{"id":5106,"date":"2023-10-18T12:03:55","date_gmt":"2023-10-18T15:03:55","guid":{"rendered":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/ipa\/?p=5106"},"modified":"2023-11-08T14:24:02","modified_gmt":"2023-11-08T17:24:02","slug":"restauracao-de-cerrado-deve-levar-em-consideracao-as-diferentes-fitofisionomias-do-bioma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/ipa\/2023\/10\/restauracao-de-cerrado-deve-levar-em-consideracao-as-diferentes-fitofisionomias-do-bioma\/","title":{"rendered":"Restaura\u00e7\u00e3o de Cerrado deve levar em considera\u00e7\u00e3o as diferentes fitofisionomias do bioma"},"content":{"rendered":"<p>A pesquisadora cient\u00edfica Giselda Durigan, do Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA), em entrevista \u00e0 assessoria de imprensa do <a href=\"https:\/\/www.cerradodasaguas.org.br\/\">Cons\u00f3rcio Cerrado das \u00c1guas<\/a>,\u00a0alerta que, para o Cerrado, pr\u00e1ticas de restaura\u00e7\u00e3o adotadas na Mata Atl\u00e2ntica podem levar a resultados prejudiciais e de baixa efici\u00eancia para manuten\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os ecossist\u00eamicos. Para isso, ela recomenda que se mantenha e recupere as diferentes fitofisionomias do bioma sav\u00e2nico.<\/p>\n<p>Veja abaixo trecho retirado da reportagem:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px\">Giselda afirma que no Cerrado as \u00e1rvores devem ser coadjuvantes e n\u00e3o dominantes, isso porque o Cerrado tem uma estrutura caracterizada por \u00e1rvores esparsas e um estrato rasteiro dominado por capins recobrindo o ch\u00e3o. Para ela, se o Cerrado se transformar em uma grande \u00e1rea florestal, com a chamada \u00e1rea de sucess\u00e3o, h\u00e1 consequ\u00eancias negativas.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px\">\u201cSe o adensamento (florestal) acontecer no Cerrado, as consequ\u00eancias negativas para o bioma ser\u00e3o dram\u00e1ticas em termos de perda de esp\u00e9cies end\u00eamicas da flora e da fauna e, al\u00e9m disso, ser\u00e1 severamente comprometido o principal servi\u00e7o ecossist\u00eamico associado \u00e0 vegeta\u00e7\u00e3o sav\u00e2nica, que \u00e9 a recarga de reservas de \u00e1gua subterr\u00e2nea e o abastecimento das nascentes e dos rios na maior parte do Brasil. Isso ocorreria porque florestas interceptam em suas copas cerca de 30% da chuva e retiram muito mais \u00e1gua do solo do que a vegeta\u00e7\u00e3o aberta do Cerrado\u201d, avalia a pesquisadora.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px\"><strong>Conex\u00e3o de paisagens: caminho eficaz para a restaura\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nO desmatamento no Cerrado acendeu, mais uma vez, o alerta vermelho no primeiro semestre de 2023. O total de alertas de desmate cresceu 21% neste per\u00edodo, o que equivale a 4.408 km\u00b2, dados divulgados pelo Sistema de Detec\u00e7\u00e3o de Desmatamento em Tempo Real (Deter). Na contram\u00e3o dos n\u00fameros alarmantes, h\u00e1 a\u00e7\u00f5es que visam ao reflorestamento adequado e trazem esperan\u00e7as para a conserva\u00e7\u00e3o desse importante bioma. Uma dessas a\u00e7\u00f5es \u00e9 a conectividade de paisagens, unindo as \u00e1reas naturais remanescentes do Cerrado. Contudo, h\u00e1 desafios que precisam ser vencidos para que isto ocorra, como conta Giselda.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px\">\u201cA conectividade entre as \u00e1reas remanescentes depende do uso da terra que as separa. Quanto menos semelhante for a estrutura da vegeta\u00e7\u00e3o cultivada \u00e0 estrutura da vegeta\u00e7\u00e3o de savana (plantas lenhosas esparsas sobre o estrato rasteiro graminoso), mais grave ser\u00e1 o isolamento. A agricultura \u00e9 a matriz mais hostil, ou seja, \u00e9 a que mais fortemente isola os remanescentes do Cerrado. No outro extremo est\u00e3o as pastagens que n\u00e3o foram intensificadas. Se entre os remanescentes existirem pastagens com \u00e1rvores e arbustos esparsos, pode-se considerar que os fragmentos de Cerrado continuam conectados para a maior parte da fauna (aves, mam\u00edferos, r\u00e9pteis, formigas e at\u00e9 invertebrados) e da flora. A fauna continua utilizando as pastagens como fonte de alimento e habitat, e as plantas nativas existentes nas pastagens funcionam como <em>stepping-stones<\/em> para agentes polinizadores e dispersores de sementes. A silvicultura \u00e9 menos amig\u00e1vel do que as pastagens, mas \u00e9 bem menos hostil do que a agricultura, especialmente por manter sub-bosque no Cerrado e por ser em intervalos de tempo bem mais longos\u201d, analisa.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px\">Para a pesquisadora, h\u00e1 possibilidades para se buscar uma paisagem mais amig\u00e1vel no Cerrado para minimizar as consequ\u00eancias da fragmenta\u00e7\u00e3o e, para isso, ela faz duas recomenda\u00e7\u00f5es principais: manter (ou restaurar) as faixas de preserva\u00e7\u00e3o permanente com vegeta\u00e7\u00e3o nativa e isso compreende n\u00e3o s\u00f3 mata ciliar, mas campos \u00famidos, veredas, e at\u00e9 uma parte de vegeta\u00e7\u00e3o aberta de Cerrado; e conectar os fragmentos remanescentes entre si e com a zona rip\u00e1ria por corredores de pastagem ou de vegeta\u00e7\u00e3o restaurada com estrutura de savana (\u00e1rvores e arbustos esparsos e um estrato rasteiro predominantemente formado por gram\u00edneas nativas).<\/p>\n<p>Confira a mat\u00e9ria completa no site do <a href=\"https:\/\/www.cerradodasaguas.org.br\/post\/restaura%C3%A7%C3%A3o-no-cerrado-savana-%C3%A9-diferente-de-floresta-e-preservar-suas-particularidades-%C3%A9-determina\">Cons\u00f3rcio Cerrado das \u00c1guas<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A pesquisadora cient\u00edfica Giselda Durigan, do Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA), em entrevista \u00e0 assessoria de imprensa do Cons\u00f3rcio Cerrado das \u00c1guas,\u00a0alerta que, para o Cerrado, pr\u00e1ticas de restaura\u00e7\u00e3o adotadas [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":197,"featured_media":5111,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[2,5],"tags":[62,47],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/ipa\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5106"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/ipa\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/ipa\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/ipa\/wp-json\/wp\/v2\/users\/197"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/ipa\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5106"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/ipa\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5106\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5204,"href":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/ipa\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5106\/revisions\/5204"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/ipa\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5111"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/ipa\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5106"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/ipa\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5106"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/ipa\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5106"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}