{"id":4830,"date":"2023-09-13T15:12:51","date_gmt":"2023-09-13T18:12:51","guid":{"rendered":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/ipa\/?p=4830"},"modified":"2023-09-13T15:12:51","modified_gmt":"2023-09-13T18:12:51","slug":"pesquisadora-do-ipa-e-entrevistada-pelo-jornal-valor-economico-em-reportagem-sobre-contaminacao-de-aquiferos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/ipa\/2023\/09\/pesquisadora-do-ipa-e-entrevistada-pelo-jornal-valor-economico-em-reportagem-sobre-contaminacao-de-aquiferos\/","title":{"rendered":"Pesquisadora do IPA \u00e9 entrevistada pelo jornal Valor Econ\u00f4mico em reportagem sobre contamina\u00e7\u00e3o de aqu\u00edferos"},"content":{"rendered":"<p>A ge\u00f3loga Claudia Varnier, pesquisadora cient\u00edfica do Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA), foi uma das entrevistadas de <a href=\"https:\/\/valor.globo.com\/publicacoes\/especiais\/revista-sustentabilidade\/noticia\/2023\/08\/31\/contaminacao-nos-aquiferos.ghtml\">mat\u00e9ria sobre contamina\u00e7\u00e3o de aqu\u00edferos<\/a> veiculada na <a href=\"https:\/\/valor.globo.com\/publicacoes\/especiais\/revista-sustentabilidade\/\">Revista Sustentabilidade<\/a>, do jornal <a href=\"https:\/\/valor.globo.com\/\">Valor Econ\u00f4mico<\/a>. Doutora em Hidrogeologia, faz parte do grupo de pesquisadores do Centro de Pesquisas de \u00c1guas Subterr\u00e2neas da Universidade de S\u00e3o Paulo (Cepas-USP). Suas principais \u00e1reas de atua\u00e7\u00e3o compreendem hidrogeoqu\u00edmica, contamina\u00e7\u00e3o de solo e \u00e1guas subterr\u00e2neas, uso de is\u00f3topos est\u00e1veis em hidrogeologia e vulnerabilidade de aqu\u00edferos.<\/p>\n<p>Na reportagem, a pesquisadora alerta para a grave situa\u00e7\u00e3o do Sistema Aqu\u00edfero de Bauru e para a possibilidade de contamina\u00e7\u00f5es em outras \u00e1reas do estado. Claudia aponta ainda a preocupa\u00e7\u00e3o com o nitrato, contaminante de maior ocorr\u00eancia em aqu\u00edferos do mundo inteiro e que demora mais de 100 anos para ser eliminado da natureza.<\/p>\n<p>Veja abaixo o texto completo da mat\u00e9ria:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px\"><strong><span style=\"font-size: 14pt\">Contamina\u00e7\u00e3o nos aqu\u00edferos<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px\"><strong>Falta de manuten\u00e7\u00e3o das redes e vazamento de esgotos comprometem as reservas naturais, respons\u00e1veis pela regulariza\u00e7\u00e3o de outros corpos h\u00eddricos<\/strong><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px\">Assim como no mundo, o uso das \u00e1guas subterr\u00e2neas est\u00e1 crescendo no pa\u00eds. As supercaixas d\u2019\u00e1gua que regularizam outros corpos h\u00eddricos, com os rios, s\u00e3o cruciais para o alcance das metas ambientais da Agenda 2030, da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU). Cientistas alertam para a falta de dados sobre a situa\u00e7\u00e3o dessas reservas naturais, porque o Brasil possui duas entre as maiores do planeta: os sistemas aqu\u00edferos Grande Amaz\u00f4nia (Saga) e Guarani.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px\">\u201cO que mais me preocupa \u00e9 o amplo desconhecimento tanto das amea\u00e7as quanto das oportunidades. Essa \u00e9 uma agenda que n\u00e3o mobiliza a sociedade\u201d, diz Ricardo Hirata, professor do Centro de Pesquisas de \u00c1guas Subterr\u00e2neas (Cepas), da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP). Conforme estudo recente da institui\u00e7\u00e3o, a contamina\u00e7\u00e3o dos aqu\u00edferos sob \u00e1reas urbanas por vazamentos das redes de esgoto, aliada \u00e0 falta de saneamento b\u00e1sico, \u00e9 um problema.