{"id":6667,"date":"2011-12-16T00:00:00","date_gmt":"2011-12-16T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutogeologico\/automatico\/encontradas-evidencias-do-evento-8-2-ka-na-jureia\/"},"modified":"2011-12-16T00:00:00","modified_gmt":"2011-12-16T02:00:00","slug":"encontradas-evidencias-do-evento-8-2-ka-na-jureia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutogeologico\/2011\/12\/encontradas-evidencias-do-evento-8-2-ka-na-jureia\/","title":{"rendered":"Encontradas evid\u00eancias do evento 8.2 ka na Jur\u00e9ia"},"content":{"rendered":"<div id=\"gallery-1\" class=\"gallery gallery-columns-1 gallery-size-thumbnail\">\n<dl class=\"gallery-item\">\n<dt class=\"gallery-icon\"><a href=\"https:\/\/smastr16.blob.core.windows.net\/igeo\/noticias\/igeologico\/fotos\/12_16_ALQU.jpg\" title=\"Foto: Aleth\u00e9a E. M. Sallum\"><img decoding=\"async\" width=\"150\" src=\"https:\/\/smastr16.blob.core.windows.net\/igeo\/noticias\/igeologico\/fotos\/12_16_ALQU.jpg\" class=\"attachment-thumbnail\" alt=\"Foto: Aleth\u00e9a E. M. Sallum\" \/><\/a><\/dt>\n<dd class=\"wp-caption-text gallery-caption\">Foto: Aleth\u00e9a E. M. Sallum<\/dd>\n<\/dl>\n<p><br style=\"clear: both\" \/>\n<\/div>\n<p>Durante o per\u00edodo Quatern\u00e1rio ocorreram formid\u00e1veis mudan\u00e7as ambientais na superf\u00edcie terrestre que deixaram in\u00fameras evidencias paleoclim\u00e1ticas. Ocorreram transgress\u00f5es e regress\u00f5es marinhas, acompanhadas de prograda\u00e7\u00f5es e retrograda\u00e7\u00f5es da linha de costa, assim como a intensifica\u00e7\u00e3o de per\u00edodos \u00famidos e secos que mudaram padr\u00f5es de chuvas e de sedimenta\u00e7\u00e3o nos continentes. H\u00e1 cerca de 11500 anos, no final do \u00daltimo M\u00e1ximo Glacial (LGM) as temperaturas mundiais come\u00e7aram a subir at\u00e9 os dias atuais, afetando diretamente o clima, a vegeta\u00e7\u00e3o e o n\u00edvel relativo do mar, com oscila\u00e7\u00f5es globais, regionais e locais. As temperaturas globais come\u00e7aram a aumentar e se formaram extensos lagos de \u00e1gua doce, como resultado do derretimento de grandes geleiras que havia na Am\u00e9rica do Norte. Na borda leste da Am\u00e9rica do Norte, havia dois lagos glaciais na regi\u00e3o da Ba\u00eda Hudson, suportados por uma represa natural. Em torno de 8.200 anos atr\u00e1s a represa se rompeu e gerou um enorme aporte de \u00e1gua doce para o oceano. A \u00e1gua doce diluiu a \u00e1gua salgada, densa e fria do mar. A \u00e1gua do mar se tornou mais doce e mais leve, causando uma anormalidade de salinidade no Atl\u00e2ntico Norte, que transformou a circula\u00e7\u00e3o termoalina mundial. Esse acontecimento teve um grande impacto clim\u00e1tico, com rebaixamento da temperatura terrestre principalmente no Hemisf\u00e9rio Norte. Em quest\u00e3o de pouco tempo, as condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas mudaram rapidamente, e este per\u00edodo ficou conhecido como &#8220;evento 8.2 ka&#8221; (8.2 ka event). Este evento foi reconhecido pela primeira vez em testemunhos de gelo da Groenl\u00e2ndia, onde se verificou registros de menor temperatura e de ac\u00famulo de neve por mais de duzentos anos. Em bolhas de ar dentro dos testemunhos de gelo, h\u00e1 uma queda de 10-15% do metano nesse per\u00edodo correlacionada a diminui\u00e7\u00e3o da \u00e1rea de cobertura das florestas tropicais \u00famidas &#8211; provocada por um clima mais seco. H\u00e1 evid\u00eancias de que o evento 8.2 ka causou uma queda de cerca de 2\u00b0C na temperaturas da Europa, mudan\u00e7as significativas no n\u00edvel do mar na Noruega, condi\u00e7\u00f5es extremamente secas na borda sudeste do Sahara e avan\u00e7os glaciais na Nova Zel\u00e2ndia. Regi\u00f5es