{"id":296,"date":"2011-11-03T00:00:00","date_gmt":"2011-11-03T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/2011\/11\/03\/pesquisa-em-floresta-manejada-revela-cerrado-biodiverso-crescendo-embaixo-de-pinus\/"},"modified":"2012-05-03T16:14:11","modified_gmt":"2012-05-03T19:14:11","slug":"pesquisa-em-floresta-manejada-revela-cerrado-biodiverso-crescendo-embaixo-de-pinus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/2011\/11\/pesquisa-em-floresta-manejada-revela-cerrado-biodiverso-crescendo-embaixo-de-pinus\/","title":{"rendered":"Pesquisa em floresta manejada revela cerrado biodiverso crescendo embaixo de pinus"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-thumbnail wp-image-930\" src=\"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2011\/11\/news_1531-150x103.jpg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"103\" srcset=\"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2011\/11\/news_1531-150x103.jpg 150w, https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2011\/11\/news_1531-70x47.jpg 70w, https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2011\/11\/news_1531-69x46.jpg 69w\" sizes=\"(max-width: 150px) 100vw, 150px\" \/>A m\u00e1 fama do pinus \u00e9 capaz de promover tor\u00e7\u00e3o instant\u00e2nea de narizes antes mesmo que se tenha a chance de dizer algo sobre ele. Pudera, em regi\u00f5es muito \u00famidas, a esp\u00e9cie ex\u00f3tica e invasora tem alto potencial de se espalhar, sufocando a vegeta\u00e7\u00e3o nativa, como j\u00e1 foi bem documentado no Sul e no Sudeste do pa\u00eds. Al\u00e9m disso, em florestas plantadas com a \u00e1rvore (para silvicultura), normalmente se considera que ocorre um empobrecimento do solo, levando \u00e0 exist\u00eancia de verdadeiros desertos verdes.<\/p>\n<p>Mas em situa\u00e7\u00f5es muito espec\u00edficas de planta\u00e7\u00f5es com ciclos longos de manejo, localizadas em \u00e1reas onde n\u00e3o h\u00e1 o risco de invas\u00e3o, pode haver espa\u00e7o para a regenera\u00e7\u00e3o das plantas originais do territ\u00f3rio. \u00c9 o que mostra um trabalho desenvolvido durante um curso de ecologia da restaura\u00e7\u00e3o promovido pela Unesp em Botucatu e o Instituto Florestal, e cujos resultados est\u00e3o sendo publicados neste m\u00eas na revista <em>Forest Ecology and Management<\/em>.<\/p>\n<p>Um grupo de alunos de v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es conduziu uma investiga\u00e7\u00e3o na reserva do Instituto Florestal em Assis, comparando um fragmento de \u201ccerrad\u00e3o\u201d, a variante mais fechada e florestal deste tipo de vegeta\u00e7\u00e3o, presente na esta\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica, com um trecho da floresta estadual, de pinus (<em>Pinus elliottii<\/em>), voltado para a produ\u00e7\u00e3o florestal, no qual se observava um renascimento da vegeta\u00e7\u00e3o nativa. A ideia era checar o grau de variedade de esp\u00e9cies de Cerrado florescendo sob o dossel da \u00e1rvore ex\u00f3tica.<\/p>\n<p>\u201cEsper\u00e1vamos encontrar uma riqueza bem menor, mas nos surpreendemos\u201d, conta Sergianne Frison, doutoranda em Ci\u00eancia Florestal da Faculdade de Ci\u00eancias Agron\u00f4micas de Botucatu, uma das autoras do trabalho. No invent\u00e1rio bot\u00e2nico feito em fevereiro e mar\u00e7o do ano passado, o grupo constatou a presen\u00e7a m\u00e9dia de 70 esp\u00e9cies em cada uma das quatro \u00e1reas sob pinus e de 54 em cada um dos quatro fragmentos de cerrad\u00e3o. Dezoito esp\u00e9cies foram encontradas exclusivamente na floresta plantada e oito na vegeta\u00e7\u00e3o nativa.<\/p>\n<p>Os cientistas alertam que esse resultado \u00e9 bastante espec\u00edfico para aquela regi\u00e3o, n\u00e3o significando que possa ser observado ou replicado em outras planta\u00e7\u00f5es. Uma das quest\u00f5es-chave para isso \u00e9 o tempo de manejo. Na floresta de Assis, s\u00e3o feitos desbastes progressivos de algumas \u00e1rvores, para abrir espa\u00e7o para que as restantes possam ficar grandes e grossas. S\u00f3 depois de uns 30 anos \u00e9 que esses indiv\u00edduos s\u00e3o cortados para abastecer serrarias.<\/p>\n<p>Planta\u00e7\u00f5es comerciais em geral s\u00e3o cortadas num tempo bem menor. Essa movimenta\u00e7\u00e3o no terreno praticamente impede que remanescentes do Cerrado tenham alguma chance de despontar. At\u00e9 porque, se a vegeta\u00e7\u00e3o no sub-bosque se adensar demais, o produtor dificilmente ter\u00e1 autoriza\u00e7\u00e3o para seguir cortando madeira.