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px\">O Sistema Aqu\u00edfero Bauru (SAB), fonte de abastecimento de v\u00e1rias cidades do centro-oeste paulista, apresenta o maior n\u00famero de registros de contamina\u00e7\u00e3o. \u201cO aumento nas concentra\u00e7\u00f5es de nitrato tem sido sistem\u00e1tico, afetando cidades como Mar\u00edlia, Bauru, Presidente Prudente, S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto e Ur\u00e2nia, h\u00e1 d\u00e9cadas. A contamina\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m pode estar acontecendo em outras \u00e1reas no Estado\u201d, afirma Claudia Varnier, coordenadora do Grupo de Trabalho Nitrato, do Conselho Estadual de Recursos H\u00eddricos (CTAS\/CRH) e pesquisadora do Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA\/Semil).<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px\">Segundo ela, a falta de manuten\u00e7\u00e3o das redes e as fugas de esgoto s\u00e3o as principais fontes de contamina\u00e7\u00e3o, inclusive de po\u00e7os de abastecimento p\u00fablico. Quanto \u00e0s \u00e1reas rurais, faltam dados. \u201cO nitrato preocupa, porque \u00e9 muito m\u00f3vel e as plumas contaminantes podem atingir \u00e1reas extensas. Estudos do Cepas mostram que s\u00e3o necess\u00e1rios mais de 100 anos para elimin\u00e1-lo da natureza, considerando que as fontes cessem.\u201d<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px\">Contaminante de maior ocorr\u00eancia em aqu\u00edferos do mundo inteiro, o nitrato em concentra\u00e7\u00f5es superiores ao padr\u00e3o de potabilidade pode causar metemoglobinemia (s\u00edndrome do beb\u00ea azul), alguns tipos de c\u00e2ncer e doen\u00e7as no sistema reprodutivo, se ingerido, conforme a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS). Para mitigar a polui\u00e7\u00e3o, Varnier recomenda, entre outras medidas, o cadastro do po\u00e7o junto ao \u00f3rg\u00e3o outorgante, obrigat\u00f3rio por lei. Por\u00e9m, mais de 88% dos po\u00e7os tubulares s\u00e3o clandestinos pa\u00eds afora, e os estudiosos insistem que a cria\u00e7\u00e3o de programas de comunica\u00e7\u00e3o social \u00e9 fundamental para incentivar a popula\u00e7\u00e3o a regulariz\u00e1-los e monitor\u00e1-los.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px\">Em Natal (RN), onde 78% da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem acesso \u00e0 coleta do esgoto, a contamina\u00e7\u00e3o acontece desde a d\u00e9cada de 1980. Por volta de 1,5 mil po\u00e7os tubulares abastecem os moradores e a contamina\u00e7\u00e3o chega a atingir 70% deles, na por\u00e7\u00e3o norte da cidade, operados pela Companhia de \u00c1guas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern). Os n\u00edveis elevados historicamente tornaram a \u00e1gua n\u00e3o pot\u00e1vel. Em nota, a empresa informa que dilui as \u00e1guas subterr\u00e2neas em \u00e1guas limpas, provenientes de fontes superficiais, para reduzir o teor do contaminante. Al\u00e9m disso, anunciou a entrada em opera\u00e7\u00e3o do esgotamento sanit\u00e1rio na zona norte para 2024 e admitiu que o descarte inadequado dos dejetos humanos continua atingindo o len\u00e7ol fre\u00e1tico.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px\">A superexplora\u00e7\u00e3o desses recursos \u00e9 outra amea\u00e7a. No Cear\u00e1, um projeto de pesquisa est\u00e1 investigando caracter\u00edsticas de dois aqu\u00edferos estrat\u00e9gicos para a seguran\u00e7a h\u00eddrica no Estado: o Janda\u00edra e o A\u00e7u. O monitoramento inovador com is\u00f3topos ambientais, por meio de data\u00e7\u00e3o de carbono 14, ir\u00e1 ajudar a formular pol\u00edticas p\u00fablicas conservacionistas. A idade e o comportamento de recarga das reservas nas regi\u00f5es do Cariri e Apodi est\u00e3o sendo analisados por meio de 60 po\u00e7os abertos pelos cientistas. Uma das preocupa\u00e7\u00f5es \u00e9 com o abastecimento do Cariri, regi\u00e3o dependente da \u00e1gua subterr\u00e2nea.