{"id":5117,"date":"2023-12-07T07:00:35","date_gmt":"2023-12-07T10:00:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/ipa\/?p=5117"},"modified":"2023-12-08T10:48:47","modified_gmt":"2023-12-08T13:48:47","slug":"pesquisa-em-borda-de-floresta-urbana-avalia-ecologia-do-principal-vetor-da-febre-amarela-para-prever-sua-distribuicao-em-criadouros-naturais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/ipa\/2023\/12\/pesquisa-em-borda-de-floresta-urbana-avalia-ecologia-do-principal-vetor-da-febre-amarela-para-prever-sua-distribuicao-em-criadouros-naturais\/","title":{"rendered":"Pesquisa em borda de floresta urbana avalia ecologia do principal vetor da febre amarela para prever sua distribui\u00e7\u00e3o em criadouros naturais"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\">Foto: <em>Haemagogus leucocelaenus<\/em> \/ Cr\u00e9dito da foto: Genilton Jos\u00e9 Vieira<\/p>\n<p>Entre 2016 e 2019, ocorreu uma epidemia de febre amarela no Brasil. A proximidade de florestas a \u00e1reas urbanas aumenta contato de humanos com mosquitos vetores silvestres. Com o objetivo de investigar a distribui\u00e7\u00e3o do vetor da doen\u00e7a em bordas urbanas da Mata Atl\u00e2ntica, uma pesquisa cient\u00edfica foi realizada em unidades de conserva\u00e7\u00e3o da \u00e1rea metropolitana de S\u00e3o Paulo para avaliar a presen\u00e7a de larvas do mosquito <em>Haemagogus leucocelaenus<\/em>, principal transmissor do v\u00edrus causador da febre amarela, que se cria em ocos de \u00e1rvores. O levantamento identificou quatro \u00e1reas com alto risco de transmiss\u00e3o. O estudo, publicado em junho deste ano, foi realizado por pesquisadores cient\u00edficos do Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA) em conjunto com parceiros de institui\u00e7\u00f5es da \u00e1rea de sa\u00fade.<\/p>\n<p>O levantamento foi realizado entre 2016 e 2018 nos parques estaduais da Cantareira e Alberto L\u00f6fgren, na zona norte da capital paulista. Os pesquisadores adentraram a mata a at\u00e9 cerca de 100 metros da borda procurando \u00e1rvores escal\u00e1veis e \u00e1rvores com buracos at\u00e9 uma altura de 14 metros.\u00a0As cavidades das \u00e1rvores foram testadas quanto \u00e0 sua capacidade de reter \u00e1gua e suas dimens\u00f5es internas foram medidas, bem como a posi\u00e7\u00e3o na \u00e1rvore a partir do solo. Tamb\u00e9m foram medidos o di\u00e2metro dos troncos das \u00e1rvores. Bombas manuais de suc\u00e7\u00e3o foram usadas para remover completamente a \u00e1gua, cuja amostras foram etiquetadas e levadas ao laborat\u00f3rio. Os ocos foram reabastecidos com \u00e1gua de uma nascente pr\u00f3xima para manter os n\u00edveis originais.<\/p>\n<p>No laborat\u00f3rio, a identifica\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies larv\u00e1rias de mosquitos, foi realizada nas amostras de \u00e1gua coletada nos ocos. Em 105 das amostras de \u00e1gua retiradas dos buracos das \u00e1rvores foram identificadas 1.316 larvas pertencentes a oito esp\u00e9cies de mosquitos, sendo 698 de <em>Hg. leucocelaenus<\/em>. Apesar de mais da metade dos indiv\u00edduos terem sido identificados como o principal vetor da doen\u00e7a, os resultados mostraram que a presen\u00e7a desta esp\u00e9cie parece ser menos prov\u00e1vel em buracos de \u00e1rvores ocupados por outras esp\u00e9cies da fam\u00edlia Culicidae. A presen\u00e7a das esp\u00e9cies parece ser menos frequente, com o aumento da dist\u00e2ncia do oco em rela\u00e7\u00e3o ao solo. Os resultados mostraram que quanto maiores os volumes de \u00e1guas coletados e os di\u00e2metros dos ocos, maior a abund\u00e2ncia de larvas de <em>Hg. leucocelaenus<\/em>. Ocos grandes tendem a oferecer mais recursos alimentares e espa\u00e7o para suportar mais indiv\u00edduos. Quanto maior o volume da cavidade, maior a probabilidade da co-ocorr\u00eancia de duas esp\u00e9cies. Outras 68 amostras de \u00e1gua foram negativas para presen\u00e7a larval.