intensamente povoadas na Europa (entre a Espanha e a Gr\u00e9cia) e no Oriente M\u00e9dio foram abandonadas abruptamente devido \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o da temperatura, com migra\u00e7\u00e3o para ambientes mais favor\u00e1veis que conduziram a introdu\u00e7\u00e3o da agricultura no sudeste da Europa. Para tentar entender de que forma essas mudan\u00e7as afetam a nossa pr\u00f3pria sobreviv\u00eancia, pesquisadores do IG, da Universidade Guarulhos (UnG) e do Instituto de Geoci\u00eancias (USP) encontraram evid\u00eancias de mudan\u00e7as na Am\u00e9rica do Sul decorrentes do resfriamento do Atl\u00e2ntico Norte durante o evento 8.2 ka. No Brasil, foram encontradas evid\u00eancias de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e no n\u00edvel do mar nos \u00faltimos 9400 anos na Jur\u00e9ia (SP), uma das principais \u00e1reas de prote\u00e7\u00e3o de ecossistemas do Atl\u00e2ntico Sul. Os resultados incluem mudan\u00e7as c\u00edclicas e graduais de diferentes intensidades e freq\u00fc\u00eancias ao longo do registro geol\u00f3gico, que foram controladas por fen\u00f4menos astron\u00f4micos, geof\u00edsicos e geol\u00f3gicos. Estas varia\u00e7\u00f5es n\u00e3o foram geradas por uma \u00fanica causa, mas seu resultado \u00e9 uma intera\u00e7\u00e3o de diversos fatores de diferentes escalas. Evid\u00eancias geoqu\u00edmicas foram utilizadas para identificar anomalias, correlacionadas a ciclos clim\u00e1ticos e de transgress\u00f5es e regress\u00f5es marinhas e eventos de longa e curta dura\u00e7\u00e3o que geraram altas taxas de sedimenta\u00e7\u00e3o, principalmente de sedimentos entre 8.385 e 8.375 anos atr\u00e1s. Os resultados sugerem que um evento moderno de curta dura\u00e7\u00e3o no Atl\u00e2ntico Norte, como o evento 8.2 ka, poderia afetar o equil\u00edbrio ambiental na Am\u00e9rica do Sul e intensificar a Mon\u00e7\u00e3o de Ver\u00e3o Sul-Americana (SASM). A comprova\u00e7\u00e3o de que as mudan\u00e7as ambientais enfrentadas no Hemisf\u00e9rio Norte podem ser correlacionadas com respostas ambientais no Hemisf\u00e9rio Sul \u00e9 muito importante, uma vez que estamos na emin\u00eancia mundial de debates e decis\u00f5es governamentais sobre mudan\u00e7as clim\u00e1ticas identificadas atualmente, suportando importantes conclus\u00f5es sobre a complexidade da intera\u00e7\u00e3o de diversos fatores ambientais que afetam a Terra de diversas formas. O projeto de pesquisa teve apoio financeiro da FAPESP e do CNPq.<br \/> <br \/>\nFonte: Sallun, A. E.M., Sallun Filho, W., Suguio, K., Babinski, M., Gioia, S. M.C.L., Harlow, B. A., Duleba, W., De Oliveira, P. E., Garcia, M. J., Weber, C. Z., Christofoletti, S. R., Santos, C. da S., Medeiros, V. B. de, Silva, J. B., Santiago-Hussein, M. C., Fernandes, R. S. 2011. Geochemical evidence of the 8.2ka event and other Holocene environmental changes recorded in paleolagoon sediments, southeastern Brazil. Quaternary Research, doi:10.1016\/j.yqres.2011.09.007.<\/p>\n<p>Dispon\u00edvel em http:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S0033589411001189. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foto: Aleth\u00e9a E. M. Sallum Durante o per\u00edodo Quatern\u00e1rio ocorreram formid\u00e1veis mudan\u00e7as ambientais na superf\u00edcie terrestre que deixaram in\u00fameras evidencias paleoclim\u00e1ticas. Ocorreram transgress\u00f5es e regress\u00f5es marinhas, acompanhadas de prograda\u00e7\u00f5es e retrograda\u00e7\u00f5es da linha de costa, assim como a intensifica\u00e7\u00e3o de per\u00edodos \u00famidos e secos que mudaram padr\u00f5es de chuvas e de sedimenta\u00e7\u00e3o nos continentes. 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