{"id":19901,"date":"2020-12-18T15:15:41","date_gmt":"2020-12-18T17:15:41","guid":{"rendered":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/?p=19901"},"modified":"2020-12-18T15:15:41","modified_gmt":"2020-12-18T17:15:41","slug":"florestas-bem-conservadas-aceleram-o-processo-de-regeneracao-natural-de-areas-vizinhas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/2020\/12\/florestas-bem-conservadas-aceleram-o-processo-de-regeneracao-natural-de-areas-vizinhas\/","title":{"rendered":"Florestas bem conservadas aceleram o processo de regenera\u00e7\u00e3o natural de \u00e1reas vizinhas"},"content":{"rendered":"<p>Pesquisa publicada na <a href=\"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/publicacoes-if\/revista-do-if\/\">Revista do Instituto Florestal<\/a> realizou levantamento da flora de um trecho de Mata Atl\u00e2ntica com hist\u00f3rico de uso agr\u00edcola em Peru\u00edbe, na regi\u00e3o da Baixada Santista. A \u00e1rea estudada fica no entorno imediato da Esta\u00e7\u00e3o Ecol\u00f3gica Jur\u00e9ia-Itatins (EEJI). No fragmento, com mais de 30 anos de regenera\u00e7\u00e3o natural, foi registrada elevada riqueza de esp\u00e9cies, sendo quatro amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o. Os resultados deste trabalho mostram como florestas bem conservadas, como as desta Unidade de Conserva\u00e7\u00e3o, aceleraram o processo de recupera\u00e7\u00e3o de \u00e1reas vizinhas.<\/p>\n<p>O litoral de S\u00e3o Paulo e a regi\u00e3o do Vale do Ribeira s\u00e3o de extrema import\u00e2ncia para a conserva\u00e7\u00e3o da natureza, devido \u00e0 sua elevada biodiversidade. A Mata Atl\u00e2ntica \u00e9 um dos biomas brasileiros com maiores taxas de desmatamento e situa-se em um dos ambientes mais amea\u00e7ados do planeta, devido \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o de seu territ\u00f3rio. A Esta\u00e7\u00e3o Ecol\u00f3gica Jur\u00e9ia-Itatins \u00e9 um dos trechos melhor protegidos e preservados do Brasil. Sua flora \u00e9 bastante diversificada, com grande n\u00famero de esp\u00e9cies raras e end\u00eamicas, caracter\u00edstica que faz o bioma ser considerado uma das oito \u00e1reas mais importantes para a conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade mundial.<\/p>\n<p>Com o objetivo de discutir a regenera\u00e7\u00e3o natural de \u00e1reas com o hist\u00f3rico de uso agr\u00edcola, os pesquisadores cient\u00edficos Claudio de Moura, do Instituto Florestal, e Waldir Mantovani, do Programa de P\u00f3s Gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancia Ambiental da Universidade de S\u00e3o Paulo, realizaram a caracteriza\u00e7\u00e3o da flora de um trecho de floresta lim\u00edtrofe \u00e0 EEJI. O fragmento estudado teve cultivo de banana at\u00e9 o ano de 1983, quando a atividade foi interrompida, o que favoreceu a forma\u00e7\u00e3o de uma floresta secund\u00e1ria (com 33 anos na \u00e9poca da realiza\u00e7\u00e3o do estudo, em 2016).<\/p>\n<p>Mas para compreender o que \u00e9 uma floresta secund\u00e1ria, primeiro \u00e9 preciso entender o processo sucessional. Em qualquer terreno n\u00e3o ocupado por vegeta\u00e7\u00e3o, se estabelece uma condi\u00e7\u00e3o de vazio ecol\u00f3gico. Essa disponibilidade faz surgirem plantas para colonizarem esse espa\u00e7o. Ao longo do tempo, as esp\u00e9cies v\u00e3o se substituindo, cada uma alterando o ambiente para a esp\u00e9cie seguinte. A esse processo, em que ocorre a mudan\u00e7a da vegeta\u00e7\u00e3o em uma mesma \u00e1rea, \u00e9 dado o nome de sucess\u00e3o.