{"id":19897,"date":"2020-12-07T18:50:13","date_gmt":"2020-12-07T20:50:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/?p=19897"},"modified":"2020-12-07T19:04:36","modified_gmt":"2020-12-07T21:04:36","slug":"pesquisadores-monitoram-atropelamento-de-fauna-no-parque-estadual-morro-do-diabo-e-propoem-medidas-para-a-mitigacao-destes-impactos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/2020\/12\/pesquisadores-monitoram-atropelamento-de-fauna-no-parque-estadual-morro-do-diabo-e-propoem-medidas-para-a-mitigacao-destes-impactos\/","title":{"rendered":"Pesquisadores do IF monitoram atropelamento de fauna no P.E. Morro do Diabo e prop\u00f5em medidas de mitiga\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center\"><strong><em>\u00a0A pesquisa cient\u00edfica do Instituto Florestal e<\/em><\/strong><strong><em>nvolve guardas-parques, Conselho Consultivo, comunidade e diferentes \u00f3rg\u00e3os governamentais, subsidiando h\u00e1 d\u00e9cadas a gest\u00e3o da conserva\u00e7\u00e3o da natureza na regi\u00e3o<\/em><\/strong><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Parque Estadual Morro do Diabo (PEMD) \u00e9 segmentado em um trecho de 14 km pela Rodovia Arlindo Bettio (SP-613), que faz a liga\u00e7\u00e3o entre os munic\u00edpios de Teodoro Sampaio e Rosana. Embora tenha import\u00e2ncia econ\u00f4mica e social por serem corredores de transporte, a estrada fragmenta a paisagem e causa dist\u00farbios \u00e0 fauna e flora. Neste contexto, h\u00e1 tr\u00eas d\u00e9cadas pesquisadores cient\u00edficos do Instituto Florestal (IF) realizam o monitoramento do atropelamento de fauna e prop\u00f5em medidas para a mitiga\u00e7\u00e3o destes impactos na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>O engenheiro florestal Helder Henrique de Faria realizou junto a guardas-parques neste trecho da rodovia, ao longo de dez anos (1989-1999), um monitoramento que contabilizou a morte por atropelamento de 182 indiv\u00edduos de 25 esp\u00e9cies de fauna. Destes, 29 (16%) eram de esp\u00e9cies amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Entre 2002 e 2010, foi realizado um monitoramento mais sistematizado, com o registro de boletins de ocorr\u00eancia visando a obten\u00e7\u00e3o de recursos de Compensa\u00e7\u00e3o Ambiental. A partir da integra\u00e7\u00e3o da bi\u00f3loga Andr\u00e9a Soares Pires ao projeto, em 2004, os dados passaram a ser inseridos em um sistema de informa\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica. Neste per\u00edodo foram contabilizados 56 animais mortos, uma m\u00e9dia de sete ao ano. Este levantamento permitiu definir pontos para a instala\u00e7\u00e3o de quatro conjuntos de radares fotogr\u00e1ficos, bem com outras medidas visando a mitiga\u00e7\u00e3o destes impactos, como a instala\u00e7\u00e3o de sinaliza\u00e7\u00e3o educativa e dois portais nas entradas do trecho que corta o Parque.<\/p>\n<p>&#8220;Em fun\u00e7\u00e3o dos impactos da rodovia sobre a biodiversidade do PEMD registrados, o Conselho Consultivo da Unidade de Conserva\u00e7\u00e3o (UC) e a comunidade foram decisivos na obten\u00e7\u00e3o dos radares, dos alambrados para conduzir a fauna para as passagens subterr\u00e2neas e da manuten\u00e7\u00e3o em geral&#8221;, complementa Helder.<\/p>\n<p>Um terceiro monitoramento, realizado entre 2015 e 2017, foi realizado como projeto de pesquisa, seguindo o rigor do m\u00e9todo cient\u00edfico. &#8220;Mas se observarmos os dados de 2002 a 2010 e os deste \u00faltimo levantamento, mesmo o segundo per\u00edodo n\u00e3o tendo o mesmo protocolo, constatamos que os resultados s\u00e3o bem parecidos. O segundo monitoramento possibilitou inclusive que o trajeto se transformasse em estrada-parque&#8221;, relata Andr\u00e9a.