{"id":3909,"date":"2023-07-14T14:36:36","date_gmt":"2023-07-14T17:36:36","guid":{"rendered":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/ipa\/?p=3909"},"modified":"2023-07-14T16:02:52","modified_gmt":"2023-07-14T19:02:52","slug":"pesquisadoras-do-ipa-identificam-campos-com-murundus-pela-primeira-vez-no-estado-de-sao-paulo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/ipa\/2023\/07\/pesquisadoras-do-ipa-identificam-campos-com-murundus-pela-primeira-vez-no-estado-de-sao-paulo\/","title":{"rendered":"Pesquisadoras do IPA identificam campos com murundus pela primeira vez no estado de S\u00e3o Paulo"},"content":{"rendered":"<p>Pesquisa realizada no munic\u00edpio de \u00c1guas de Santa B\u00e1rbara identifica campos com murundus pela primeira vez no estado de S\u00e3o Paulo. Tamb\u00e9m conhecido como campos com cupinzeiros, s\u00e3o um tipo de vegeta\u00e7\u00e3o de Cerrado, caracterizada pelos montes de terra cobertos por plantas lenhosas e campos sazonalmente alagados, que promove a diversifica\u00e7\u00e3o de habitats e serve de ref\u00fagio para a fauna. O estudo realizado na Esta\u00e7\u00e3o Ecol\u00f3gica de Santa B\u00e1rbara d\u00e1 subs\u00eddios \u00e0 restaura\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica e mostra a import\u00e2ncia das Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o para a pesquisa cient\u00edfica e para a prote\u00e7\u00e3o da biodiversidade.<\/p>\n<p>Conforme o texto do <a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/bn\/a\/46t4DrbSRN85k8xhCm8TQ9B\/abstract\/?lang=pt\">artigo cient\u00edfico<\/a>, publicado na revista cient\u00edfica <a href=\"https:\/\/www.biotaneotropica.org.br\/BN\">Biota Neotropica<\/a>, os campos com murundus s\u00f3 aparecem nos mapas quando possuem grandes extens\u00f5es, o que dificulta a preserva\u00e7\u00e3o desses ecossistemas, que costumam ocupar pequenas \u00e1reas, como a de 3,5 hectares do estudo. Al\u00e9m disso, apesar de sua relev\u00e2ncia ecol\u00f3gica, esse tipo de vegeta\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o est\u00e1 devidamente protegido por lei, n\u00e3o sendo sequer mencionado no <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2011-2014\/2012\/lei\/l12651.htm\">C\u00f3digo Florestal de 2012 (Lei n\u00ba 12.651)<\/a>.<\/p>\n<p>O estudo teve financiamento da <a href=\"https:\/\/fapesp.br\/\">Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo (Fapesp)<\/a>. O artigo tem autoria de duas pesquisadoras do Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA) e tr\u00eas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), uma delas ex-bolsista de inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica do antigo <a href=\"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/\">Instituto Florestal<\/a>.<\/p>\n<h4>Primeiro registro no estado de S\u00e3o Paulo<\/h4>\n<p>No Brasil, esse tipo de vegeta\u00e7\u00e3o j\u00e1 foi registrado em v\u00e1rios estados: Amazonas, Bahia, Distrito Federal, Goi\u00e1s, Mato Grosso, Minas Gerais, Rond\u00f4nia e Roraima. A ocorr\u00eancia de savanas com cupinzeiros na Am\u00e9rica do Sul tem sido observada principalmente em regi\u00f5es tropicais, em latitudes menores que 15 graus, o que a princ\u00edpio associava essa vegeta\u00e7\u00e3o a climas quentes. No entanto, a pesquisa revela uma mancha de campo com murundus na latitude 22\u00b047&#8217;22&#8221; S, a primeira ao sul do paralelo 21 S.\u00a0 Esse registro no estado de S\u00e3o Paulo, distante dos outros no Brasil, indica que as condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, hidrol\u00f3gicas e de solo que permitem sua exist\u00eancia \u00e9 mais ampla do que se pensava. Assim, \u00e9 poss\u00edvel que existam outras manchas no estado ou em outros lugares a serem descobertas.<\/p>\n<p>No estudo, as pesquisadoras tamb\u00e9m apontam a possibilidade de que tenham existido mais campos de murundus no passado, mas que tenham sido destru\u00eddos por conta de uma percep\u00e7\u00e3o generalizada por parte dos propriet\u00e1rios de terras de que os cupins s\u00e3o uma praga agr\u00edcola. &#8220;Uma an\u00e1lise acurada de imagens hist\u00f3ricas do interior do estado de S\u00e3o Paulo ap\u00f3s a descoberta desse pequeno campo com murundus mostrou que j\u00e1 existiram outros, que foram destru\u00eddos e o terreno drenado e nivelado com m\u00e1quinas agr\u00edcolas&#8221;, comenta a engenheira florestal Giselda Durigan, do IPA, em entrevista \u00e0 revista <a href=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/campos-com-cupinzeiros-formam-ilhas-de-umidade-no-cerrado\/\">Pesquisa Fapesp<\/a>. &#8220;No entanto, os cupins dos campos com murundus s\u00e3o exclusivos desses locais alagadi\u00e7os e n\u00e3o oferecem amea\u00e7a \u00e0s planta\u00e7\u00f5es.