<\/p>\n<p>Quando o processo de sucess\u00e3o come\u00e7a com uma \u201ccomunidade vazia\u201d, \u00e9 denominado de sucess\u00e3o prim\u00e1ria, pois leva \u00e0 forma\u00e7\u00e3o e coloniza\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o sobre um solo rec\u00e9m-formado. Quando h\u00e1 uma vegeta\u00e7\u00e3o estabelecida, e ela \u00e9 totalmente removida por a\u00e7\u00e3o humana para uso tempor\u00e1rio, a recoloniza\u00e7\u00e3o das plantas somente ir\u00e1 ocorrer ap\u00f3s a interrup\u00e7\u00e3o daquele uso. Esse processo de reocupa\u00e7\u00e3o da comunidade de plantas em um local em que elas j\u00e1 habitavam \u00e9 denominado de sucess\u00e3o secund\u00e1ria. A \u00e1rea deste estudo se enquadra neste caso, sendo portanto uma floresta secund\u00e1ria.<\/p>\n<p>Dentro de um total de apenas 0,125 hectare foram registrados 956 indiv\u00edduos vivos, de 56 fam\u00edlias bot\u00e2nicas, 91 g\u00eaneros e 172 esp\u00e9cies, das quais 13 foram identificadas no n\u00edvel de fam\u00edlia, 21 de g\u00eanero e oito plantas n\u00e3o foram identificadas por dificuldade de coleta de material. A \u00e1rea apresentou elevada riqueza de esp\u00e9cies e densidade de indiv\u00edduos. Foram registradas quatro esp\u00e9cies amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o, sendo tr\u00eas a n\u00edveis estadual e nacional: a\u00a0 palmeira-ju\u00e7ara (<em>Euterpe Edulis<\/em>), a bicu\u00edba (<em>Virola bicuhyba<\/em>) e a batinga orelha de burro (<em>Myrcia isaiana<\/em>); e a n\u00edvel global\u00a0uma esp\u00e9cie de canela (<em>Nectandra psammophila<\/em>).<\/p>\n<p>O registro destas quatro esp\u00e9cies amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o mostra a import\u00e2ncia das florestas secund\u00e1rias para a prote\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o e para a conserva\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica. A prote\u00e7\u00e3o destas florestas \u00e9 fundamental sobretudo em regi\u00f5es com florestas maduras e bem conservadas como as da Jur\u00e9ia, que fornecem material biol\u00f3gico possibilitando que as florestas secund\u00e1rias remanescentes alcancem a maturidade a longo prazo.<\/p>\n<p>Em compara\u00e7\u00e3o com outras \u00e1reas de vegeta\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria com 33 anos de idade, os pesquisadores observaram no fragmento estudado um padr\u00e3o mais desenvolvido de regenera\u00e7\u00e3o natural. Segundo eles, o principal fator desta diferen\u00e7a est\u00e1 relacionado com a proximidade a remanescentes florestais bem conservados e isolamento de perturba\u00e7\u00f5es externas como gado, ro\u00e7adas e fogo.<\/p>\n<p>O artigo cient\u00edfico desta pesquisa foi publicado no volume 32, n\u00famero 1, da Revista do Instituto Florestal. <a href=\"https:\/\/smastr16.blob.core.windows.net\/iflorestal\/sites\/234\/2020\/08\/revista-if-32-1-artigo-5-16_08_2020.pdf\">Leia aqui<\/a><\/p>\n<p><strong>Foto: <\/strong>Claudio de Moura<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisa publicada na Revista do Instituto Florestal realizou levantamento da flora de um trecho de Mata Atl\u00e2ntica com hist\u00f3rico de uso agr\u00edcola em Peru\u00edbe, na regi\u00e3o da Baixada Santista. A \u00e1rea estudada fica no entorno imediato da Esta\u00e7\u00e3o Ecol\u00f3gica Jur\u00e9ia-Itatins (EEJI). 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