<\/p>\n<p>O <a href=\"https:\/\/www.al.sp.gov.br\/repositorio\/legislacao\/decreto\/2008\/decreto-53146-20.06.2008.html\">Decreto estadual n\u00ba53.146\/2008<\/a> define os par\u00e2metros para a implanta\u00e7\u00e3o, gest\u00e3o e opera\u00e7\u00e3o de estradas no interior de Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o de Prote\u00e7\u00e3o Integral em S\u00e3o Paulo. Conforme <a href=\"http:\/\/amigosdanatureza.org.br\/publicacoes\/index.php\/forum_ambiental\/article\/view\/274\">artigo<\/a> de autoria dos pesquisadores, \u00e9 conhecido como &#8220;decreto estrada-parque&#8221;, muito embora n\u00e3o exista esta categoria de manejo no estado. O decreto prev\u00ea que o \u00f3rg\u00e3o, entidade ou empresa, p\u00fablica ou privada, respons\u00e1vel diretamente pela implanta\u00e7\u00e3o e opera\u00e7\u00e3o da estrada p\u00fablica inserida em UC, deve providenciar um Plano de Implanta\u00e7\u00e3o e um Plano de Gest\u00e3o e Opera\u00e7\u00e3o para cada trecho de estrada. Os trechos de rodovias s\u00e3o transformados em locais especiais com inst\u00e2ncias de decis\u00e3o diferenciadas. No caso do trecho de 14 km da Rodovia Arlindo Bettio (SP-613), por exemplo, h\u00e1 uma gest\u00e3o conjunta entre o Departamento de Estradas e Rodagem (DER) e a Funda\u00e7\u00e3o Florestal, gestora do PEMD.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s passagens de animais silvestres, os pesquisadores observaram que poucas esp\u00e9cies utilizam de fato esses t\u00faneis para as travessias, principalmente animais de pequeno porte como ratos, cotias, tatus e lagartos. As passagens de fauna, mesmo com alambrados condutores, n\u00e3o se mostraram eficazes para a megafauna do Parque, que continua sendo atropelada. Cercar completamente a rodovia fragmentaria mais ainda a Unidade de Conserva\u00e7\u00e3o e diminuiria o fluxo g\u00eanico das esp\u00e9cies.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m foi observada a diminui\u00e7\u00e3o dos atropelamentos de animais nas proximidades dos quatro conjuntos de radares, mas a atitude dos usu\u00e1rios de acelerarem ap\u00f3s passarem os dispositivos provocou algumas mortes nas imedia\u00e7\u00f5es. Os radares fotogr\u00e1ficos aparentemente diminu\u00edram as velocidades m\u00e9dias dos ve\u00edculos e possivelmente os atropelamentos, sendo eficazes para os locais onde est\u00e3o instalados, no entanto produzindo uma altera\u00e7\u00e3o no padr\u00e3o espacial dos atropelamentos.<\/p>\n<p>Deste modo, os pesquisadores concluem que a melhor solu\u00e7\u00e3o \u00e9 a redu\u00e7\u00e3o das velocidades em todo o trecho da rodovia, que \u00e9 de apenas 14 km. &#8220;Para que isso aconte\u00e7a devem ser utilizados a tecnologia dos &#8220;radares inteligentes&#8221; que conseguem extrair e transmitir dados da velocidade m\u00e9dia de ve\u00edculos entre dois pontos, efetuando o registro caso ele esteja acima da velocidade permitida&#8221;, defende Helder.<\/p>\n<p>A taxa de mortalidade de mam\u00edferos foi de 0,0113 indiv\u00edduo por quil\u00f4metro, que significa que a cada seis ve\u00edculos que passem pela estrada, um animal pode ser atropelado, conforme explica Helder. &#8220;O \u00edndice encontrado \u00e9 baixo, mas para uma Unidade de Conserva\u00e7\u00e3o de Prote\u00e7\u00e3o Integral \u00e9 inaceit\u00e1vel qualquer taxa acima de zero,&#8221; refor\u00e7a o pesquisador.<\/p>\n<p>A estimativa de atropelamentos foi de 52 esp\u00e9cimes ao ano, sendo 60% animais de pequeno porte. A riqueza de esp\u00e9cies segundo os tr\u00eas monitoramentos abarca 33 esp\u00e9cies. Os\u00a0 mam\u00edferos mais afetados\u00a0 foram cachorros do mato, antas, tapitis, quatis e tatus. Merece destaque o rat\u00e3o-do-banhado (<em>Myocastor coypus<\/em>), registrado no segundo per\u00edodo, e que agora foi comprovado seu estabelecimento no PEMD, j\u00e1 que n\u00e3o havia registros da esp\u00e9cie no Parque.