12/11/2025

O Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA) realizou no dia 6 de novembro a palestra online “Monitorar, restaurar e resistir: ações de São Paulo pela fauna em tempos de mudanças climáticas”. A pesquisadora científica da instituição Andrea Soares Pires propôs em sua apresentação estratégias de monitoramento e refaunação para combater a perda de espécies e promover a recuperação de ecossistemas. O evento teve a participação de 80 pessoas.

Como os eventos climáticos afetam os ecossistemas e a fauna

O aumento das ondas de calor causa mais incêndios florestais, o que ocasiona a perda dos abrigos de fauna, principalmente mamíferos e répteis. Também causa mudanças comportamentais nas espécies, como por exemplo aquelas com hábitos diurnos e que passam a se locomover durante a noite. Tudo isso torna essas espécies mais suscetíveis à predação.

As secas prolongadas impactam na disponibilidade de recursos hídricos para os animais. Como consequência, afeta sua alimentação, pois diminui a oferta de frutos carnosos. Esse fator repercute em uma menor dispersão de sementes, reduzindo a regeneração natural da vegetação.

A vegetação é um reservatório de umidade e sua perda está diretamente ligada à menor permanência da fauna no local. Com a diminuição da dispersão de sementes, há o aumento da endogamia e as populações de flora passam a ter menos resiliência aos impactos das mudanças climáticas. Com menos cobertura vegetal, há também diminuição da fixação de carbono no solo.

Estratégias de mitigação dos impactos das mudanças climáticas com foco na fauna

Andrea defendeu na palestra que uma das soluções é a refaunação para a restauração de processos ecológicos, como por exemplo a dispersão de sementes. Ela destacou o programa RefaunaSP, da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil) do estado de São Paulo, que estabelece diretrizes para a reintrodução, translocação e reforço populacional de espécies nativas da fauna silvestre em unidades de conservação (UCs) e outras áreas aptas à presença desses animais. (Resolução Semil nº22/2025, de 5/6/2025)

A pesquisadora do IPA apresentou ainda o programa MonitoraBIOSP, da Fundação Florestal, que coleta dados de fauna de 47 UCs paulistas em diferentes frentes (mamíferos de médio e grande porte, primatas, borboletas, abelhas sem ferrão, mangues e águas continentais). As áreas monitoradas somam 980 mil hectares.

Dentre os resultados do monitoramento, vale mencionar os registros inéditos de algumas espécies em UCs, como o sauá (Callicebus personatus), na Estação Ecológica de Itirapina, a raposa-do-campo (Lycalopex vetulus), no Parque Estadual Morro do Diabo, e o cachorro-vinagre (Speothos venaticus), em outas três localidades. Esta última é uma espécie rara e bastante ameaçada, principalmente no estado de São Paulo. Esses registros mostram a importância das áreas protegidas para a proteção da fauna.

Iniciado em 2020, o programa utiliza 1200 armadilhas fotográficas para registro de fauna e gera dados confiáveis e contínuos sobre a presença de espécies e as tendências populacionais (se estão estáveis, aumentando ou em declínio), dando subsídios à gestão técnica e estratégica das UCs, orientando como fazer o manejo, se é necessária a reintrodução de determinada espécie etc. O programa fortalece a integração entre pesquisa científica e gestão.

O MonitoraBioSP soma esforços ainda ao Sistema Estadual de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais (Operação São Paulo Sem Fogo), além de promover a capacitação de agentes municipais, proprietários de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), equipes de parques urbanos e voluntários.

 

Assista à palestra na página de YouTube do IPA: