{"id":4912,"date":"2023-09-29T16:00:25","date_gmt":"2023-09-29T19:00:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/ipa\/?p=4912"},"modified":"2023-09-29T16:30:15","modified_gmt":"2023-09-29T19:30:15","slug":"da-certificacao-de-origem-a-analise-da-qualidade-do-mel-conheca-a-variedade-de-pesquisas-cientificas-do-ipa-que-tratam-da-interacao-abelha-planta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/ipa\/2023\/09\/da-certificacao-de-origem-a-analise-da-qualidade-do-mel-conheca-a-variedade-de-pesquisas-cientificas-do-ipa-que-tratam-da-interacao-abelha-planta\/","title":{"rendered":"Da certifica\u00e7\u00e3o de origem \u00e0 an\u00e1lise da qualidade do mel: conhe\u00e7a a variedade de pesquisas cient\u00edficas do IPA que tratam da intera\u00e7\u00e3o abelha\/planta"},"content":{"rendered":"<p>No m\u00eas de setembro, aconteceu em Santiago, no Chile, o <a href=\"https:\/\/portal.apexbrasil.com.br\/evento\/apimondia-2023\/\">48\u00ba Congresso Internacional de Apicultura<\/a>. No evento, a pesquisadora cient\u00edfica Cynthia Fernandes Pinto da Luz, do Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA), apresentou trabalhos realizados na institui\u00e7\u00e3o, mostrando a diversidade de abordagens sobre o tema e como as diferentes \u00e1reas do conhecimento se interligam. Ela exp\u00f4s resultados de an\u00e1lises de caracteriza\u00e7\u00e3o do n\u00e9ctar e da qualidade do mel de mais de 100 amostras de 11 das 15 mesorregi\u00f5es de S\u00e3o Paulo, bem como o levantamento das principais plantas nectar\u00edferas existentes no Estado. Tamb\u00e9m compartilhou dados sobre a biologia reprodutiva de uma popula\u00e7\u00e3o arb\u00f3rea de guanandis (<em>Calophyllum brasiliense<\/em>) do Parque Estadual das Fontes do Ipiranga, na capital paulista, e seus polinizadores.<\/p>\n<p>O Congresso foi coordenado pela <a href=\"https:\/\/www.apimondia.org\/\">Apimondia<\/a> (Federa\u00e7\u00e3o Internacional de Associa\u00e7\u00f5es de Apicultores) em colabora\u00e7\u00e3o com diversas institui\u00e7\u00f5es. Trata-se da principal organiza\u00e7\u00e3o mundial dedicada \u00e0 apicultura e \u00e0 meliponicultura, atuante desde 1895 e que promove em todos os pa\u00edses o desenvolvimento cient\u00edfico, ecol\u00f3gico, social e econ\u00f4mico do setor. A abrang\u00eancia deste evento desempenha um papel crucial para aqueles que buscam estar atualizados com as mais recentes inova\u00e7\u00f5es e descobertas nesses campos. Representa uma oportunidade singular para apicultores, pesquisadores e empresas compartilharem conhecimentos e experi\u00eancias, com o intuito de promover o progresso dessas pr\u00e1ticas em escala global. &#8220;\u00c9 o evento internacional que possui o maior n\u00famero de estudos relacionados \u00e0 poliniza\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies vegetais, informa\u00e7\u00e3o de suma import\u00e2ncia na minha \u00e1rea de pesquisa&#8221; defende a pesquisadora do IPA.