{"id":5416,"date":"2024-07-02T11:50:59","date_gmt":"2024-07-02T14:50:59","guid":{"rendered":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/ipa\/?p=5416"},"modified":"2024-07-03T16:06:56","modified_gmt":"2024-07-03T19:06:56","slug":"pesquisas-avaliam-as-vantagens-adaptativas-da-sesbania-virgata-especie-nativa-agressiva-utilizada-na-restauracao-de-areas-degradadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/ipa\/2024\/07\/pesquisas-avaliam-as-vantagens-adaptativas-da-sesbania-virgata-especie-nativa-agressiva-utilizada-na-restauracao-de-areas-degradadas\/","title":{"rendered":"Pesquisas avaliam as vantagens adaptativas da Sesbania virgata, esp\u00e9cie nativa &#8220;agressiva&#8221; utilizada na restaura\u00e7\u00e3o de \u00e1reas degradadas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><em>Cr\u00e9dito da imagem: Rubens Teixeira de Queiroz<\/em><\/p>\n<p>A degrada\u00e7\u00e3o ambiental muitas vezes altera profundamente as caracter\u00edsticas e, principalmente, a resili\u00eancia de determinados ecossistemas. Para a recupera\u00e7\u00e3o dessas \u00e1reas, a sele\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies bot\u00e2nicas cujas caracter\u00edsticas permitam seu desenvolvimento em tais condi\u00e7\u00f5es \u00e9 primordial. A <em>Sesbania virgata<\/em> \u00e9 uma esp\u00e9cie nativa da Am\u00e9rica do Sul com comportamento &#8220;agressivo&#8221; e que vem sendo bastante utilizada ao longo de anos em a\u00e7\u00f5es de restaura\u00e7\u00e3o de \u00e1reas degradadas pela minera\u00e7\u00e3o. A planta possui grande potencial de uso para programas de restaura\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica em condi\u00e7\u00f5es espec\u00edficas. Esse uso decorre do fato dela apresentar alto e r\u00e1pido \u00edndice de germina\u00e7\u00e3o e de desenvolvimento e bom potencial de cobertura do solo nos mais variados tipos de substrato, sendo tolerante inclusive \u00e0 perman\u00eancia em solos inundados. Essa &#8220;agressividade&#8221; decorre de diversos fatores, como a produ\u00e7\u00e3o de subst\u00e2ncias aleloqu\u00edmicas capazes de inibir germina\u00e7\u00e3o das sementes e o desenvolvimento de esp\u00e9cies concorrentes, inclusive ex\u00f3ticas reconhecidamente invasoras, como <em>Leucaena leucocephala<\/em>.<\/p>\n<p>Durante anos de estudo, diversas pesquisas do Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA) buscaram entender a forma e os mecanismos pelos quais a sesb\u00e2nia chegava n\u00e3o s\u00f3 a dominar determinado ambiente, como inibir o desenvolvimento de outras plantas nativas. Esse foi o foco da <a href=\"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/pgibt\/dissertacoesteses\/vera-lygia-el-id-dr\/\">pesquisa de doutorado da bi\u00f3loga Vera Lygia El Id no programa de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o do IPA<\/a>, orientada pelo pesquisador cient\u00edfico Nelson Augusto dos Santos Junior. A tese resultou em dois artigos cient\u00edficos publicados recentemente.<\/p>\n<h4><strong>Capacidade de adapta\u00e7\u00e3o a diferentes solos e regimes de irriga\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p>Na <a href=\"https:\/\/rif.emnuvens.com.br\/revista\/article\/view\/925\">pesquisa publicada<\/a> na <a href=\"https:\/\/rif.emnuvens.com.br\/revista\/index\">Revista do Instituto Florestal<\/a>, foi analisado o efeito de alguns fatores ambientais sobre a produ\u00e7\u00e3o dessas subst\u00e2ncias que a <em>S. virgata<\/em> gera para inibir o desenvolvimento de outras plantas. Foram verificados se fatores de estresse ambiental, como condi\u00e7\u00f5es distintas de solo e de disponibilidade h\u00eddrica, poderiam interferir na germina\u00e7\u00e3o e no desenvolvimento inicial da esp\u00e9cie. Assim, sementes de matrizes produtoras e n\u00e3o produtoras de catequina foram semeadas em tr\u00eas tipos de solo (comercial, solo do local das matrizes produtoras e solo do local das matrizes n\u00e3o produtoras do aleloqu\u00edmico) e submetidas a quatro sistemas de irriga\u00e7\u00e3o. Os par\u00e2metros avaliados foram o processo germinativo das sementes at\u00e9 a estagna\u00e7\u00e3o (ocorrido no quarto m\u00eas) e o desenvolvimento inicial pelo per\u00edodo de seis meses.<\/p>\n<p>Nos experimentos, as sementes germinaram integralmente praticamente em todos os tipos de solo e condi\u00e7\u00f5es de irriga\u00e7\u00e3o avaliados. Al\u00e9m disso, as mudas se desenvolveram bem em todos os tratamentos, inclusive nos solos menos f\u00e9rteis e sob estresse h\u00eddrico. A sequ\u00eancia de eventos fisiol\u00f3gicos e bioqu\u00edmicos durante a germina\u00e7\u00e3o das sementes \u00e9 influenciada por diversos fatores abi\u00f3ticos, como luz, temperatura e satura\u00e7\u00e3o h\u00eddrica dos solos, que podem restringir ou inibir a germina\u00e7\u00e3o, o que n\u00e3o foi observado no estudo, pois os dados mostraram que as sementes de sesb\u00e2nia apresentam alto percentual e velocidade de germina\u00e7\u00e3o em quaisquer condi\u00e7\u00f5es. Isso refor\u00e7a a plasticidade da esp\u00e9cie e lhe confere uma vantagem adaptativa, mesmo em condi\u00e7\u00f5es de estresse ambiental.