{"id":20393,"date":"2021-06-04T14:38:02","date_gmt":"2021-06-04T17:38:02","guid":{"rendered":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/?p=20393"},"modified":"2021-06-04T14:42:05","modified_gmt":"2021-06-04T17:42:05","slug":"reflorestamento-com-araucaria-conservacao-da-natureza-e-geracao-de-trabalho-e-renda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/2021\/06\/reflorestamento-com-araucaria-conservacao-da-natureza-e-geracao-de-trabalho-e-renda\/","title":{"rendered":"Reflorestamento com arauc\u00e1ria: conserva\u00e7\u00e3o da natureza e gera\u00e7\u00e3o de trabalho e renda"},"content":{"rendered":"<p>A arauc\u00e1ria \u00e9 uma \u00e1rvore de import\u00e2ncia ecol\u00f3gica, interesse comercial e valor cultural. A extra\u00e7\u00e3o de sua semente, o pinh\u00e3o, movimenta turismo e economias locais em diferentes pontos do Brasil. No entanto, a esp\u00e9cie est\u00e1 amea\u00e7ada de extin\u00e7\u00e3o e a cont\u00ednua redu\u00e7\u00e3o de sua popula\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de constituir perda para nossa biodiversidade, impacta negativamente no sustento de agricultores familiares. Pensando nisso, pesquisadores do Instituto Florestal (IF) desenvolveram estudo para promover o reflorestamento de arauc\u00e1rias em Cunha\/SP, de forma a atender demandas tanto de conserva\u00e7\u00e3o da natureza quanto de gera\u00e7\u00e3o de renda para as comunidades locais. A pesquisa resultou em um projeto de fomento ao plantio da esp\u00e9cie no munic\u00edpio e que j\u00e1 est\u00e1 em andamento.<\/p>\n<p>Cunha, localizado na regi\u00e3o do Vale do Para\u00edba, \u00e9 o maior produtor de pinh\u00e3o do estado de S\u00e3o Paulo (630 toneladas ao ano). A arauc\u00e1ria \u00e9 imprescind\u00edvel para a economia do munic\u00edpio, que h\u00e1 d\u00e9cadas promove festivais e exposi\u00e7\u00f5es sobre a esp\u00e9cie e seus produtos. A Festa do Pinh\u00e3o, por exemplo, eleva a taxa de ocupa\u00e7\u00e3o da rede de hoteleira e de alimenta\u00e7\u00e3o e em 2019 atraiu 80 mil visitantes.<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 1940, o engenheiro silvicultor Mansueto Koscinski escreve que &#8220;\u00easse extraordin\u00e1rio \u00eaxito do pinheiro, t\u00e3o \u00fatil para nossa economia, tornou-se perigoso para o resto das florestas nativas, amea\u00e7ando-as de completo aniquilamento, pois a produ\u00e7\u00e3o natural de pinheiro \u00e9 muito inferior ao crescente consumo. J\u00e1 come\u00e7am a aparecer campos rasos em lugares onde havia outrora pujantes e majestosos pinheirais. Prova cabal de que n\u00e3o h\u00e1 reservas florestais &#8220;inesgot\u00e1veis&#8221;&#8221;. No livro <em>O Pinheiro Brasileiro<\/em>, publicado pela Edi\u00e7\u00f5es Melhoramentos, Koscinski defende a cultura da arauc\u00e1ria pelos &#8220;bons brasileiros&#8221; e &#8220;previdentes industriais&#8221; de forma a &#8220;garantir a continuidade da produ\u00e7\u00e3o, plantando novas florestas e reflorestando sem demora os terrenos onde est\u00e3o sendo derrubadas.