<\/p>\n<div class=\"wc-gallery\"><div class='wcflexslider-container wc-gallery-bottomspace-default wc-gallery-clear'><div id='gallery-1' class='gallery wc-gallery-captions-onhover gallery-link-file wcflexslider wcsliderauto' data-gutter-width='5' data-columns='1' data-hide-controls='false'><ul class='slides'>\n\t\t\t\t<li class='gallery-item gallery-item-position-1 gallery-item-attachment-4995 wcflex-slide-item'>\n\t\t\t\t\t<div class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/smastr16.blob.core.windows.net\/2001\/sites\/261\/2023\/09\/vista-da-area-de-exposicao-apimondia.jpeg\" target=\"_self\"><img src='https:\/\/smastr16.blob.core.windows.net\/2001\/sites\/261\/2023\/09\/vista-da-area-de-exposicao-apimondia-550x413.jpeg' width='550' height='413' alt='' \/><\/a>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<div class='wp-caption-text gallery-caption' style='width:550px;'>\n\t\t\t\t\t<p>\n\t\t\t\t\t48\u00ba Congresso Internacional de Apicultura \/ Cr\u00e9dito da Foto: Cynthia Fernandes Pinto da Luz\n\t\t\t\t\t<\/p>\n\t\t\t\t\t<\/div><\/li>\n\t\t\t\t<li class='gallery-item gallery-item-position-2 gallery-item-attachment-4994 wcflex-slide-item'>\n\t\t\t\t\t<div class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/smastr16.blob.core.windows.net\/2001\/sites\/261\/2023\/09\/uma-palestra-no-apimondia.jpeg\" target=\"_self\"><img src='https:\/\/smastr16.blob.core.windows.net\/2001\/sites\/261\/2023\/09\/uma-palestra-no-apimondia-550x413.jpeg' width='550' height='413' alt='' \/><\/a>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<div class='wp-caption-text gallery-caption' style='width:550px;'>\n\t\t\t\t\t<p>\n\t\t\t\t\t48\u00ba Congresso Internacional de Apicultura \/ Cr\u00e9dito da Foto: Cynthia Fernandes Pinto da Luz\n\t\t\t\t\t<\/p>\n\t\t\t\t\t<\/div><\/li><\/ul><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<h4>Apicultura x meliponicultura<\/h4>\n<p>Bi\u00f3loga e doutora em Geologia, Cynthia explica que apicultura e meliponicultura s\u00e3o duas abordagens diferentes para a cria\u00e7\u00e3o de abelhas e a produ\u00e7\u00e3o de mel, com diferentes esp\u00e9cies de abelhas, t\u00e9cnicas de manejo e objetivos.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica da apicultura s\u00e3o utilizadas abelhas do g\u00eanero <em>Apis<\/em>, principalmente a <em>Apis mellifera<\/em>, que \u00e9 a esp\u00e9cie mais comum em todo o mundo e que possui ferr\u00e3o. &#8220;S\u00e3o abelhas africanizadas ou europeias. Evid\u00eancias indicam que o homem pr\u00e9-hist\u00f3rico j\u00e1 coletava mel de abelhas mel\u00edferas (<em>Apis<\/em>) h\u00e1 cerca de 15.000 anos. At\u00e9 o desenvolvimento da apicultura, a extra\u00e7\u00e3o do mel era feita de forma predat\u00f3ria. Na apicultura elas s\u00e3o criadas em colmeias de madeira padronizadas, com quadros m\u00f3veis com favos de cera. No Brasil, a <em>A. mellifera <\/em>foi introduzida provavelmente pelos jesu\u00edtas no s\u00e9culo XVII, n\u00e3o \u00e9 nativa daqui e pode competir com as nossas abelhas nativas pelas fontes de alimento. O mel produzido por elas \u00e9 amplamente comercializado e consumido em todo o mundo&#8221;, relata a pesquisadora.<\/p>\n<p>J\u00e1 na meliponicultura s\u00e3o criadas abelhas ind\u00edgenas, ou seja, nativas do Brasil e que pertencem a diversos g\u00eaneros e esp\u00e9cies, como jata\u00ed, uru\u00e7u e ti\u00faba. &#8220;Essas abelhas nativas s\u00e3o conhecidas por n\u00e3o possu\u00edrem ferr\u00e3o, o que as torna mais seguras para manuseio. Abelhas sem ferr\u00e3o s\u00e3o frequentemente criadas em troncos ocos ou caixas especiais, mas o manejo \u00e9 menos intrusivo e mais f\u00e1cil, em compara\u00e7\u00e3o com a apicultura. O acesso ao mel pode ser mais dif\u00edcil, e a produ\u00e7\u00e3o \u00e9 menor em compara\u00e7\u00e3o com a da <em>A. mellifera<\/em>&#8220;, informa a pesquisadora. &#8220;A meliponicultura muitas vezes est\u00e1 mais associada \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o e \u00e0 produ\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel de mel, bem como \u00e0 poliniza\u00e7\u00e3o de plantas nativas e de muitos cultivos agr\u00edcolas que dependem delas para frutificar, como algod\u00e3o, urucum, camu-camu, carambola, maracuj\u00e1, entre outros. O mel das abelhas sem ferr\u00e3o \u00e9 geralmente comercializado em menor escala, muitas vezes de maneira local&#8221;, completa.<\/p>\n<h4>An\u00e1lise da origem e da qualidade dos produtos<\/h4>\n<p>Cynthia \u00e9 uma das maiores autoridades do Brasil em estudos de certifica\u00e7\u00e3o de origem bot\u00e2nica dos produtos ap\u00edcolas e melipon\u00edcolas e da intera\u00e7\u00e3o abelha\/planta. As atividades comerciais da apicultura e meliponicultura exploram comercialmente o mel, o p\u00f3len ap\u00edcola (aquele que foi seco e \u00e9 vendido em farm\u00e1cias), o pr\u00f3polis, o geopr\u00f3polis, a gel\u00e9ia real e a cera de abelha. A apitoxina, ou veneno de abelha, \u00e9 comercializada a partir das abelhas <em>Apis<\/em>.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise da origem bot\u00e2nica do n\u00e9ctar do mel, p\u00f3len e resinas da pr\u00f3polis e geopr\u00f3polis \u00e9 feita por meio da melissopalinologia, \u00e1rea que estuda os gr\u00e3os de p\u00f3len contidos nos produtos ap\u00edcolas e melipon\u00edcolas, e que, para tanto, utiliza a microscopia.<\/p>\n<p>Na busca pelo n\u00e9ctar as abelhas se &#8220;contaminam&#8221; com o p\u00f3len das anteras das plantas nectar\u00edferas, via cerdas das patas ou de outras partes do corpo e essa presen\u00e7a pol\u00ednica no mel dos favos de dentro das colmeias \u00e9 que auxilia na investiga\u00e7\u00e3o de sua origem bot\u00e2nica. S\u00e3o pistas de onde as abelhas estiveram. Pela identifica\u00e7\u00e3o dos tipos de p\u00f3len encontrados nas amostras, se reconhece as esp\u00e9cies vegetais que os produziram. Se o mel \u00e9 proveniente de uma fonte principal de n\u00e9ctar \u00e9 denominado de monofloral ou unifloral. Se \u00e9 origin\u00e1rio de v\u00e1rias fontes de n\u00e9ctar \u00e9 denominado de heterofloral, multifloral ou silvestre. Dessa forma, indiretamente \u00e9 reconhecida a vegeta\u00e7\u00e3o nectar\u00edfera de interesse das abelhas ao redor de um api\u00e1rio e melipon\u00e1rio.<\/p>\n<p>&#8220;Esse tipo de an\u00e1lise pode fornecer resultados sobre a oferta de n\u00e9ctar da flora ap\u00edcola e melipon\u00edcola, ou seja, das plantas nectar\u00edferas que estejam em flora\u00e7\u00e3o e que sejam de interesse para as abelhas. Com essa an\u00e1lise pode-se garantir a rotulagem correta do mel quanto a sua origem bot\u00e2nica, o que agrega valor ao produto&#8221;, explica a pesquisadora. Al\u00e9m da caracteriza\u00e7\u00e3o de regi\u00f5es produtoras, a melissopalinologia tamb\u00e9m auxilia na obten\u00e7\u00e3o dos selos de Indica\u00e7\u00f5es Geogr\u00e1ficas para m\u00e9is. A Indica\u00e7\u00e3o Geogr\u00e1fica (IG) \u00e9 um instrumento de propriedade industrial que busca distinguir a origem geogr\u00e1fica de um determinado produto ou servi\u00e7o, valorizando-o. No entanto, mesmo esses m\u00e9is com IGs podem apresentar problemas de rotulagem quanto as suas origens nectar\u00edferas, j\u00e1 que a legisla\u00e7\u00e3o brasileira n\u00e3o solicita a devida comprova\u00e7\u00e3o t\u00e9cnico-cient\u00edfica pela melissopalinologia para o controle das floradas do mel de <em>A. mellifera<\/em>. Para a rotulagem do mel das abelhas sem ferr\u00e3o, em alguns Estados do Brasil (por exemplo, Paran\u00e1, S\u00e3o Paulo e Bahia) j\u00e1 se encontram legisla\u00e7\u00f5es exigindo a melissopalinologia.