<\/p>\n<p>Entretanto, nas m\u00e9dias gerais de todos os solos, na medida em que se aumentava a irriga\u00e7\u00e3o, aumentavam os valores, tanto de altura, quanto de di\u00e2metro das mudas. N\u00e3o s\u00f3 o d\u00e9ficit h\u00eddrico, mas tamb\u00e9m o excesso de \u00e1gua no substrato \u00e9 prejudicial na fase de muda, de acordo com sua intensidade e dura\u00e7\u00e3o. O d\u00e9ficit reduz a absor\u00e7\u00e3o de nutrientes, enquanto o excesso lixivia nutrientes e propicia condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis aos pat\u00f3genos.<\/p>\n<p>Os autores apontam que existem evid\u00eancias de que plantas submetidas a estresses abi\u00f3ticos moderados apresentam maior toler\u00e2ncia a estresses subsequentes. Este efeito se daria pelo fato de as c\u00e9lulas vegetais j\u00e1 apresentarem o metabolismo direcionado \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de metab\u00f3litos de defesa, em virtude do primeiro estresse infligido, uma resposta adaptativa das plantas a essas condi\u00e7\u00f5es ambientais adversas pode ser considerado mais uma prov\u00e1vel vantagem adaptativa da esp\u00e9cie, para condi\u00e7\u00f5es ambientais extremas, facilitando sua conquista e sua coloniza\u00e7\u00e3o em novos ambientes.<\/p>\n<h4><strong>Inibi\u00e7\u00e3o de fungos<\/strong><\/h4>\n<p>No <a href=\"https:\/\/periodicos.uem.br\/ojs\/index.php\/ActaSciBiolSci\/article\/view\/65301\">estudo publicado<\/a> na revista cient\u00edfica <a href=\"https:\/\/periodicos.uem.br\/ojs\/index.php\/ActaSciBiolSci\/index\">Acta Scientiarum-Biologial Science<\/a>, foi analisado o efeito de extratos produzidos a partir da <em>S. virgata<\/em> sobre os fungos que ocorrem em suas sementes, como forma de verificar os mecanismos que ela possui para inibi-los.<\/p>\n<p>A esp\u00e9cie \u00e9 bastante eficiente para a forma\u00e7\u00e3o de banco de sementes do solo, que s\u00e3o reservas de sementes que permanecem no solo, muitas vezes por longos per\u00edodos, aguardando condi\u00e7\u00f5es ambientais adequadas para germina\u00e7\u00e3o e crescimento. Esses bancos de sementes desempenham um papel crucial na regenera\u00e7\u00e3o e resili\u00eancia dos ecossistemas, permitindo que plantas revegetem \u00e1reas ap\u00f3s dist\u00farbios como inc\u00eandios, enchentes, ou atividades humanas. Os bancos de sementes do solo s\u00e3o um componente vital da din\u00e2mica dos ecossistemas, ajudando a manter a diversidade e a estabilidade ao longo do tempo. No entanto, s\u00e3o suscet\u00edveis a infec\u00e7\u00f5es f\u00fangicas e outros fatores bi\u00f3ticos.<\/p>\n<p>Neste estudo, foram coletadas sementes de popula\u00e7\u00f5es da planta que produzem ou n\u00e3o o flavonoide catequina. Essas sementes foram submetidas a testes laboratoriais para identifica\u00e7\u00e3o e quantifica\u00e7\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es f\u00fangicas no tegumento. Foram avaliados o efeito da aplica\u00e7\u00e3o do extrato de casca de sementes da esp\u00e9cie em esporos de tr\u00eas g\u00eaneros de fungos e da inocula\u00e7\u00e3o do mic\u00e9lio desses fungos em sementes da sesb\u00e2nia. Observou-se que os extratos aquosos do tegumento inibiram o crescimento micelar de fungos do g\u00eanero <em>Alternaria<\/em> e aumentaram o crescimento de fungo do g\u00eanero <em>Phoma<\/em> (o que causou letalidade em sementes p\u00f3s-germinadas). Os resultados da pesquisa mostraram que a origem das sementes estava diretamente relacionada aos fungos presentes, havendo varia\u00e7\u00f5es na composi\u00e7\u00e3o dos fungos, dependendo da origem. Os extratos inibiram o crescimento de alguns fungos e estimularam outros. Este resultado provavelmente esteve ligado ao fato de que, evolutivamente, enquanto a sesb\u00e2nia desenvolveu caracter\u00edsticas e ferramentas para inibir pat\u00f3genos espec\u00edficos, alguns deles, por outro lado, tamb\u00e9m evolu\u00edram para tolerar esta inibi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;As pesquisas demonstraram que a sesb\u00e2nia, al\u00e9m das caracter\u00edsticas desejadas quando implantada num novo ambiente (como crescimento r\u00e1pido, pouca exig\u00eancia nutricional, plasticidade, etc.), apresenta a capacidade de produ\u00e7\u00e3o de algumas subst\u00e2ncias que conferem \u00e0 ela grande vantagem adaptativa no ambiente, seja inibindo outras esp\u00e9cies ou controlando a incid\u00eancia de fungos que poderiam comprometer a germina\u00e7\u00e3o das suas sementes&#8221;, explica Nelson.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cr\u00e9dito da imagem: Rubens Teixeira de Queiroz A degrada\u00e7\u00e3o ambiental muitas vezes altera profundamente as caracter\u00edsticas e, principalmente, a resili\u00eancia de determinados ecossistemas. 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