<\/p>\n<p>\u201cNo caso que estudamos, tudo leva a crer que, com o corte dos \u00faltimos pinus, a vegeta\u00e7\u00e3o de Cerrado ir\u00e1 se recuperar e retomar a sucess\u00e3o. Isso est\u00e1 ocorrendo devido \u00e0 alta resili\u00eancia da vegeta\u00e7\u00e3o nativa. Mas h\u00e1 locais em que isso n\u00e3o acontece, de modo que n\u00e3o se pode generalizar e dizer que basta plantar eucalipto ou pinus e a vegeta\u00e7\u00e3o nativa vai voltar\u201d, explica Rodolfo Abreu, doutorando de Ci\u00eancias da Engenharia Ambiental na USP de S\u00e3o Carlos e primeiro autor do trabalho.<\/p>\n<p>Isso tamb\u00e9m n\u00e3o vale, \u00e9 bom lembrar, para \u00e1reas de muita umidade, como restingas e zonas rip\u00e1rias, por exemplo, uma vez que nelas o pinus encontra plenas condi\u00e7\u00f5es de continuar se reproduzindo e se espalhando por onde houver espa\u00e7o. J\u00e1 em locais que apresentam uma esta\u00e7\u00e3o seca bem definida, como \u00e9 o caso do planalto paulista, as sementes, quando s\u00e3o produzidas, n\u00e3o t\u00eam condi\u00e7\u00f5es de germinar por conta pr\u00f3pria, e as planta\u00e7\u00f5es<br \/>\nse mant\u00eam est\u00e1veis.<\/p>\n<p><strong>Sem fogo e com muita sombra <\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m da no\u00e7\u00e3o de \u201cdeserto verde\u201d, o grupo de pesquisadores esperava encontrar uma variedade bem menor embaixo do dossel dos pinheiros porque supunha que as adensadas \u00e1rvores de cerca de 25 metros de altura fariam muita sombra no solo, n\u00e3o favorecendo o crescimento embaixo delas. Mas esse quesito tamb\u00e9m surpreendeu. Medindo a luminosidade nos oito trechos, acabaram percebendo que o cerrad\u00e3o estava ainda mais escuro.<\/p>\n<p>Isso ficou evidente pelas esp\u00e9cies encontradas exclusivamente em cada tipo de vegeta\u00e7\u00e3o. As 18 que estavam somente sob o dossel de pinus s\u00e3o t\u00edpicas de cerrados com uma fisionomia mais aberta, menos tolerantes \u00e0 vida na sombra \u2013 que \u00e9 como se imagina que era aquela regi\u00e3o antes do desmatamento conduzido ali na d\u00e9cada de 1960. Ao passo que as plantas observadas unicamente no cerrad\u00e3o s\u00e3o tolerantes \u00e0 sombra, tanto que ocorrem tamb\u00e9m na Mata Atl\u00e2ntica.<\/p>\n<p>A inesperada descoberta levou a equipe a formular uma hip\u00f3tese no m\u00ednimo pol\u00eamica dentro do tema conserva\u00e7\u00e3o florestal. Eles defendem que o cerrad\u00e3o fechado, com caracter\u00edsticas mais florestais, atua como um filtro ecol\u00f3gico mais restritivo ao desenvolvimento de algumas esp\u00e9cies end\u00eamicas de Cerrado que s\u00e3o mais tolerantes ao sol.<\/p>\n<p>Para entender o que isso significa \u00e9 preciso lembrar que no grande bioma Cerrado, normalmente caracterizado pelas \u00e1rvores baixas e retorcidas, ocorrem padr\u00f5es diferenciados de vegeta\u00e7\u00e3o, como cerrados, cerrad\u00e3o, campos limpos e sujos, at\u00e9 cordilheiras e veredas. Em comum, a adapta\u00e7\u00e3o aos inc\u00eandios naturais, provocados por raios, o que tornou essas paisagens extremamente resilientes.<\/p>\n<p>Mas diante de queimadas muito frequentes, como as causadas pelo avan\u00e7o da agropecu\u00e1ria, n\u00e3o h\u00e1 resili\u00eancia que d\u00ea conta. E para fins de conserva\u00e7\u00e3o, remanescentes de Cerrado mantidos em reservas passaram a ser protegidos do fogo. \u201cAgora estamos vendo uma mudan\u00e7a do Cerrado no Estado de S\u00e3o Paulo, ele vem se adensando\u201d, afirma Giselda Durigan, pesquisadora do Instituto Florestal em Assis e coordenadora do curso de restaura\u00e7\u00e3o junto com Vera Lex, da Unesp.<\/p>\n<p>Segundo Giselda, que tamb\u00e9m assina o artigo, na d\u00e9cada de 1960 a maior parte do Cerrado paulista apresentava umafisionomia mais aberta, com o cerrad\u00e3o ocupando cerca de 10% do Estado. A supress\u00e3o do fogo propiciou o gradativo adensamento, e as esp\u00e9cies end\u00eamicas de fisionomia mais aberta est\u00e3o sumindo, diz: \u201cUm fogo de vez em quando pode ser necess\u00e1rio, mas ainda precisamos assimilar isso\u201d.<\/p>\n<p><strong>Fonte: <\/strong>Revista Unesp Ci\u00eancia, outubro, 2011, p. 42-43.<\/p>\n<p><strong>Foto:<\/strong> Giselda Durigan.<\/p>\n<p><strong>Texto:<\/strong> Giovana Girardi.<\/p>\n<p><strong>Maiores informa\u00e7\u00f5es:<\/strong> Pesquisadora cient\u00edfica Giselda Durigan &#8211; Tel.: (18)3325-1066 \/ (18)3325-1045 \/ (18)3323-8330<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A m\u00e1 fama do pinus \u00e9 capaz de promover tor\u00e7\u00e3o instant\u00e2nea de narizes antes mesmo que se tenha a chance de dizer algo sobre ele. 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