<\/p>\n<h4>Qualidade do mel<\/h4>\n<p>Para assegurar os par\u00e2metros de identidade e qualidade do mel\u00a0 \u00e9 necess\u00e1ria a jun\u00e7\u00e3o da melissopalinologia com as an\u00e1lises f\u00edsico-qu\u00edmicas do produto. Pela melissopalinologia busca-se observar, al\u00e9m dos gr\u00e3os de p\u00f3len existentes na amostra, outros elementos que indicam alguns pontos no manejo ap\u00edcola e melipon\u00edcola, como presen\u00e7a ou n\u00e3o de bact\u00e9rias, leveduras, gr\u00e3os de amido (cuja maior quantidade pode indicar adultera\u00e7\u00e3o e falsifica\u00e7\u00e3o do mel, por exemplo), sujidades, fragmentos vegetais, part\u00edculas de fuligem, fungos, etc. Os par\u00e2metros de qualidade f\u00edsico-qu\u00edmica do mel adotados no Brasil est\u00e3o reunidos nas legisla\u00e7\u00f5es de <em>A. mellifera<\/em> e de abelhas ind\u00edgenas. Apesar do IPA n\u00e3o realizar esse tipo de an\u00e1lise, a institui\u00e7\u00e3o possui parceria com o <a href=\"http:\/\/www.ial.sp.gov.br\/\">Instituto Adolfo Lutz<\/a>, por meio da pesquisadora cient\u00edfica Cristiane Bonaldi Cano, que realiza as analises f\u00edsico-qu\u00edmicas do mel.<\/p>\n<p>Caracter\u00edsticas constantes tais como consist\u00eancia, cor, odor, sabor e aromas, ocorrem somente em m\u00e9is monoflorais, isto \u00e9, aqueles procedentes do n\u00e9ctar de uma s\u00f3 esp\u00e9cie vegetal (mel de laranjeiras, mel de eucalipto etc). De outro lado est\u00e3o os m\u00e9is heteroflorais, cuja composi\u00e7\u00e3o e caracter\u00edsticas variam de acordo com as floradas, n\u00e3o possuindo caracter\u00edsticas constantes, sendo os mais frequentes no nosso pa\u00eds. &#8220;No entanto, repetidamente a indica\u00e7\u00e3o de florada dos r\u00f3tulos dos potes de mel apresentam erros pela falta da an\u00e1lise melissopalinol\u00f3gica&#8221;, adverte a pesquisadora.<\/p>\n<p>Em geral, o padr\u00e3o do Codex Alimentarius de Mel \u00e9 v\u00e1lido para todo com\u00e9rcio mundial deste produto. O Codex Alimentarius \u00e9 uma cole\u00e7\u00e3o de padr\u00f5es alimentares, diretrizes e c\u00f3digos de pr\u00e1ticas adotados por uma comiss\u00e3o conjunta da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Agricultura e Alimenta\u00e7\u00e3o (FAO) e da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), formada por representantes de governos de diferentes pa\u00edses, organiza\u00e7\u00f5es internacionais e observadores, que visam promover a seguran\u00e7a alimentar e garantir a qualidade dos alimentos produzidos e comercializados internacionalmente, levando em considera\u00e7\u00e3o a melhor evid\u00eancia cient\u00edfica dispon\u00edvel e promovendo a harmoniza\u00e7\u00e3o das regulamenta\u00e7\u00f5es alimentares em n\u00edvel global. No entanto, outras legisla\u00e7\u00f5es regionais, como as legisla\u00e7\u00f5es europeia e estadunidense de mel, podem ser estabelecidas se existirem exig\u00eancias regionais de qualidade que diferem das apresentadas no Codex Alimentarius. A legisla\u00e7\u00e3o brasileira vigente para mel (Instru\u00e7\u00e3o Normativa MAPA n\u00ba 11 de 20 de outubro de 2000) foi baseada no Codex Alimentarius de Mel de 1993 e estipulou limites m\u00ednimos ou m\u00e1ximos para crit\u00e9rios de qualidade.