{"id":5641,"date":"2024-07-11T12:17:47","date_gmt":"2024-07-11T15:17:47","guid":{"rendered":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/ipa\/?p=5641"},"modified":"2024-07-11T15:00:01","modified_gmt":"2024-07-11T18:00:01","slug":"pesquisa-com-cambui-roxo-demonstra-a-alta-capacidade-de-regeneracao-das-sementes-e-mudas-da-especie","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/ipa\/2024\/07\/pesquisa-com-cambui-roxo-demonstra-a-alta-capacidade-de-regeneracao-das-sementes-e-mudas-da-especie\/","title":{"rendered":"Pesquisa com cambu\u00ed-roxo demonstra a alta capacidade de regenera\u00e7\u00e3o das sementes e mudas da esp\u00e9cie"},"content":{"rendered":"<p>O g\u00eanero <em>Eugenia<\/em>, da fam\u00edlia bot\u00e2nica das mirt\u00e1ceas, inclui esp\u00e9cies florestais e frut\u00edferas com grande potencial econ\u00f4mico, pois produzem frutos carnosos, alguns doces, pr\u00f3prios para consumo in natura ou para processamento. A esp\u00e9cie mais conhecida \u00e9 a pitangueira (<em>Eugenia uniflora<\/em>). Outras do g\u00eanero tamb\u00e9m d\u00e3o frutos saborosos, como a\u00a0uvaia (<em>E. pyriformis<\/em>) e a grumixama (<em>E. brasiliensis<\/em>). Na natureza, esses frutos s\u00e3o dispersos por animais, que se alimentam deles ou de suas sementes e, neste processo, as sementes podem ser partidas ou fracionadas.<\/p>\n<p>As esp\u00e9cies desse g\u00eanero botanico\u00a0apresentam alta capacidade regenerativa, produzindo ra\u00edzes e plantas inteiras a partir de sementes que tiveram redu\u00e7\u00e3o da massa cotiledonar e perderam grande parte de suas reservas. O fracionamento das sementes pode resultar em valores superiores a 100% de germina\u00e7\u00e3o. Ou seja, uma \u00fanica semente, fracionada, pode produzir mais de um conjunto de ra\u00edzes. Al\u00e9m disso, para algumas esp\u00e9cies de <em>Eugenia<\/em> a capacidade regenerativa das sementes est\u00e1 presente durante um longo per\u00edodo, desde sementes ainda imaturas at\u00e9 aquelas que j\u00e1 iniciaram a germina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No intuito de compreender os fatores envolvidos nesta capacidade regenerativa que permite a forma\u00e7\u00e3o de novos rebentos mesmo quando a semente \u00e9 fracionada, um grupo de pesquisadores do Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA) escolheu a<em>\u00a0Eugenia candolleana<\/em>, esp\u00e9cie popularmente conhecida como <a href=\"https:\/\/museunacional.ufrj.br\/hortobotanico\/arvoresearbustos\/eugeniacandolleana.html\">cambu\u00ed-roxo<\/a> e que ainda n\u00e3o havia sido amplamente estudada, para analisar os limites de suas regenera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>No estudo, foram coletados frutos da esp\u00e9cie, provenientes de matrizes do Parque Estadual Fontes do Ipiranga, na regi\u00e3o da capital paulista, e em propriedade privada no munic\u00edpio de Rio Claro (SP). As sementes foram extra\u00eddas e armazenadas por um per\u00edodo de at\u00e9 seis meses. Simulando herbivoria, foi realizado o fracionamento das sementes e de suas partes a\u00e9reas. Quando as ra\u00edzes prim\u00e1rias das sementes atingiram 1,5 cm de comprimento, foram eliminadas com aux\u00edlio de bisturi cir\u00fargico. Em seguida, as sementes foram colocadas na caixa de germina\u00e7\u00e3o. As novas ra\u00edzes geradas a partir dessas sementes tamb\u00e9m foram retiradas ao atingirem 1,5 cm e as sementes foram novamente colocadas na caixa. Este processo foi repetido at\u00e9 que as sementes produzissem a s\u00e9tima raiz (sexta raiz regenerada). O mesmo procedimento foi realizado para avaliar a regenera\u00e7\u00e3o de mudas inteiras, eliminando a parte a\u00e9rea e as ra\u00edzes quando as mudas atingiram 2,5 cm de comprimento total.<\/p>\n<p>Os resultados mostraram que as sementes de cambu\u00ed-roxo regeneram ra\u00edzes e brotos mesmo com redu\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria cotiledonar pela metade, mantendo a capacidade de germinar sucessivas vezes quando as primeiras ra\u00edzes produzidas s\u00e3o perdidas. Essa capacidade de regenera\u00e7\u00e3o ocorre mesmo em sementes armazenadas. As sementes dessa esp\u00e9cie possuem muito mais mat\u00e9ria cotiledonar do que o necess\u00e1rio para apenas uma germina\u00e7\u00e3o. Mesmo quando uma fra\u00e7\u00e3o \u00e9 eliminada e suas reservas nutricionais s\u00e3o reduzidas \u00e0 metade, ainda assim conseguem regenerar novas ra\u00edzes e mudas. No entanto, os autores da pesquisa ressaltam que a cada nova forma\u00e7\u00e3o de ra\u00edzes ou brotos, quando se perde alguma raiz ou parte