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px\">\u201cPrecisamos pesquisar, porque a demanda s\u00f3 aumenta. As festas religiosas atraem muita gente\u201d, diz a hidroge\u00f3loga Zulene Almada, gerente de projetos da Companhia de Gest\u00e3o de Recursos H\u00eddricos (COGERH). Com 13 munic\u00edpios do Cariri abastecidos exclusivamente por aqu\u00edferos, o projeto detectou rebaixamento de um metro, em algumas localidades, em fun\u00e7\u00e3o do superbombeamento por po\u00e7os tubulares. \u201cNo Apodi, a demanda principal \u00e9 para irriga\u00e7\u00e3o de frut\u00edferas. A inten\u00e7\u00e3o \u00e9 avan\u00e7ar com os estudos para conhecer mais porque, na verdade, sabemos pouco.\u201d<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px\">Em Ribeir\u00e3o Preto (SP), a abertura de novos po\u00e7os encontra-se restrita por uma delibera\u00e7\u00e3o do Conselho Estadual de Recursos H\u00eddricos desde 2006. A cidade \u00e9 abastecida por 120 po\u00e7os que extraem \u00e1gua do Guarani 24 horas por dia. Um rebaixamento de cerca de 60 metros, no formato de um cone invertido, continua afetando o aqu\u00edfero na \u00e1rea central da cidade. \u201cAntigamente, era uma farra. Qualquer um abria um po\u00e7o com facilidade. Conforme alguns estudos come\u00e7aram a revelar o abuso, debatemos no comit\u00ea de bacia que decidiu propor zonas de restri\u00e7\u00e3o. N\u00e3o virou lei, mas a norma pegou e chegou a embasar senten\u00e7as judiciais. Ficou muito mais dif\u00edcil perfurar\u201d, diz Carlos Alencastre, engenheiro civil e ex-diretor do Departamento de \u00c1guas e Energia El\u00e9trica (Daee), que estuda o Guarani h\u00e1 d\u00e9cadas.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px\">Para ele, reduzir desperd\u00edcios e diversificar o abastecimento com fontes superficiais minimizaria o risco de uma crise. Atualmente, as perdas na distribui\u00e7\u00e3o em Ribeir\u00e3o Preto chegam a 47%, segundo o Instituto Trata Brasil. \u201cEm alguns pa\u00edses, como o Jap\u00e3o, 5% de perda \u00e9 algo grave. Aqui nos confortamos com 20%, mas isso \u00e9 rasgar dinheiro. Extra\u00edmos um recurso valioso, de 40 mil anos de idade, para jog\u00e1-lo fora. Precisamos corrigir a press\u00e3o excessiva em certos pontos da rede e fazer campanhas de uso consciente da \u00e1gua.\u201d<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px\">Os sistemas Guarani e Bauru ser\u00e3o foco de financiamento do governo paulista, que provisionou R$ 20 milh\u00f5es por ano para monitoramento das \u00e1guas no Estado. S\u00e3o Paulo implantou, em 2018, um sistema automatizado de regulariza\u00e7\u00e3o de po\u00e7os e viu os pedidos por outorga triplicarem. Conforme a Superintend\u00eancia do Daee, o abastecimento dom\u00e9stico (condom\u00ednios residenciais) \u00e9 o maior demandante hoje. O Estado \u00e9 o que mais depende das \u00e1guas subterr\u00e2neas para uso urbano no pa\u00eds.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A ge\u00f3loga Claudia Varnier, pesquisadora cient\u00edfica do Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA), foi uma das entrevistadas de mat\u00e9ria sobre contamina\u00e7\u00e3o de aqu\u00edferos veiculada na Revista Sustentabilidade, do jornal Valor Econ\u00f4mico. 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