{"id":5201,"date":"2023-11-08T12:23:58","date_gmt":"2023-11-08T15:23:58","guid":{"rendered":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/ipa\/?p=5201"},"modified":"2023-11-08T12:23:58","modified_gmt":"2023-11-08T15:23:58","slug":"quais-os-motivos-para-se-estudar-as-carragenanas-produzidas-pelas-algas-vermelhas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/ipa\/2023\/11\/quais-os-motivos-para-se-estudar-as-carragenanas-produzidas-pelas-algas-vermelhas\/","title":{"rendered":"Quais os motivos para se estudar as carragenanas produzidas pelas algas vermelhas?"},"content":{"rendered":"<p>A carragenana \u00e9 um dos subprodutos mais importantes em decorr\u00eancia da crescente demanda por ingredientes org\u00e2nicos em alimentos processados e estima-se um mercado de carragenanas de 1,2 bilh\u00e3o de d\u00f3lares at\u00e9 o ano 2028 (Market Data Forecast).<\/p>\n<p>Por este motivo, entre outros, uma das linhas de pesquisas do Instituto de Pesquisas Ambientais de S\u00e3o Paulo, desenvolvida pelo aluno Leandro Herrera do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Biodiversidade Vegetal e Meio Ambiente \u2013 IPA e orientado pela Dra. Nair S. Yokoya, avalia a produtividade e caracteriza\u00e7\u00e3o das carragenanas extra\u00eddas de uma linhagem tetrasporof\u00edtica (dipl\u00f3ide) e outras tr\u00eas linhagens gametof\u00edticas (hapl\u00f3ides) com varia\u00e7\u00f5es crom\u00e1ticas da macroalga <em>Kappaphycus alvarezii <\/em>(Doty) L.M.Liao (Rhodophyta, Gigartinales). A carragenana comercial \u00e9 obtida predominantemente da extra\u00e7\u00e3o da macroalga <em>K. alvarezii<\/em> em propor\u00e7\u00f5es que podem ultrapassar 65% da massa seca da alga (V\u00e9liz et al., 2017). Desse modo, de acordo com as an\u00e1lises, as varia\u00e7\u00f5es crom\u00e1ticas das linhagens da <em>K. alvarezii<\/em> podem produzir carragenanas com diferentes propriedades e direcion\u00e1-las \u00e0s aplica\u00e7\u00f5es diferenciadas ou usos espec\u00edficos.<\/p>\n<h4><strong>O que s\u00e3o carragenanas?<\/strong><\/h4>\n<p>As paredes celulares da maioria das algas vermelhas s\u00e3o constitu\u00eddas por uma rede frouxa de microfibrilas de celulose embebidas em uma mistura amorfa, semelhante a um gel, de mucilagens e pol\u00edmeros sulfatados de galactano que s\u00e3o os principais componentes do \u00e1gar e das carragenanas, que s\u00e3o valiosos comercialmente (Raven et al., 2014).<\/p>\n<p>As carragenanas s\u00e3o extra\u00eddas de diversas esp\u00e9cies de algas vermelhas, incluindo <em>Chondrus crispus<\/em> Stackhouse, <em>Hypnea pseudomusciformis <\/em>Nauer, Cassano &amp; M.C.Oliveira Lamouroux, <em>Eucheuma denticulatum<\/em> (N. L. Burman) Collins &amp; Hervey e <em>Kappaphycus alvarezii<\/em> (Hayashi et al., 2007).<\/p>\n<p>Carragenana \u00e9 o nome gen\u00e9rico dado \u00e0 fam\u00edlia de polissacar\u00eddeos sulfatados compostos pelas subunidades \u03b2-D-galactose e 3,6-\u03b1-anidro-D-galactose (Hayashi, 2007) que s\u00e3o extra\u00eddos das algas vermelhas (Hayashi &amp; Reis, 2012). Juntamente aos alginatos e \u00e1gares, formam um grupo de subst\u00e2ncias complexas biopolim\u00e9ricas que s\u00e3o chamadas de ficocol\u00f3ides.<\/p>\n<p>Esses pol\u00edmeros naturais t\u00eam a capacidade de formar g\u00e9is termorrevers\u00edveis ou solu\u00e7\u00f5es viscosas em solu\u00e7\u00f5es salinas. Essa capacidade gelificante confere a esses polissacar\u00eddeos diversas aplica\u00e7\u00f5es (Dalbelo, 2016) e sua solubilidade em \u00e1gua depende essencialmente dos n\u00edveis de grupos sulfato e em seus c\u00e1tions associados (Pardonche, 1985, apud Campo et al., 2009).