<\/p>\n<div class=\"wc-gallery\"><div class='wcflexslider-container wc-gallery-bottomspace-default wc-gallery-clear'><div id='gallery-2' class='gallery wc-gallery-captions-onhover gallery-link-file wcflexslider wcsliderauto' data-gutter-width='5' data-columns='1' data-hide-controls='false'><ul class='slides'>\n\t\t\t\t<li class='gallery-item gallery-item-position-1 gallery-item-attachment-4998 wcflex-slide-item'>\n\t\t\t\t\t<div class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/smastr16.blob.core.windows.net\/2001\/sites\/261\/2023\/09\/pesquisadora-aposentada-angela-maria-da-silva-correa-abrindo-as-flores-ao-estereomicroscopio-do-laboratorio-de-palinologia-palino-ipa.jpeg\" target=\"_self\"><img src='https:\/\/smastr16.blob.core.windows.net\/2001\/sites\/261\/2023\/09\/pesquisadora-aposentada-angela-maria-da-silva-correa-abrindo-as-flores-ao-estereomicroscopio-do-laboratorio-de-palinologia-palino-ipa-550x413.jpeg' width='550' height='413' alt='' \/><\/a>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<div class='wp-caption-text gallery-caption' style='width:550px;'>\n\t\t\t\t\t<p>\n\t\t\t\t\tPesquisadora aposentada Angela Maria da Silva Corr\u00eaa abrindo as flores ao estereomicroscopio do Laborat\u00f3rio de Palinologia do IPA \/ Cr\u00e9dito: Cynthia Fernandes Pinto da Luz\n\t\t\t\t\t<\/p>\n\t\t\t\t\t<\/div><\/li>\n\t\t\t\t<li class='gallery-item gallery-item-position-2 gallery-item-attachment-4997 wcflex-slide-item'>\n\t\t\t\t\t<div class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/smastr16.blob.core.windows.net\/2001\/sites\/261\/2023\/09\/aluna-preparando-amostras-no-laboratorio-palino-ipa.jpg\" target=\"_self\"><img src='https:\/\/smastr16.blob.core.windows.net\/2001\/sites\/261\/2023\/09\/aluna-preparando-amostras-no-laboratorio-palino-ipa-550x413.jpg' width='550' height='413' alt='' \/><\/a>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<div class='wp-caption-text gallery-caption' style='width:550px;'>\n\t\t\t\t\t<p>\n\t\t\t\t\tAluna preparando amostras no Laborat\u00f3rio de Palinologia do IPA \/ Cr\u00e9dito: Acevo IPA\n\t\t\t\t\t<\/p>\n\t\t\t\t\t<\/div><\/li><\/ul><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<h4>Plantas nectar\u00edferas<\/h4>\n<p>As plantas nectar\u00edferas s\u00e3o plantas que produzem n\u00e9ctar, uma subst\u00e2ncia a\u00e7ucarada e l\u00edquida, geralmente encontrada em flores. O n\u00e9ctar \u00e9 uma fonte de alimento importante para muitos animais, especialmente insetos, como as abelhas. O n\u00e9ctar produzido pelas plantas atrai polinizadores, que transferem o p\u00f3len de uma flor para outra, facilitando a reprodu\u00e7\u00e3o. Essa rela\u00e7\u00e3o entre as plantas e os polinizadores \u00e9 vital para a reprodu\u00e7\u00e3o e a sobreviv\u00eancia de muitas esp\u00e9cies vegetais e, consequentemente, para a manuten\u00e7\u00e3o da biodiversidade. As plantas nectar\u00edferas desenvolveram adapta\u00e7\u00f5es f\u00edsicas e qu\u00edmicas nas flores, tornando o n\u00e9ctar acess\u00edvel e atraente para os polinizadores. Al\u00e9m do n\u00e9ctar, as plantas tamb\u00e9m podem oferecer p\u00f3len como fonte de prote\u00ednas para os insetos.<\/p>\n<p>&#8220;As principais plantas nectar\u00edferas observadas nas amostras analisadas de mel de S\u00e3o Paulo s\u00e3o as laranjeiras (diversas esp\u00e9cies do g\u00eanero <em>Citrus<\/em>) e eucaliptos (diversas esp\u00e9cies do g\u00eanero <em>Eucalyptus<\/em>) em \u00e1reas cultivadas. Nas \u00e1reas com vegeta\u00e7\u00e3o nativa, como no Vale do Ribeira, os angicos (<em>Anadenanthera colubrina<\/em>), aroeiras (<em>Schinus terebinthifolia<\/em>, <em>Tapirira guianensis<\/em>), plantas do g\u00eanero <em>Croton <\/em>(capixingui, velame), palmeiras <em>Euterpe edulis<\/em> (palmito ju\u00e7ara) e <em>Syagrus<\/em> <em>romanzoffiana<\/em> (jeriv\u00e1), <em>Schizolobium<\/em> (guapuruvu, guapiruvu) e diversas Asteraceae foram identificadas como as principais plantas fornecedoras de n\u00e9ctar para as abelhas <em>A. mellifera<\/em>&#8220;, enumera Cynthia, compartilhando seus resultados de pesquisa.<\/p>\n<p>Outro trabalho apresentado pela pesquisadora do IPA no Congresso foi sobre a biologia reprodutiva e dos polinizadores do guanandi. A <em>Calophyllum brasiliense<\/em> \u00e9 uma esp\u00e9cie nativa n\u00e3o end\u00eamica do Brasil que ocorre em Mata Atl\u00e2ntica e que apresenta grande import\u00e2ncia econ\u00f4mica e medicinal.\u00a0 Tamb\u00e9m \u00e9 conhecida no Brasil por outros nomes populares, como jacar\u00e9-uba, landim, manga-do-brejo e oanandi. S\u00e3o \u00e1rvores que podem atingir at\u00e9 43 metros de altura. Ocorrem na Am\u00e9rica do Sul tropical e subtropical, em mata de galeria, restinga, mata ciliar e mangue. Em S\u00e3o Paulo, a esp\u00e9cie est\u00e1 associada a ambientes brejosos e restingas. No Parque Estadual das Fontes do Ipiranga (PEFI) existe uma popula\u00e7\u00e3o composta por 97 indiv\u00edduos que foram plantados na \u00e1rea do estacionamento em frente ao Jardim Bot\u00e2nico de S\u00e3o Paulo. Dentre os resultados obtidos no estudo, verificou-se que suas flores n\u00e3o produzem n\u00e9ctar, ofertando somente o p\u00f3len como recurso floral, e os principais polinizadores observados foram <em>Apis mellifera<\/em>, <em>Paratrigona subnuda, Tetragonisca angustula<\/em> e Halictidae sp.1, o que corrobora com suas caracter\u00edsticas de s\u00edndrome de melitofilia, ou s\u00edndrome de poliniza\u00e7\u00e3o por abelhas.<\/p>\n<p>As plantas evolu\u00edram ao longo do tempo para atrair polinizadores espec\u00edficos, desenvolvendo caracter\u00edsticas como cores, aromas, formas e estruturas que atraem e facilitam a poliniza\u00e7\u00e3o por determinados animais. A intera\u00e7\u00e3o entre as plantas e seus polinizadores \u00e9 fundamental para a reprodu\u00e7\u00e3o dessas plantas e a manuten\u00e7\u00e3o da biodiversidade. A s\u00edndrome de poliniza\u00e7\u00e3o constitui-se em um conjunto de caracter\u00edsticas morfol\u00f3gicas das flores, como a forma e tamanho, o tipo de n\u00e9ctar e p\u00f3len produzido, as cores e os odores liberados, assim como a \u00e9poca de flora\u00e7\u00e3o, resultantes de adapta\u00e7\u00e3o evolutiva para atrair polinizadores. &#8220;Esta esp\u00e9cie arb\u00f3rea, o guanandi, apresenta baixo sucesso reprodutivo e \u00e9 dependente de polinizadores para a forma\u00e7\u00e3o de frutos e sementes&#8221;, esclarece a pesquisadora.<\/p>\n<p>Os trabalhos apresentados no evento tiveram suporte financeiro do <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/cnpq\/pt-br\">Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq)<\/a>, bem como autoriza\u00e7\u00e3o do <a href=\"https:\/\/www.icmbio.gov.br\/cpb\/index.php\/sisbio\">SISBIO<\/a> e dos gestores do PEFI, e envolveram a orienta\u00e7\u00e3o de duas alunas de doutorado do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Biodiversidade Vegetal e Meio Ambiente do IPA, Aline Lemos de Moraes e Natalia S\u00eaneda Martarello.