<\/p>\n<p>Os pesquisadores acompanharam os dados mensais de precipita\u00e7\u00e3o e temperatura dos parques obtidos na esta\u00e7\u00e3o meteorol\u00f3gica Trememb\u00e9-Ja\u00e7an\u00e3. Os resultados mostraram que os picos de alta densidade larval de <em>Hg. leucocelaenus<\/em> ocorreram em agosto e dezembro de 2017 e julho de 2018, durante a esta\u00e7\u00e3o \u00famida, coincidindo com o in\u00edcio dos casos epizo\u00f3ticos de febre amarela na cidade de S\u00e3o Paulo. Ainda assim, os pesquisadores obtiveram registros de oviposi\u00e7\u00e3o em ocos de \u00e1rvores com volumes inferiores a 250 mL, o que sugere que <em>Hg. leucocelaenus<\/em>, que tem r\u00e1pido desenvolvimento, pode necessitar de menor volume de \u00e1gua para se reproduzir. Os autores do artigo observaram ainda que as f\u00eameas do mosquito colocaram seus ovos nos buracos de \u00e1rvores de onde haviam sido retirados seus ovos e larvas, sugerindo que elas revisitaram os ocos que s\u00e3o adequados para a oviposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A participa\u00e7\u00e3o dos pesquisadores do IPA, Osny Tadeu de Aguiar e Jo\u00e3o Batista Baitello, foi muito importante para identificar as esp\u00e9cies arb\u00f3reas da \u00e1rea de investiga\u00e7\u00e3o. Foram realizadas quatro expedi\u00e7\u00f5es com esse objetivo e a identifica\u00e7\u00e3o foi confirmada no Herb\u00e1rio Dom Bento Jos\u00e9 Pickel. A abund\u00e2ncia das esp\u00e9cies arb\u00f3reas foi diferente entre as amostras positivas e negativas com ocos. As esp\u00e9cies arb\u00f3reas que mais apresentaram ocos negativos para larvas foram carvalho brasileiro (<em>Euplassa cantareirae<\/em>), camboat\u00e3 (<em>Guarea macrophyla<\/em>), ara\u00e7\u00e1-de-macaco (<em>Psychotria suterella<\/em>) e manac\u00e1-da-serra (<em>Tibouchina pulchra<\/em>). Talvez esse resultado, se deva a estarem mais distribu\u00eddas na \u00e1rea de investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div id=\"attachment_5410\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-5410\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-5410 size-wcstandard\" src=\"https:\/\/smastr16.blob.core.windows.net\/2001\/sites\/261\/2023\/12\/osny-fazendo-identificacao-de-especies-da-cantareira-550x414.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"414\" srcset=\"https:\/\/smastr16.blob.core.windows.net\/2001\/sites\/261\/2023\/12\/osny-fazendo-identificacao-de-especies-da-cantareira-550x414.jpg 550w, https:\/\/smastr16.blob.core.windows.net\/2001\/sites\/261\/2023\/12\/osny-fazendo-identificacao-de-especies-da-cantareira-300x226.jpg 300w, https:\/\/smastr16.blob.core.windows.net\/2001\/sites\/261\/2023\/12\/osny-fazendo-identificacao-de-especies-da-cantareira-768x578.jpg 768w, https:\/\/smastr16.blob.core.windows.net\/2001\/sites\/261\/2023\/12\/osny-fazendo-identificacao-de-especies-da-cantareira-250x188.jpg 250w, https:\/\/smastr16.blob.core.windows.net\/2001\/sites\/261\/2023\/12\/osny-fazendo-identificacao-de-especies-da-cantareira-800x602.jpg 800w, https:\/\/smastr16.blob.core.windows.net\/2001\/sites\/261\/2023\/12\/osny-fazendo-identificacao-de-especies-da-cantareira-239x180.jpg 239w, https:\/\/smastr16.blob.core.windows.net\/2001\/sites\/261\/2023\/12\/osny-fazendo-identificacao-de-especies-da-cantareira-398x300.jpg 398w, https:\/\/smastr16.blob.core.windows.net\/2001\/sites\/261\/2023\/12\/osny-fazendo-identificacao-de-especies-da-cantareira-664x500.jpg 664w, https:\/\/smastr16.blob.core.windows.net\/2001\/sites\/261\/2023\/12\/osny-fazendo-identificacao-de-especies-da-cantareira.