&#8221;<\/p>\n<p>Em 2013 a arauc\u00e1ria passou para a categoria \u201c<a href=\"https:\/\/www.iucnredlist.org\/species\/32975\/2829141\">Criticamente em perigo<\/a>\u201d na \u201c<a href=\"https:\/\/www.iucn.org\/resources\/conservation-tools\/iucn-red-list-threatened-species\">Lista Vermelha de Esp\u00e9cies Amea\u00e7adas<\/a>\u201d da\u00a0<a href=\"https:\/\/www.iucn.org\/about\/\">Uni\u00e3o Internacional para a Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza \u2013 IUCN<\/a>. Desde 2014 est\u00e1 catalogada como esp\u00e9cie \u201cEm Perigo\u201d na \u201cLista Nacional Oficial de Esp\u00e9cies da Flora Amea\u00e7adas de Extin\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>No estudo recente publicado na <a href=\"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/publicacoes-if\/revista-do-if\/\">Revista do Instituto Florestal<\/a>, realizado em parceria com pesquisadores da Coordenadoria de Desenvolvimento Rural Sustent\u00e1vel da Secretaria da Agricultura e Abastecimento, foram utilizadas t\u00e9cnicas de geoprocessamento pra identificar as \u00e1reas mais apropriadas no munic\u00edpio para o reflorestamento com a esp\u00e9cie.<\/p>\n<h4><strong>Mapeando o futuro da silvicultura de arauc\u00e1ria no munic\u00edpio<\/strong><\/h4>\n<p>Os pesquisadores selecionaram \u00e1reas com altitudes maiores que 900 m, pois a arauc\u00e1ria se desenvolve melhor nesses ambientes. Tamb\u00e9m levaram em considera\u00e7\u00e3o o relevo, optando por \u00e1reas n\u00e3o adequadas ao uso agr\u00edcola.<\/p>\n<p>&#8220;A produ\u00e7\u00e3o de alimentos deve ser realizada nas terras mais f\u00e9rteis, de baixa declividade, onde o revolvimento anual do solo n\u00e3o provoca a perda deste solo e a consequente perda de fertilidade. Relevos com grande declividade normalmente s\u00e3o solos de pequena profundidade que favorecem o escoamento de nutrientes e consequentemente s\u00e3o mais pobres, propiciando um menor desenvolvimento de culturas agr\u00edcolas. Al\u00e9m de serem menos exigentes em nutrientes as esp\u00e9cies florestais n\u00e3o necessitam o revolvimento anual do solo, evitando desta forma a eros\u00e3o. Esp\u00e9cies florestais s\u00e3o indicadas para terrenos declivosos pois sua implanta\u00e7\u00e3o em \u00e1reas mais planas acarretaria a diminui\u00e7\u00e3o de locais para a produ\u00e7\u00e3o de alimentos&#8221;, explica o engenheiro florestal Roberto Starzynski, pesquisador cient\u00edfico do IF e um dos autores do artigo.<\/p>\n<p>As \u00e1reas que atenderam aos crit\u00e9rios para a realiza\u00e7\u00e3o da silvicultura comp\u00f5em 40,6% do territ\u00f3rio do munic\u00edpio. Estabelecendo diretrizes para orientar plantio de arauc\u00e1ria no munic\u00edpio, foram designadas a essas \u00e1reas tr\u00eas diferentes voca\u00e7\u00f5es de acordo com os n\u00edveis de declividade do terreno: reflorestamento homog\u00eaneo com arauc\u00e1rias, plantio em cons\u00f3rcio com esp\u00e9cies pioneiras de alto valor comercial e sistema silvipastoril, que mescla a silvicultura ao manejo de animais.<\/p>\n<p>O plantio junto a esp\u00e9cies pioneiras potencializa o aproveitamento da \u00e1rea. Enquanto a arauc\u00e1ria se desenvolve, esp\u00e9cies de r\u00e1pido crescimento podem constituir uma fonte alternativa de renda. Os autores sugerem algumas esp\u00e9cies: aroeira pimenteira, bracatinga, cambuci, candeia e capixingui. Nestas esp\u00e9cies podemos encontrar as mais diferentes formas de uso da madeira, como carpintaria, constru\u00e7\u00e3o civil, constru\u00e7\u00e3o naval, lenha, carv\u00e3o, caixotaria leve, cercas, moir\u00f5es e cabos de ferramentas. Algumas esp\u00e9cies tamb\u00e9m t\u00eam potencial para pasto, al\u00e9m de temperos e frutos comest\u00edveis.