<\/p>\n<p>Consequentemente, a propor\u00e7\u00e3o de fra\u00e7\u00f5es de sulfato e o equil\u00edbrio dos c\u00e1tions na solu\u00e7\u00e3o de \u00e1gua determina a viscosidade das solu\u00e7\u00f5es ou a for\u00e7a dos g\u00e9is das carragenanas, representando as principais caracter\u00edsticas exploradas nas ind\u00fastrias aliment\u00edcia e farmac\u00eautica no uso como espessantes, gelificantes e agentes estabilizadores (Campo et al., 2009).<\/p>\n<h4><strong>Quais s\u00e3o as possibilidades de uso da carragenana?<\/strong><\/h4>\n<p>Dentre as diversas aplica\u00e7\u00f5es da carragenana, uma das mais importantes \u00e9 na ind\u00fastria de alimentos, onde o uso da carragenana em latic\u00ednios ainda est\u00e1 crescendo devido \u00e0 sua reatividade com as prote\u00ednas do leite, e pode atuar como uma fibra alimentar, limpando o sistema digestivo, protegendo a membrana da superf\u00edcie do est\u00f4mago e prevenindo os efeitos de potenciais carcin\u00f3genos no intestino (Bixler &amp; Porse; 2011; Hayashi &amp; Reis, 2012).<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, os polissacar\u00eddeos sulfatados tamb\u00e9m mostraram atividade antiviral (Hayashi &amp; Reis, 2012).<\/p>\n<p>Pesquisas recentes fornecem outras possibilidades para o uso das carragenanas, como publicado recentemente na Revista FAPESP por Julia Moi\u00f3li. Segundo Nogueira et al. (2023), o estudo \u201cO biomaterial feito de col\u00e1geno e a\u00e7\u00facar de algas se mostra capaz de estimular a regenera\u00e7\u00e3o \u00f3ssea\u201d apresenta a seguinte informa\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>\u201c<\/strong>Atualmente, o padr\u00e3o-ouro para implantes \u00f3sseos \u00e9 a utiliza\u00e7\u00e3o de materiais aut\u00f3genos, ou seja, retirados do corpo do pr\u00f3prio paciente. Esse processo, no entanto, carrega dificuldades: requer uma cirurgia adicional, com o risco de infec\u00e7\u00f5es, e nem sempre pode ser utilizado em grandes \u00e1reas. A principal tend\u00eancia para superar esses problemas \u00e9 o desenvolvimento de materiais artificiais que repliquem com similaridade, seguran\u00e7a e efici\u00eancia a complexidade da estrutura \u00f3ssea, como este composto de col\u00e1geno tipo 1 (prote\u00edna mais abundante na matriz \u00f3ssea) proveniente de bovinos ou su\u00ednos e de carragenana\u201d.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Texto: Leandro Herrera, elaborado na disciplina Est\u00e1gio de Doc\u00eancia do curso de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o do IPA<\/p>\n<p>Foto: An\u00e1lises em espectrofot\u00f4metro (Shimadzu \u2013 UV1800), para a quantifica\u00e7\u00e3o de prote\u00ednas, carboidratos, 3,6 anidrogalactose e teor de sulfato da carragenana<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4>Refer\u00eancias:<\/h4>\n<p>BIXLER, H. J. &amp; PORSE, H. 2011. A decade of change in the seaweed hydrocolloids industry. Journal of Applied Phycology, 23(3): 321\u2013335.<\/p>\n<p>CAMPO, V. L.; KAWANO, D. F.; DA SILVA Jr. D. B.; CARVALHO, I. 2009. Carrageenans: Biological properties, chemical modifications and structural analysis \u2013 A review. Carbohydrate Polymers 77: 167\u2013180.<\/p>\n<p>DALBELO, G. 2016. Otimiza\u00e7\u00e3o da hidr\u00f3lise \u00e1cida da macroalga <em>Kappaphycus alvarezii <\/em>para a produ\u00e7\u00e3o de g\u00e1s hidrog\u00eanio por fermenta\u00e7\u00e3o. Instituto de qu\u00edmica da Universidade de S\u00e3o Paulo. (Disserta\u00e7\u00e3o de mestrado).