<\/p>\n<div class=\"wc-gallery\"><div class='wcflexslider-container wc-gallery-bottomspace-default wc-gallery-clear'><div id='gallery-3' class='gallery wc-gallery-captions-onhover gallery-link-file wcflexslider wcsliderauto' data-gutter-width='5' data-columns='1' data-hide-controls='false'><ul class='slides'>\n\t\t\t\t<li class='gallery-item gallery-item-position-1 gallery-item-attachment-4992 wcflex-slide-item'>\n\t\t\t\t\t<div class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/smastr16.blob.core.windows.net\/2001\/sites\/261\/2023\/09\/dscn7336.jpg\" target=\"_self\"><img src='https:\/\/smastr16.blob.core.windows.net\/2001\/sites\/261\/2023\/09\/dscn7336-550x413.jpg' width='550' height='413' alt='' \/><\/a>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<div class='wp-caption-text gallery-caption' style='width:550px;'>\n\t\t\t\t\t<p>\n\t\t\t\t\tFlor de planta desconhecida e uma abelha Apis mellifera \/ Cr\u00e9dito: Natalia S\u00eaneda Martarello\n\t\t\t\t\t<\/p>\n\t\t\t\t\t<\/div><\/li>\n\t\t\t\t<li class='gallery-item gallery-item-position-2 gallery-item-attachment-4991 wcflex-slide-item'>\n\t\t\t\t\t<div class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/smastr16.blob.core.windows.net\/2001\/sites\/261\/2023\/09\/dscn7277.jpg\" target=\"_self\"><img src='https:\/\/smastr16.blob.core.windows.net\/2001\/sites\/261\/2023\/09\/dscn7277-550x413.jpg' width='550' height='413' alt='' \/><\/a>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<div class='wp-caption-text gallery-caption' style='width:550px;'>\n\t\t\t\t\t<p>\n\t\t\t\t\tFlor do Agaphantus sp e uma abelha Trigona spinipes \/ Cr\u00e9dito: Natalia S\u00eaneda Martarello\n\t\t\t\t\t<\/p>\n\t\t\t\t\t<\/div><\/li>\n\t\t\t\t<li class='gallery-item gallery-item-position-3 gallery-item-attachment-4990 wcflex-slide-item'>\n\t\t\t\t\t<div class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/smastr16.blob.core.windows.net\/2001\/sites\/261\/2023\/09\/dscn7029.jpg\" target=\"_self\"><img src='https:\/\/smastr16.blob.core.windows.net\/2001\/sites\/261\/2023\/09\/dscn7029-550x413.jpg' width='550' height='413' alt='' \/><\/a>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<div class='wp-caption-text gallery-caption' style='width:550px;'>\n\t\t\t\t\t<p>\n\t\t\t\t\tFlor da cebolinha (Allium fistulosum) e uma abelha Plebeia sp \/ Cr\u00e9dito: Natalia S\u00eaneda Martarello\n\t\t\t\t\t<\/p>\n\t\t\t\t\t<\/div><\/li>\n\t\t\t\t<li class='gallery-item gallery-item-position-4 gallery-item-attachment-4993 wcflex-slide-item'>\n\t\t\t\t\t<div class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/smastr16.blob.core.windows.net\/2001\/sites\/261\/2023\/09\/rscn4859.jpg\" target=\"_self\"><img src='https:\/\/smastr16.blob.core.windows.net\/2001\/sites\/261\/2023\/09\/rscn4859-550x413.jpg' width='550' height='413' alt='' \/><\/a>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<div class='wp-caption-text gallery-caption' style='width:550px;'>\n\t\t\t\t\t<p>\n\t\t\t\t\tFlor da tamarindeira (Tamarindus indica) e uma abelha Apis mellifera \/ Cr\u00e9dito: Natalia S\u00eaneda Martarello\n\t\t\t\t\t<\/p>\n\t\t\t\t\t<\/div><\/li><\/ul><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No m\u00eas de setembro, aconteceu em Santiago, no Chile, o 48\u00ba Congresso Internacional de Apicultura. 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