
05/12/2025
O Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA) da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (SEMIL) e o Biota Síntese apresentaram Nota Técnica-Científica intitulada: “Ondas de Calor e Soluções Baseadas na Natureza” em evento realizado no dia 25 de novembro. Trata-se de um estudo que revela importantes disparidades na capacidade de resfriamento climático da capital. Segundo o levantamento, apenas 35% do território paulistano possui alta capacidade de amenização térmica, concentrada nas regiões com maior cobertura arbórea. Já áreas densamente povoadas, como Paraisópolis, enfrentam temperaturas mais elevadas e menor proteção contra o calor.
A Nota Técnica-Científica alerta para a gravidade do problema e destaca que o calor extremo já provoca impactos diretos na saúde, na economia e na infraestrutura urbana. De acordo com o documento, “É uma emergência silenciosa. Seus efeitos são pouco percebidos, mas impactam severamente a saúde, a economia e a infraestrutura urbana.” Entre 2000 e 2018, o Brasil registrou 48 mil mortes associadas a ondas de calor.
Os pesquisadores reforçam que soluções baseadas na natureza — como arborização adequada, expansão de parques, corredores verdes e jardins de chuva — podem reduzir a sensação térmica em até 5°C. Para Rafael Chaves, vice-diretor do Biota Síntese e especialista ambiental do Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA), “A adaptação climática não pode ser tratada como secundária, e as soluções baseadas na natureza são as mais custo-efetivas para reduzir riscos.”
As recomendações do estudo estão alinhadas às iniciativas já conduzidas pela Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), incluindo o Plano Estadual de Adaptação e Resiliência Climática e o programa Refloresta-SP. De acordo com Marco Nalon, diretor do IPA, “O estado já tem iniciativas em andamento, e a ideia é fortalecê-las com base em evidências.”
A publicação integra a série Biota Síntese, dedicada a aproximar ciência e políticas públicas. Para a pesquisadora da USP e uma das organizadoras do volume, Luciana Ferreira, “É fundamental reduzir emissões, melhorar o planejamento urbano e proteger as áreas naturais existentes.”
Com base nessas evidências, o Governo de São Paulo reforça a importância de integrar planejamento urbano, restauração ambiental e ações de mitigação climática, reconhecendo a natureza como uma infraestrutura essencial para tornar as cidades mais resilientes e habitáveis.
Acesse a publicação em: https://www.iea.usp.br/publicacoes/series/biota
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