19/12/2025

Imagem: Fotografia de 1955 de casa na área do arboreto / Acervo histórico do IPA

Localizado na zona norte da capital paulista, ao sopé da Serra da Cantareira, o Arboreto da Vila Amália é uma das diversas coleções de árvores vivas implantadas no Parque Estadual Alberto Löfgren (PEAL), onde está situada a unidade Horto Florestal do Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA). Com relevância histórica, científica e ambiental, o arboreto ocupa 9,5 dos 187 hectares do parque.

Embora frequentemente associado a jardins botânicos, um arboreto é uma coleção de árvores vivas organizada para fins científicos, educativos e de conservação. Já os jardins botânicos mantêm coleções vegetais mais diversificadas, incluindo herbáceas, ornamentais, medicinais e espécies raras, e costumam desenvolver programas estruturados de pesquisa, educação e intercâmbio científico.

O planejamento do arboreto foi inspirado em iniciativas anteriores, como as do naturalista sueco Alberto Löfgren, idealizador do antigo Horto Botânico (nome original do PEAL) no final do século XIX, que iniciou o plantio de talhões de espécies nativas e exóticas. A implantação do Arboreto da Vila Amália começou na década de 1920, com o apoio de diferentes profissionais e instituições.
A concepção original do arboreto prevê 194 lotes. Dois deles preservam vegetação nativa original da área, enquanto nos outros 192 foram plantadas 310 espécies arbóreas, nativas e exóticas. Os plantios tiveram início em 1925 e foram concluídos em 1944.

Em 1942, o monge e naturalista Dom Bento José Pickel foi contratado pelo então Serviço Florestal e passou a acompanhar o desenvolvimento das espécies introduzidas no arboreto, registrando observações técnicas detalhadas que hoje integram o acervo histórico da instituição.

Em um desses textos, datado da década de 1950, Pickel apresenta um breve resgate histórico da origem dos arboretos e destaca a localização estratégica da Vila Amália, com acesso facilitado por vias internas e por caminhos como a antiga Estrada Santa Inês e a Tramway da Cantareira, linha férrea que operou entre 1893 e 1965. Esse sistema de transporte era fundamental para o deslocamento de técnicos, insumos e equipamentos utilizados nas atividades florestais e científicas da época.

Atualmente, o Arboreto da Vila Amália integra a área de uso público do PEAL, aberta à visitação e ao lazer, sendo um dos atrativos do parque. No entanto, isso nem sempre foi assim. Em seu texto, Pickel reforça que o espaço era originalmente destinado apenas a profissionais e pesquisadores:

“O arboreto não é um logradouro público nem um parque ou jardim que, por sua beleza e seus encantos, possa atrair visitantes. O uso dêle é restrito aos técnicos do Serviço Florestal e aos estudiosos que nele têm um campo de estudos, uma escola prática, um laboratório que já pode ministrar belas lições…”

Segundo o Plano de Manejo do PEAL, as mudas utilizadas na formação do arboreto foram produzidas pelo próprio Serviço Florestal, com sementes coletadas na Serra da Cantareira, além de exemplares adquiridos ou obtidos por permuta com diversos fornecedores. Entre eles estão instituições e colecionadores de estados como Rio de Janeiro, Pernambuco e Amazonas, além de países como Argentina, Austrália, China, Estados Unidos, Índia, Nova Zelândia, Peru, Portugal, Uruguai e de regiões da África e do Himalaia.

Foto atual do arboreto / Crédito: Robinson Dias

Ao completar 100 anos, o Arboreto da Vila Amália reafirma seu papel essencial como espaço de pesquisa científica, educação ambiental e conservação da biodiversidade. Em um cenário de crescente necessidade de reflorestamento e valorização do patrimônio natural, essa centenária coleção de árvores vivas permanece como referência no estudo e preservação das espécies arbóreas no Brasil.

Para conhecer parte do acervo histórico relacionado ao arboreto, acesse o texto original de Pickel.