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao sistema silvipastoril, a arauc\u00e1ria proporcionaria a diversifica\u00e7\u00e3o de renda daquelas comunidades rurais que ainda n\u00e3o comercializam sua madeira e o pinh\u00e3o, al\u00e9m de melhorar o bem-estar dos animais com sua sombra. No entanto, \u00e9 preciso tomar alguns cuidados, como por exemplo evitar que os animais comam um dos produtos comerciais, no caso o pinh\u00e3o, reduzindo a renda destes produtores. Starzynski tamb\u00e9m revela que o gado pode ter problemas digestivos ligados \u00e0 ingest\u00e3o excessiva de pinh\u00e3o, al\u00e9m do risco de ferimentos com as ac\u00edculas, que s\u00e3o as folhas das arauc\u00e1rias.<\/p>\n<p>A pesquisa estabelece diretrizes para o plantio de arauc\u00e1ria no munic\u00edpio, nas quais se recomenda a enxertia para obter a correta propor\u00e7\u00e3o e plantas femininas e masculinas, implantar \u00e1rvores produtivas e precoces e introduzir variedades que possibilitem colheitas em diferentes meses. No entanto, deve-se evitar o uso do mesmo clone em todo o plantio para contemplar a diversidade gen\u00e9tica.<\/p>\n<h4><strong>Otimiza\u00e7\u00e3o da coleta de pinh\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p>A coleta de pinh\u00e3o realizada atualmente em Cunha prov\u00e9m de \u00e1reas de ocorr\u00eancia natural.\u00a0Al\u00e9m de orientar reflorestamentos, a pesquisa prop\u00f5e ainda estrat\u00e9gias de utiliza\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel da vegeta\u00e7\u00e3o natural para garantir tanto a conserva\u00e7\u00e3o das arauc\u00e1rias na regi\u00e3o quanto a subsist\u00eancia das comunidades rurais que utilizam o pinh\u00e3o para alimenta\u00e7\u00e3o e gera\u00e7\u00e3o de renda.<\/p>\n<p>Os pesquisadores analisaram por seis anos consecutivos a distribui\u00e7\u00e3o a queda de sementes ao longo dos meses. Foi observado que mais da metade da produ\u00e7\u00e3o cai at\u00e9 o dia 10 de abril. No entanto, de acordo com a norma em vigor no estado de S\u00e3o Paulo, do ano de 1976, a coleta, o transporte e a comercializa\u00e7\u00e3o do pinh\u00e3o s\u00f3 podem ser feitos a partir do dia 15 de abril. Os produtores alegam que a medida reduz a quantidade de pinh\u00e3o a ser comercializada, visto que \u00e9 um produto altamente perec\u00edvel. Neste sentido, os autores sugerem a antecipa\u00e7\u00e3o do per\u00edodo do defeso, como j\u00e1 foi feito em Santa Catarina, em 2011, e no Paran\u00e1, em 2014.<\/p>\n<p>Uma proposta que a pesquisa coloca aos produtores familiares \u00e9 a comercializa\u00e7\u00e3o como produto org\u00e2nico oriundo do extrativismo, agregando valor ao produto.\u00a0Os autores tamb\u00e9m sugerem que eles se beneficiem da Pol\u00edtica de Garantia de Pre\u00e7os M\u00ednimos para Produtos da Sociobiodiversidade, programa criado pela Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), que oferece uma subven\u00e7\u00e3o para o pinh\u00e3o vendido abaixo do pre\u00e7o m\u00ednimo estabelecido para cada ano. \u00a0O programa visa diminuir as oscila\u00e7\u00f5es na renda dos produtores rurais e assegurar uma remunera\u00e7\u00e3o m\u00ednima. Baliza a oferta de alimentos, incentivando ou desestimulando a produ\u00e7\u00e3o e garantindo a regularidade do abastecimento nacional.<\/p>\n<h4>Pesquisa cient\u00edfica embasando pol\u00edticas p\u00fablicas<\/h4>\n<p>Um dos desdobramentos da pesquisa foi a elabora\u00e7\u00e3o de um projeto de fomento ao plantio de arauc\u00e1ria no munic\u00edpio a ser desenvolvido pela Casa de Agricultura de Cunha.