<\/p>\n<p>Entre os mam\u00edferos ocorreu consider\u00e1vel perda de antas (<em>Tapirus terrestris)<\/em>. Para valorar uma poss\u00edvel Compensa\u00e7\u00e3o Ambiental, os pesquisadores produziram um c\u00e1lculo para os seis indiv\u00edduos atropelados do \u00faltimo monitoramento. Os valores de recupera\u00e7\u00e3o das antas e de compensa\u00e7\u00e3o foram de R$ 1.664.400,00 e R$42.608.640,00, respectivamente.<\/p>\n<p>Os resultados do trabalho &#8220;Monitoramento e gest\u00e3o dos impactos da rodovia SP-613 no Parque Estadual do Morro do Diabo, S\u00e3o Paulo, Brasil&#8221; ser\u00e3o apresentados no <span class=\"color_15\"><a href=\"https:\/\/www.cibiv2020.com.br\/\">III Congresso Iberoamericano de Biodiversidade e Infraestrutura Vi\u00e1ria (CIBIV 2020)<\/a>, que acontece de 7 a 11 de dezembro em ambiente virtual.<\/span><\/p>\n<div class=\"wc-gallery\"><div class='wcflexslider-container wc-gallery-bottomspace-default wc-gallery-clear'><div id='gallery-1' class='gallery wc-gallery-captions-onhover gallery-link-file wcflexslider wcsliderauto' data-gutter-width='5' data-columns='1' data-hide-controls='false'><ul class='slides'>\n\t\t\t\t<li class='gallery-item gallery-item-position-1 gallery-item-attachment-19946 wcflex-slide-item'>\n\t\t\t\t\t<div class='gallery-icon portrait'>\n\t\t\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/smastr16.blob.core.windows.net\/iflorestal\/sites\/234\/2020\/12\/whatsapp-image-2020-12-07-at-09.44.35.jpeg\" target=\"_self\"><img src='https:\/\/smastr16.blob.core.windows.net\/iflorestal\/sites\/234\/2020\/12\/whatsapp-image-2020-12-07-at-09.44.35.jpeg' width='430' height='431' alt='' \/><\/a>\n\t\t\t\t\t<\/div><\/li>\n\t\t\t\t<li class='gallery-item gallery-item-position-2 gallery-item-attachment-19947 wcflex-slide-item'>\n\t\t\t\t\t<div class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/smastr16.blob.core.windows.net\/iflorestal\/sites\/234\/2020\/12\/whatsapp-image-2020-12-07-at-09.44.48.jpeg\" target=\"_self\"><img src='https:\/\/smastr16.blob.core.windows.net\/iflorestal\/sites\/234\/2020\/12\/whatsapp-image-2020-12-07-at-09.44.48.jpeg' width='387' height='387' alt='' \/><\/a>\n\t\t\t\t\t<\/div><\/li>\n\t\t\t\t<li class='gallery-item gallery-item-position-3 gallery-item-attachment-19948 wcflex-slide-item'>\n\t\t\t\t\t<div class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/smastr16.blob.core.windows.net\/iflorestal\/sites\/234\/2020\/12\/whatsapp-image-2020-12-07-at-09.46.09.jpeg\" target=\"_self\"><img src='https:\/\/smastr16.blob.core.windows.net\/iflorestal\/sites\/234\/2020\/12\/whatsapp-image-2020-12-07-at-09.46.09.jpeg' width='395' height='385' alt='' \/><\/a>\n\t\t\t\t\t<\/div><\/li>\n\t\t\t\t<li class='gallery-item gallery-item-position-4 gallery-item-attachment-19949 wcflex-slide-item'>\n\t\t\t\t\t<div class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/smastr16.blob.core.windows.net\/iflorestal\/sites\/234\/2020\/12\/whatsapp-image-2020-12-07-at-09.46.35.jpeg\" target=\"_self\"><img src='https:\/\/smastr16.blob.core.windows.net\/iflorestal\/sites\/234\/2020\/12\/whatsapp-image-2020-12-07-at-09.46.35.jpeg' width='395' height='374' alt='' \/><\/a>\n\t\t\t\t\t<\/div><\/li><\/ul><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0A pesquisa cient\u00edfica do Instituto Florestal envolve guardas-parques, Conselho Consultivo, comunidade e diferentes \u00f3rg\u00e3os governamentais, subsidiando h\u00e1 d\u00e9cadas a gest\u00e3o da conserva\u00e7\u00e3o da natureza na regi\u00e3o &nbsp; 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