a\u00e9rea, h\u00e1 um aumento no tempo necess\u00e1rio para essa regenera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Essa capacidade regenerativa pode estar associada \u00e0 sele\u00e7\u00e3o evolutiva, permitindo que essas sementes sejam muito predadas e, mesmo assim, continuem a germinar mesmo com baixas reservas energ\u00e9ticas. Nas esp\u00e9cies de <em>Eugenia<\/em>, o grande ac\u00famulo de reservas e a aquisi\u00e7\u00e3o de capacidade regenerativa nas sementes ainda bastante imaturas podem ter permitido que a esp\u00e9cie se perpetuasse no ambiente por meio de sucessivas germina\u00e7\u00f5es a partir de uma mesma semente. A grande vantagem desta estrat\u00e9gia \u00e9 a continuidade da esp\u00e9cie no ambiente, mesmo adverso, por longos per\u00edodos. Como essas sementes s\u00e3o sens\u00edveis \u00e0 desseca\u00e7\u00e3o (recalcitrantes), n\u00e3o poderiam formar bancos de sementes no solo, como ocorre em muitas esp\u00e9cies com sementes ortodoxas, pois teriam que germinar imediatamente ou deteriorariam rapidamente. No entanto, a capacidade de produzir germina\u00e7\u00f5es sucessivas, associada aos mecanismos de toler\u00e2ncia aos d\u00e9ficits h\u00eddricos do ambiente e de regenerar ra\u00edzes e brotos sob essa condi\u00e7\u00e3o, produz um efeito semelhante ao de bancos de sementes no solo. Isso pode indicar que sementes s\u00e3o capazes de aguardar a pr\u00f3xima safra regenerando diversas vezes. Assim, as sementes de cambu\u00ed-roxo s\u00e3o capazes de permanecer por mais tempo no ambiente, permitindo sua sobreviv\u00eancia em condi\u00e7\u00f5es ambientais desfavor\u00e1veis.<\/p>\n<p>O artigo cient\u00edfico &#8220;<em><a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/jss\/a\/qsw8z6FvmmJf7Fdq5SRLbfc\/?lang=en\">Regeneration of roots and shoots as a propagation strategy in Eugenia candolleana DC. (Myrtaceae) seeds<\/a>&#8220;<\/em> (Regenera\u00e7\u00e3o de ra\u00edzes e brotos como estrat\u00e9gia de propaga\u00e7\u00e3o em sementes de <em>Eugenia candolleana<\/em>), de autoria de Camila Alonso, Maiara Ribeiro, Marina Guardia e Claudio Jos\u00e9 Barbedo, foi publicado em janeiro de 2024 na revista cient\u00edfica <a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/jss\"><em>Journal of Seed Science<\/em><\/a>, antiga <a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/rbs\/\">Revista Brasileira de Sementes<\/a>, publica\u00e7\u00e3o da <a href=\"https:\/\/www.abrates.org.br\/\">Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Tecnologia de Sementes (Abrates)<\/a>.<\/p>\n<p>Imagem: Folhas frutos e sementes de Eugenia candolleana \/ Cr\u00e9dito: Jorge Stolfi \/\u00a0<a class=\"mw-mmv-license\" href=\"https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-sa\/3.0\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">CC BY-SA 3.0<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O g\u00eanero Eugenia, da fam\u00edlia bot\u00e2nica das mirt\u00e1ceas, inclui esp\u00e9cies florestais e frut\u00edferas com grande potencial econ\u00f4mico, pois produzem frutos carnosos, alguns doces, pr\u00f3prios para consumo in natura ou para [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":197,"featured_media":6579,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[2,5],"tags":[401,399,400,402,206],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/ipa\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5641"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/ipa\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/ipa\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/ipa\/wp-json\/wp\/v2\/users\/197"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/ipa\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5641"}],"version-history":[{"count":21,"href":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/ipa\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5641\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6588,"href":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/ipa\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5641\/revisions\/6588"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/ipa\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6579"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/ipa\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5641"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/ipa\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5641"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/ipa\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5641"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}