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><p id=\"caption-attachment-5410\" class=\"wp-caption-text\">Pesquisador Osny Tadeu de Aguiar em campo fazendo a identifica\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies arb\u00f3reas para o estudo<\/p><\/div>\n<p>Al\u00e9m dos pesquisadores do IPA, o estudo leva a autoria de pesquisadores e pesquisadoras do <a href=\"https:\/\/www.saude.sp.gov.br\/instituto-pasteur\/\">Instituto Pasteur<\/a> e da <a href=\"https:\/\/www.saude.sp.gov.br\/sucen-superintendencia-de-controle-de-endemias\/\">Superintend\u00eancia de Controle de Endemias (SUCEN)<\/a>, ambos da <a href=\"https:\/\/www.saude.sp.gov.br\/\">Secretaria Estadual de Sa\u00fade de S\u00e3o Paulo<\/a>, da <a href=\"https:\/\/www.fsp.usp.br\/site\/\">Faculdade de Sa\u00fade P\u00fablica da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP)<\/a> e do <a href=\"https:\/\/www.ioc.fiocruz.br\/\">Instituto Oswaldo Cruz<\/a>.<\/p>\n<p>O artigo cient\u00edfico <a href=\"https:\/\/www.mdpi.com\/2414-6366\/8\/7\/337\"><em>Physical Attributes of Tree Holes in the Atlantic Forest Edges: Evaluating Their Association with the Presence and Abundance of Immature Haemagogus leucocelaenus<\/em><\/a> (Atributos f\u00edsicos de buracos de \u00e1rvores nas bordas da Mata Atl\u00e2ntica: avaliando sua associa\u00e7\u00e3o com a presen\u00e7a e abund\u00e2ncia de <em>Haemagogus leucocelaenus<\/em> imaturos) foi publicado na revista cient\u00edfica <em><a href=\"https:\/\/www.mdpi.com\/journal\/tropicalmed\">Tropical Medicine and Infectious Disease<\/a>.<br \/>\n<\/em><\/p>\n<p>Texto: N\u00facleo de Divulga\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foto: Haemagogus leucocelaenus \/ Cr\u00e9dito da foto: Genilton Jos\u00e9 Vieira Entre 2016 e 2019, ocorreu uma epidemia de febre amarela no Brasil. A proximidade de florestas a \u00e1reas urbanas aumenta [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":197,"featured_media":5409,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[2,5],"tags":[270,266,271,32,31],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/ipa\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5117"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/ipa\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/ipa\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/ipa\/wp-json\/wp\/v2\/users\/197"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/ipa\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5117"}],"version-history":[{"count":19,"href":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/ipa\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5117\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5415,"href":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/ipa\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5117\/revisions\/5415"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/ipa\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5409"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/ipa\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5117"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/ipa\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5117"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/ipa\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5117"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}