{"id":2830,"date":"2023-02-28T15:31:22","date_gmt":"2023-02-28T18:31:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/ipa\/?p=2830"},"modified":"2023-02-28T15:31:22","modified_gmt":"2023-02-28T18:31:22","slug":"homenagem-ao-dr-adauto-ivo-milanez-por-carlos-bicudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/ipa\/2023\/02\/homenagem-ao-dr-adauto-ivo-milanez-por-carlos-bicudo\/","title":{"rendered":"Homenagem ao Dr. Adauto Ivo Milanez por Carlos Bicudo"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Antes de tudo, meu amigo. Conheci Adauto em 1956, quando curs\u00e1vamos o preparat\u00f3rio para ingressar na USP: o cursinho do Gr\u00eamio da Faculdade de Filosofia, Ci\u00eancias e Letras da USP. Curs\u00e1vamos \u00e0 noite, pois ambos trabalh\u00e1vamos durante o dia. Intera\u00e7\u00e3o frequente e prof\u00edcua, pois almej\u00e1vamos o mesmo fim. Adauto foi v\u00e1rias vezes estudar na casa de meus pais. Ele morava em uma pens\u00e3o e adorava estudar em minha casa, pois rend\u00edamos muito e minha m\u00e3e sempre o convidava para almo\u00e7ar.<\/p>\n<p>Entramos juntos no Curso de Hist\u00f3ria Natural da USP (per\u00edodo noturno) e ali convivemos durante seis longos anos, na Alameda Glete, no bairro de Santa Cec\u00edlia, onde funcionava esta parte da Universidade. Durante o terceiro ano do curso fomos estagiar no ent\u00e3o Instituto de Bot\u00e2nica (hoje Instituto de Pesquisas Ambientais), ambos levados por influ\u00eancia de um colega de curso que j\u00e1 estava radicado no Instituto. Fomos nomeados t\u00e9cnicos de laborat\u00f3rio gra\u00e7as ao Plano de A\u00e7\u00e3o do Governo Carvalho Pinto e quase que imediatamente ap\u00f3s a grande reforma por que passou a institui\u00e7\u00e3o. Fomos alocados na rec\u00e9m criada Se\u00e7\u00e3o de Cript\u00f3gamos, ent\u00e3o sob a dire\u00e7\u00e3o de Oswaldo Fidalgo, mic\u00f3logo trazido do Jardim Bot\u00e2nico do Rio de Janeiro pelo Diretor Geral do Institutona \u00e9poca, Alcides Ribeiro Teixeira. Fidalgo veio com sua esposa, tamb\u00e9m especialista em fungos, Maria Eneyda Pacheco Kauffmann Fidalgo. Em seguida viriam para a Se\u00e7\u00e3o de Cript\u00f3gamos, tamb\u00e9m como t\u00e9cnicos de laborat\u00f3rio, Rosa Maria (algas de \u00e1gua doce), Marilza e Noemy (algas marinhas), Daniel Vital (bri\u00f3fitas), Paulo Windish (pterid\u00f3fitas), Gil Felipe (iniciou com algas marinhas), Ivany V\u00e1lio (pterid\u00f3fitas) e outros.<\/p>\n<p>Os profissionais j\u00e1 funcion\u00e1rios do Instituto chamavam-nos de \u2018os moleques\u2019. Fidalgo se esmerou ao m\u00e1ximo para nos ensinar os primeiros passos na pesquisa cient\u00edfica e trouxe professores do Exterior para colaborar no ensino dos primeiros passos, no caso do Adauto, especificamente em micologia. Veio nos visitar, entre outros, o Prof. Everett S. Beneke, de Michigan, especialista em fungos aqu\u00e1ticos, grupo ao qual Adauto se apegou e tornou-se o melhor especialista nacional e formador de uma escola produtiva e do melhor escol (Carmen Zotarelli e Iracema Crusius no Instituto de Bot\u00e2nica). Por orienta\u00e7\u00e3o do Fidalgo sa\u00edmos a buscar orienta\u00e7\u00e3o no Exterior e Adauto foi aceito como aluno de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o na Michigan State University, onde cursou seu doutorado direto sob a orienta\u00e7\u00e3o do Prof. Beneke.<\/p>\n<p>Fomos juntos em 1963 para os Estados Unidos e sofremos inicialmente muito com nosso ingl\u00eas ainda bastante incipiente que nos dificultava a comunica\u00e7\u00e3o e a leitura de um dia para outro de 10-20 p\u00e1ginas de trabalhos cient\u00edficos em ingl\u00eas. Mas, Adauto soube vencer dedicando o m\u00e1ximo que pode, 18-20 horas di\u00e1rias, \u00e0s disciplinas e \u00e0 pesquisa de sua tese. Viajou para os Estados Unidos com sua esposa Nilza e a filha Tha\u00eds que completou nove meses j\u00e1 em terra norte americana. Retornou ap\u00f3s cinco anos ao Brasil para iniciar sua carreira como Biologista (depois Pesquisador Cient\u00edfico) no Instituto de Bot\u00e2nica. Lecionou disciplina em n\u00edvel de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o na Faculdade Paulista de Medicina, na Universidade de S\u00e3o Paulo e na Universidade Estadual Paulista \u2018campus\u2019 Rio Claro, dirigiu cinco disserta\u00e7\u00f5es de mestrado e 17 teses de doutorado. Publicou 69 artigos cient\u00edficos em revistas nacionais e do Exterior, um livro e 10 cap\u00edtulos em livros. Adauto colaborou ativamente na parte administrativa do Instituto, onde foi chefe de se\u00e7\u00e3o, diretor de divis\u00e3o, assessor t\u00e9cnico e diretor da Institui\u00e7\u00e3o. E foi al\u00e9m, participando ativamente na cria\u00e7\u00e3o da carreira de Pesquisador Cient\u00edfico e na regulariza\u00e7\u00e3o da profiss\u00e3o de Bi\u00f3logo.<\/p>\n<p>Adauto foi um pesquisador do mais alto gabarito cient\u00edfico, um marido extremoso e pai sempre presente e amado por suas duas filhas, Tha\u00eds e Patr\u00edcia. Mas, tive que usar o tempo passado de todos os verbos durante esta minha narrativa e isto doeu-me muito. N\u00e3o quis preparar um obitu\u00e1rio, mas contar um pouco sobre essa amizade que cultivamos por mais de 60 anos. Adauto nos deixou fisicamente na sexta-feira passada, dia 24. Est\u00e1 agora onde n\u00e3o podemos mais v\u00ea-lo, mas onde sabemos que est\u00e1 bem e olhando por todos n\u00f3s e pelo Instituto que tanto amou. Que sua \u00faltima viagem tenha sido tranquila, para onde foi colher os frutos que t\u00e3o bem soube plantar durante seus 85 anos de vida terrena. Que Deus o tenha e guarde.<\/p>\n<p>Carlos E. de M. Bicudo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Antes de tudo, meu amigo. 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