<\/p>\n<p>O projeto j\u00e1 est\u00e1 em andamento e apresenta v\u00e1rias linhas de a\u00e7\u00e3o, como a sensibiliza\u00e7\u00e3o dos produtores para o plantio, a orienta\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, o fornecimento de mudas e a pesquisa sobre o desenvolvimento das mudas e das t\u00e9cnicas de enxertia com a finalidade de obter \u00e1rvores mais precoces quanto a produ\u00e7\u00e3o de pinh\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;J\u00e1 foi feita a sensibiliza\u00e7\u00e3o dos produtores, foi boa a ades\u00e3o e j\u00e1 h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o de interessados. Sementes j\u00e1 foram coletadas e est\u00e3o sendo produzidas as mudas a serem ofertadas aos produtores&#8221;, relata Starzynski.<\/p>\n<h4><strong>A import\u00e2ncia da arauc\u00e1ria<\/strong><\/h4>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify\">&#8220;\u00c9 uma encantadora ornamenta\u00e7\u00e3o do nosso t\u00e3o belo pa\u00eds e muito peculiar \u00e0s zonas em que se ostenta. Se juntarmos a esse aspecto caracter\u00edstico o perfume das suas f\u00f4lhas, a m\u00fasica suave e\u00a0 misteriosa da sua ramagem quando o vento sopra, o ar puro e embalsamado pela exala\u00e7\u00e3o da resina, riqu\u00edssimo em oxig\u00eanio dentro dos pinheirais &#8211; podemos afirmar que existe uma enlevadora sinfonia do pinheiro, que ali\u00e1s, inspirou v\u00e1rios poetas, pintores e compositores de lendas misteriosas sobre \u00e1rvore t\u00e3o bela e \u00fatil. Os pinheiros e pinheirais contribuem sem d\u00favida para a salubridade da zona onde se encontram&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: right\">Mansueto Koscinski<\/p>\n<\/blockquote>\n<div id=\"attachment_20542\" style=\"width: 260px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/smastr16.blob.core.windows.net\/iflorestal\/sites\/234\/2021\/06\/mg_6002_1.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-20542\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-20542 size-wcsmall\" src=\"https:\/\/smastr16.blob.core.windows.net\/iflorestal\/sites\/234\/2021\/06\/mg_6002_1-250x358.jpg\" alt=\"\" width=\"250\" height=\"358\" srcset=\"https:\/\/smastr16.blob.core.windows.net\/iflorestal\/sites\/234\/2021\/06\/mg_6002_1-250x358.jpg 250w, https:\/\/smastr16.blob.core.windows.net\/iflorestal\/sites\/234\/2021\/06\/mg_6002_1-210x300.jpg 210w, https:\/\/smastr16.blob.core.windows.net\/iflorestal\/sites\/234\/2021\/06\/mg_6002_1-550x787.jpg 550w, https:\/\/smastr16.blob.core.windows.net\/iflorestal\/sites\/234\/2021\/06\/mg_6002_1-126x180.jpg 126w, https:\/\/smastr16.blob.core.windows.net\/iflorestal\/sites\/234\/2021\/06\/mg_6002_1-350x500.jpg 350w, https:\/\/smastr16.blob.core.windows.net\/iflorestal\/sites\/234\/2021\/06\/mg_6002_1.jpg 699w\" sizes=\"(max-width: 250px) 100vw, 250px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-20542\" class=\"wp-caption-text\">Representa\u00e7\u00e3o art\u00edstica de arauc\u00e1ria em xilogravura de autoria de Adolf Kohler \/ Acervo do Museu Florestal &#8220;Oct\u00e1vio Vecchi&#8221;<\/p><\/div>\n<p>A arauc\u00e1ria se mostra uma esp\u00e9cie relevante em v\u00e1rios n\u00edveis. Para n\u00f3s que estamos cumprindo quarentena e estamos com saudade de nos reunirmos em uma Festa Junina (quem sabe no ano que vem), \u00e9 imposs\u00edvel n\u00e3o lembrar que o pinh\u00e3o \u00e9 um dos maiores atrativos.<\/p>\n<p>Junto \u00e0 beleza c\u00eanica, que torna a arauc\u00e1ria um atrativo na paisagem, a esp\u00e9cie movimenta o turismo e tamb\u00e9m a economia.\u00a0Sua madeira pode ser utilizada para carpintaria, marcenaria, confec\u00e7\u00e3o de instrumentos musicais, compensados e na produ\u00e7\u00e3o de celulose para fabrica\u00e7\u00e3o de papel.