hide-controls='false'><ul class='slides'>\n\t\t\t\t<li class='gallery-item gallery-item-position-1 gallery-item-attachment-5976 wcflex-slide-item'>\n\t\t\t\t\t<div class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/smastr16.blob.core.windows.net\/2001\/sites\/261\/2024\/03\/gonatogyne_brasiliensis_-phyllanthaceae.jpg\" target=\"_self\"><img src='https:\/\/smastr16.blob.core.windows.net\/2001\/sites\/261\/2024\/03\/gonatogyne_brasiliensis_-phyllanthaceae-550x366.jpg' width='550' height='366' alt='' \/><\/a>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<div class='wp-caption-text gallery-caption' style='width:550px;'>\n\t\t\t\t\t<p>\n\t\t\t\t\t<em>Gonatogyne brasiliensis<\/em>, planta da fam\u00edlia Phyllanthaceae\n\t\t\t\t\t<\/p>\n\t\t\t\t\t<\/div><\/li>\n\t\t\t\t<li class='gallery-item gallery-item-position-2 gallery-item-attachment-5975 wcflex-slide-item'>\n\t\t\t\t\t<div class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/smastr16.blob.core.windows.net\/2001\/sites\/261\/2024\/03\/euphorbia_heterophylla_euphorbiaceae.jpg\" target=\"_self\"><img src='https:\/\/smastr16.blob.core.windows.net\/2001\/sites\/261\/2024\/03\/euphorbia_heterophylla_euphorbiaceae-550x366.jpg' width='550' height='366' alt='' \/><\/a>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<div class='wp-caption-text gallery-caption' style='width:550px;'>\n\t\t\t\t\t<p>\n\t\t\t\t\tLeiteira (<em>Euphorbia heterophylla<\/em>), planta da fam\u00edlia Euphorbiaceae\n\t\t\t\t\t<\/p>\n\t\t\t\t\t<\/div><\/li>\n\t\t\t\t<li class='gallery-item gallery-item-position-3 gallery-item-attachment-5974 wcflex-slide-item'>\n\t\t\t\t\t<div class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/smastr16.blob.core.windows.net\/2001\/sites\/261\/2024\/03\/croton_floribundus_euphorbiaceae.jpg\" target=\"_self\"><img src='https:\/\/smastr16.blob.core.windows.net\/2001\/sites\/261\/2024\/03\/croton_floribundus_euphorbiaceae-550x366.jpg' width='550' height='366' alt='' \/><\/a>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<div class='wp-caption-text gallery-caption' style='width:550px;'>\n\t\t\t\t\t<p>\n\t\t\t\t\tCapixingui (<em>Croton floribundus<\/em>), planta da fam\u00edlia Euphorbiaceae\n\t\t\t\t\t<\/p>\n\t\t\t\t\t<\/div><\/li>\n\t\t\t\t<li class='gallery-item gallery-item-position-4 gallery-item-attachment-5973 wcflex-slide-item'>\n\t\t\t\t\t<div class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/smastr16.blob.core.windows.net\/2001\/sites\/261\/2024\/03\/alchornea_sidifolia_euphorbiaceae.jpg\" target=\"_self\"><img src='https:\/\/smastr16.blob.core.windows.net\/2001\/sites\/261\/2024\/03\/alchornea_sidifolia_euphorbiaceae-550x366.jpg' width='550' height='366' alt='' \/><\/a>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<div class='wp-caption-text gallery-caption' style='width:550px;'>\n\t\t\t\t\t<p>\n\t\t\t\t\tTapi\u00e1 (<em>Alchornea sidifolia<\/em>), planta da fam\u00edlia Euphorbiaceae\n\t\t\t\t\t<\/p>\n\t\t\t\t\t<\/div><\/li><\/ul><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A partir do questionamento sobre como o ecossistema da Mata Atl\u00e2ntica reagir\u00e1 diante de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas no estado de S\u00e3o Paulo e considerando a eleva\u00e7\u00e3o da temperatura nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas, 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