&#8221;<\/p>\n<p>A Esta\u00e7\u00e3o Ecol\u00f3gica de Santa B\u00e1rbara abriga um mosaico de tipos de vegeta\u00e7\u00e3o, incluindo florestas, cerrados e campos (secos e \u00famidos) perto da borda sul da regi\u00e3o do Cerrado no estado de S\u00e3o Paulo. A pequena mancha de campo com murundus desta pesquisa pode ser observada em fotografias a\u00e9reas do ano de 1962, quando o local era uma fazenda de gado. <a href=\"https:\/\/www.al.sp.gov.br\/repositorio\/legislacao\/decreto\/1964\/decreto-44305-30.12.1964.html\">Em 1964, a \u00e1rea foi desapropriada e se tornou floresta de produ\u00e7\u00e3o<\/a> e as planta\u00e7\u00f5es de pinus substitu\u00edram a vegeta\u00e7\u00e3o nativa. Em 1984, foi <a href=\"https:\/\/www.al.sp.gov.br\/repositorio\/legislacao\/decreto\/1984\/decreto-22337-07.06.1984.html\">criada a Esta\u00e7\u00e3o Ecol\u00f3gica<\/a>. O processo de invas\u00e3o por pinus impossibilitou a observa\u00e7\u00e3o dos montes de terra por um longo per\u00edodo. Houve uma interven\u00e7\u00e3o para controlar a invas\u00e3o em 2013 com corte raso das \u00e1rvores adultas e em 2016 com aplica\u00e7\u00e3o de fogo controlado. A restaura\u00e7\u00e3o foi bem sucedida e as plantas lenhosas no topo dos murundus e a cobertura gramada ao redor deles foram rapidamente recuperadas. Durante a pesquisa, nem mesmo um \u00fanico indiv\u00edduo de pinus foi observado no campo com murundus na ocasi\u00e3o da amostragem.<\/p>\n<p>O conhecimento sobre a estrutura e funcionamento dos campos e savanas tropicais \u00e9 escasso em compara\u00e7\u00e3o com as florestas. Al\u00e9m disso, esses ecossistemas abertos t\u00eam sido altamente amea\u00e7ados. Embora negligenciados, s\u00e3o considerados de significativa import\u00e2ncia ambiental, econ\u00f4mica e cultural, uma vez que s\u00e3o respons\u00e1veis por servi\u00e7os ecossist\u00eamicos essenciais, como abastecimento de \u00e1gua, armazenamento de carbono e abrigo para polinizadores e animais silvestres.<\/p>\n<p>\u201cNo Pantanal do rio Araguaia [corta os estados de Goi\u00e1s, Mato Grosso, Tocantins e Par\u00e1], as extensas \u00e1reas de campos com murundus s\u00e3o ref\u00fagios importantes para o gado e para animais silvestres como a on\u00e7a\u201d, informou a bot\u00e2nica do IPA Natalia Ivanauskas \u00e0 Pesquisa Fapesp.<\/p>\n<h4>Desafios para a restaura\u00e7\u00e3o<\/h4>\n<p>O Cerrado forma um mosaico paisag\u00edstico com distintas fitofisionomias condicionadas por complexas rela\u00e7\u00f5es entre fatores ambientais e de perturba\u00e7\u00e3o. Os campos com murundus s\u00e3o caracterizados pela ocorr\u00eancia de montes de terra cobertos por plantas lenhosas, associados a cupins e campos sazonalmente alagados, sendo inclu\u00eddos entre as \u00e1reas \u00famidas brasileiras. Os montes de terra funcionam como ilhas bem drenadas, abrigando esp\u00e9cies end\u00eamicas do Cerrado que n\u00e3o s\u00e3o tolerantes a inunda\u00e7\u00f5es. As esp\u00e9cies vegetais encontradas no topo dos cupinzeiros e as encontradas ao redor possuem diferen\u00e7as flor\u00edsticas e estruturais. O alagamento \u00e9 o principal fator que influencia a ocorr\u00eancia de esp\u00e9cies lenhosas e n\u00e3o lenhosas no topo dos murundus.<\/p>\n<p>No estudo, foram registradas 64 esp\u00e9cies de plantas, sendo 59 no topo dos cupinzeiros.\u00a0 No texto do artigo, as autoras ponderam que, ao amostrar apenas as plantas lenhosas nos montes, que s\u00e3o principalmente intolerantes ao encharcamento, a biodiversidade de todo o ecossistema ser\u00e1 subestimada (tanto para plantas quanto para animais e microorganismos). Se os montes e \u00e1rea a alagada do entorno t\u00eam biotas distintas, s\u00e3o necess\u00e1rios conjuntos separados de esp\u00e9cies para recuperar a vegeta\u00e7\u00e3o nativa dos campos de murundus. Por isso a import\u00e2ncia deste tipo de pesquisa cient\u00edfica para ampliar o conhecimento e as informa\u00e7\u00f5es sobre os ecossistemas e com isso subsidiar o aprimoramento dos processos de restaura\u00e7\u00e3o dessa vegeta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Foto: Cupinzeiro cercado por ervas, arbustos e \u00e1rvores na Esta\u00e7\u00e3o Ecol\u00f3gica de Santa B\u00e1rbara \/ Cr\u00e9dito da imagem: <span class=\"media-credits\">Bruna Helena de Campos\/Unicamp<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisa realizada no munic\u00edpio de \u00c1guas de Santa B\u00e1rbara identifica campos com murundus pela primeira vez no estado de S\u00e3o Paulo. 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