<\/p>\n<p>A coleta e venda do pinh\u00e3o constitui um meio de subsist\u00eancia para comunidades rurais, sendo a atividade considerada como uma pr\u00e1tica capaz de manter a biodiversidade de maneira sustent\u00e1vel. Tamb\u00e9m \u00e9 utilizada na alimenta\u00e7\u00e3o. A semente \u00e9 rica em calorias e fibras e cont\u00e9m minerais como pot\u00e1ssio, cobre, zinco, mangan\u00eas, ferro, magn\u00e9sio, c\u00e1lcio, f\u00f3sforo, enxofre e s\u00f3dio, al\u00e9m dos \u00e1cidos graxos linoleico (\u00d4mega 6) e oleico (\u00d4mega 9). N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que serve de alimento para a fauna nativa, desde aves (gralha azul, gralha amarela, maritaca verde e periquito) a mam\u00edferos (anta, queixada, cateto, paca, esquilo e cotia), o que mostra tamb\u00e9m seu valor ecol\u00f3gico.<\/p>\n<h4><strong>Esp\u00e9cie faz parte da hist\u00f3ria, da cultura e da identidade da regi\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p>O pinh\u00e3o alimenta os seres humanos desde tempos remotos. Ind\u00edgenas brasileiros utilizavam o pinh\u00e3o assado, cozido ou sapecado ao fogo, como tamb\u00e9m processavam sua farinha que era adicionada \u00e0 carne de ca\u00e7a ou peixe. Esses povos, a exemplo dos Kaingangs, tiveram papel relevante na dispers\u00e3o da esp\u00e9cie e aumento das florestas de arauc\u00e1rias.<\/p>\n<p>Antigos relatos do do s\u00e9culo XVI atestam a ocorr\u00eancia da arauc\u00e1ria em Cunha. O ingl\u00eas Anthony Knivet, participante de expedi\u00e7\u00e3o que no ano de 1596 partiu da cidade de Paraty, no Rio de Janeiro, e atravessou a Serra do Mar, percorrendo trilhas utilizadas pelos \u00edndios Guaian\u00e1s, narrou a exist\u00eancia de muitos pinheirais na regi\u00e3o onde hoje se localiza o munic\u00edpio paulista.<\/p>\n<p>No s\u00e9culo XIX, o uso do pinh\u00e3o como alimento e produto comercial aparece nos registros da Barreira do Tabo\u00e3o de Cunha, constru\u00edda para a cobran\u00e7a de impostos e taxas pela circula\u00e7\u00e3o de mercadorias.<\/p>\n<p>Tanta \u00e9 a import\u00e2ncia da esp\u00e9cie para a paisagem e a economia de Cunha que h\u00e1 mais de 20 anos o munic\u00edpio promove festivais e exposi\u00e7\u00f5es sobre a arauc\u00e1ria e seus pinh\u00f5es. E assim a cultura se fortalece, a economia gira e as florestas de arauc\u00e1rias se mant\u00eam.<\/p>\n<h4><strong>Revista do Instituto Florestal<\/strong><\/h4>\n<p>O artigo &#8220;<a href=\"https:\/\/smastr16.blob.core.windows.net\/iflorestal\/sites\/234\/2020\/12\/rif32-2_187-201.pdf\">Estrat\u00e9gias para a preserva\u00e7\u00e3o da <em>Araucaria angustifolia<\/em> (Bertol.) Kuntze em Cunha-SP : aspectos ambientais, socioecon\u00f4micos e jur\u00eddicos<\/a>&#8221; est\u00e1 dispon\u00edvel na Revista do Instituto Florestal v.32 n.2.<\/p>\n<p>A Revista est\u00e1 recebendo artigos cient\u00edficos para publica\u00e7\u00e3o nas pr\u00f3ximas edi\u00e7\u00f5es. Consulte as <a href=\"https:\/\/smastr16.blob.core.windows.net\/iflorestal\/2015\/10\/Revista-IF_Instru%C3%A7%C3%B5es-aos-autores.pdf\">normas de submiss\u00e3o<\/a>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Foto de capa: Classifica\u00e7\u00e3o de pinh\u00f5es coletados na agricultura familiar \/ Cr\u00e9dito: Cesar Frizo<\/p>\n<p>Texto: Paulo A. M.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A arauc\u00e1ria \u00e9 uma \u00e1rvore de import\u00e2ncia ecol\u00f3gica, interesse comercial e valor cultural. A extra\u00e7\u00e3o de sua semente, o pinh\u00e3o, movimenta turismo e economias locais em diferentes pontos do Brasil. 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