
17/11/2025
Imagem: Giselda Durigan / Acervo Pessoal
Texto: Beatriz Ortiz*
Com 150 publicações e mais de 11 mil citações em trabalhos científicos, a ecóloga Giselda Durigan se destaca na sua atuação sobre conservação e restauração do Cerrado
A pesquisadora do Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA), Giselda Durigan, ganhou destaque entre os cientistas mais influentes do mundo. É a quarta vez que ela é listada no ranking internacional da Research.com, organizado por pesquisadores da Universidade de Stanford (EUA) em parceria com a Editora Elsevier. Ela já havia sido incluída entre os mais influentes do mundo em 2020, 2021, 2022 e 2023.
O ranking de cientistas é calculado com base no D-index (Discipline H-index), que considera apenas publicações e citações dentro de uma área específica. Os dados vêm das bases OpenAlex e CrossRef. A equipe ainda revisa manualmente os perfis para garantir que o pesquisador realmente atua na área, além de considerar fatores adicionais, como prêmios e reconhecimentos.
Com relação ao número de pesquisadores classificados no campo da Ecologia e Evolução, o Brasil ocupa o 10º lugar em uma lista de 185 países, com 165 cientistas listados. Nesta lista, Durigan ocupa o 56º lugar no ranking nacional e o 3.508º no ranking internacional. Entre os ecólogos brasileiros, ocupa a 10ª posição, sendo a única mulher entre os 24 primeiros. Ela conta com 150 publicações e 11.220 citações em trabalhos científicos em revistas indexadas. Os dados tiveram como base o ano de 2024.
“Ter meu nome nessa lista comprova a relevância do trabalho de um cientista em sua área, no mundo ou no país. Se outros pesquisadores citam minhas publicações, é porque meus estudos fazem diferença e ajudam a orientar novos rumos na ciência”, afirma Durigan. “Mas é essencial reconhecer que, sem a contribuição dos 55 pós-graduandos e pós-doutores que orientei, eu não teria chegado até aqui, porque sozinha teria feito muito menos.”
Políticas públicas
Durigan também foi incluída entre os 107 pesquisadores brasileiros mais citados em documentos que embasam tomadas de decisão no mundo, com 178 documentos e 36 artigos. E aparece na relação de 50 pesquisadores do Brasil com mais menções em documentos relacionados ao “ODS 13: Ação contra a mudança global do clima”, com 94 documentos e 27 artigos.
Os dados são de um relatório inédito produzido pela Agência Bori e a Overton. O estudo considerou pesquisadores brasileiros com pelo menos 150 citações em documentos estratégicos, relatórios técnicos e pareceres usados por governos, organismos internacionais e organizações da sociedade civil publicados desde 2019 até julho de 2025, data de extração das informações.
A cientista faz parte do grande grupo de pesquisadores com trabalhos citados em documentos de decisão sobre Ecossistemas e Uso da Terra, o que coloca o Brasil no centro do debate ambiental global. Ela também figura entre as poucas mulheres brasileiras com influência em políticas públicas: apenas 22 das 107 pessoas identificadas são mulheres, o que representa 20,5% do total.
Sobre a pesquisadora
Giselda Durigan nasceu em um sítio no município de Maracaí, na região oeste do estado de São Paulo, em 1957. Cursou graduação e Mestrado em Engenharia Florestal na Universidade de São Paulo (USP) e Doutorado em Biologia Vegetal na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Fez pós-doutorado junto ao Royal Botanic Garden, na Escócia.
Ela começou a trabalhar no Instituto Florestal (IF) em 1984 e segue na instituição – que, em 2021, foi integrada ao Instituto de Botânica e ao Instituto Geológico, formando o IPA – até hoje, como Pesquisadora Científica VI. Também orienta pós-graduandos nos Programas de Pós-graduação em Ciência Florestal da Unesp e em Ecologia da Unicamp. É hoje um dos quatro membros do Comitê de Assessoramento da área de Ecologia e Limnologia do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
A cientista é pioneira nos estudos sobre os efeitos do fogo e de sua supressão no Cerrado brasileiro, bem como sobre a restauração dessa vegetação. Atualmente, lidera o projeto temático Biota Campos, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (Fapesp), que visa ampliar conhecimentos sobre a biodiversidade dos campos naturais de São Paulo e estados vizinhos, dando o embasamento científico necessário para sua conservação e restauração.
“As descobertas dos nossos estudos, grande parte deles sobre Ecologia Aplicada, buscam gerar mudanças não só na ciência, mas também nas políticas e ações de conservação e restauração. Acredito que o impacto das minhas pesquisas vem desse caráter aplicado, pois o mundo espera da ciência soluções reais. Essas transformações são o que mais valorizo, pois mostram que quatro décadas de pesquisa fizeram a minha passagem por este mundo ter valido a pena”, conclui a cientista.
Saiba mais sobre a trajetória de Durigan aqui.
Trabalhos mais citados
Os artigos de Durigan mais citados por outros cientistas ao longo da sua carreira são:
- “Combatting global grassland degradation” [Combatendo a degradação global dos campos naturais]”, publicado na revista Nature Reviews Earth & Environment em 2021, com 1.199 citações;
- “Savanna Vegetation-Fire-Climate Relationships Differ Among Continents” [As relações entre vegetação de savana, fogo e clima diferem entre os continentes]”, publicado na revista Science em 2014, com 340 citações;
- “An estimate of the number of tropical tree species” [Uma estimativa do número de espécies de árvores tropicais], publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) em 2015, com 230 citações; e
- “Savanna woody encroachment is widespread across three continents” [A expansão de espécies lenhosas em savanas é generalizada em três continentes], publicado na revista Global Change Biology em 2016, com 216 citações.
Entre 2017 e 2021, as obras mais citadas de Durigan foram:
- “BioTIME: A database of biodiversity time series for the Anthropocene” [BioTIME: Um banco de dados de séries temporais de biodiversidade para o Antropoceno], publicado na revista Global Ecology and Biogeography em 2018, com 113 citações;
- “Phylogenetic classification of the world’s tropical forests” [Classificação filogenética das florestas tropicais do mundo], publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) em 2018, com 86 citações;
- “Comment on ‘The global tree restoration potential’” [Comentário sobre ‘O potencial global de restauração de árvores’], publicado na revista Science em 2019, com 63 citações.
De acordo com o ranking, os trabalhos mais frequentes de Durigan estão concentrados nas áreas de Ecologia (45,08%), Vegetação (23,77%) e Riqueza de espécies (22,95%).
*Beatriz Ortiz é Técnica em Meio Ambiente pelo Instituto Federal do Triângulo Mineiro (IFTM), jornalista pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), especialista em Jornalismo Científico e Mestranda em Divulgação Científica e Cultural pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Atua como bolsista de Jornalismo Científico no projeto Biota Campos.
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