<\/p>\n<p>HAYASHI, L; PAULA, E. J.; CHOW, F. 2007. Growth rate and carrageenan analyses in four strains of Kappaphycus alvarezii (Rhodophyta, Gigartinales) farmed in the subtropical waters of S\u00e3o Paulo State, Brazil. J Appl Phycol, 19: 393-399.<\/p>\n<p>HAYASHI, L. 2007. Contribui\u00e7\u00e3o \u00e0 maricultura da alga vermelha<em> Kappaphycus alvarezii<\/em> (Rhodophyta, Solieriaceae) para produ\u00e7\u00e3o de carragenana. Instituto de Bioci\u00eancias da Universidade de S\u00e3o Paulo. Cap\u00edtulo 4, p 77. (Disserta\u00e7\u00e3o de doutorado)<\/p>\n<p>HAYASHI, L.; REIS, R.P. 2012. Cultivation of the red algae <em>Kappaphycus alvarezii <\/em>in Brazil and its pharmacological potential. Revista Brasileira Farmacognosia, 22(4): 748-752.<\/p>\n<p>MARKET DATA FORECAST: https:\/\/www.marketdataforecast.com\/market-reports\/carrageenan-market<\/p>\n<p>NOQUEIRA, L. F. B.; CRUS, M. A. E.; MELO, M.T.; MANIGLIA , B.C.; CAROLEO, F.; PAOLESSE, R.; LOPES, H.B.; BELOTE, M.M.; CIANCAGLINI, P.; RAMOS, A. P.; BOTTINI, M. 2023 Collagen\/\u03ba-Carrageenan-Based Scaffolds as Biomimetic Constructs for In Vitro Bone Mineralization Studies. Biomacromolecules 24(3): 1258\u20131266.<\/p>\n<p>PARDONCHE, P. E. (1985). Aplica\u00e7\u00e3o de extratos de algas marinhas na ind\u00fastria de alimentos. Boletim t\u00e9cnico CECA Produtos Qu\u00edmicos S\/A (p. 15). S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>RAVEN, P.H.; EVERT, R.F.; EICHHORN, S.E. (2014) Raven | Biology of Plants 8 ed. Guanabara Koogen (Tradu\u00e7\u00e3o Vieira AC et al.), cap\u00edtulo 15.<\/p>\n<p>V\u00c9LIZ, K.; CHAND\u00cdA, N.; RIVADENEIRA, M.; THIEL, M. 2017. Seasonal variation of carrageenans from Chondracanthus chamissoi with a review of variation in the carrageenan contents produced by Gigartinales. J Appl Phycol: Published online.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A carragenana \u00e9 um dos subprodutos mais importantes em decorr\u00eancia da crescente demanda por ingredientes org\u00e2nicos em alimentos processados e estima-se um mercado de carragenanas de 1,2 bilh\u00e3o de d\u00f3lares [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":197,"featured_media":5202,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[2,5],"tags":[147,167,278],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/ipa\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5201"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/ipa\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/ipa\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/ipa\/wp-json\/wp\/v2\/users\/197"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/ipa\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5201"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/ipa\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5201\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5203,"href":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/ipa\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5201\/revisions\/5203"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/ipa\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5202"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/ipa\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5201"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/ipa\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5201"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/ipa\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5201"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}