{"id":17857,"date":"2019-09-24T10:44:05","date_gmt":"2019-09-24T13:44:05","guid":{"rendered":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/?p=17857"},"modified":"2019-09-25T14:06:03","modified_gmt":"2019-09-25T17:06:03","slug":"instituto-florestal-pesquisa-sementes-da-araucaria-especie-ameacada-de-relevancia-ecologica-cultural-e-nutricional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/2019\/09\/instituto-florestal-pesquisa-sementes-da-araucaria-especie-ameacada-de-relevancia-ecologica-cultural-e-nutricional\/","title":{"rendered":"Instituto Florestal pesquisa sementes da arauc\u00e1ria, esp\u00e9cie amea\u00e7ada e de relev\u00e2ncia ecol\u00f3gica, cultural e nutricional"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><em>Vejo uma Arauc\u00e1ria,<\/em><br \/>\n<em>solit\u00e1ria pela janela<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><em>Tomando sozinha uma fria geada,<\/em><br \/>\n<em>e me pego pensando<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><em>Na tristeza que abete sobre ela,<\/em><br \/>\n<em>ao ver suas irm\u00e3s e irm\u00e3os<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><em>Cortadas e ostentadas<\/em><br \/>\n<em>em restaurantes e sal\u00f5es.<\/em><\/p>\n<p>O trecho do poema de Felipe Teixeira Moraes fala de um dos \u00fanicos pinheiros brasileiro, amea\u00e7ado de extin\u00e7\u00e3o. Em 2013 a arauc\u00e1ria passou para a categoria \u201c<a href=\"https:\/\/www.iucnredlist.org\/species\/32975\/2829141\">Criticamente em perigo<\/a>\u201d na \u201c<a href=\"https:\/\/www.iucn.org\/resources\/conservation-tools\/iucn-red-list-threatened-species\">Lista Vermelha de Esp\u00e9cies Amea\u00e7adas<\/a>\u201d da <a href=\"https:\/\/www.iucn.org\/about\/\">Uni\u00e3o Internacional para a Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza &#8211; IUCN<\/a> em fun\u00e7\u00e3o da cont\u00ednua redu\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Originalmente a \u00e1rea florestal da\u00a0<i>Araucaria angustifolia<\/i> era de 185.000 km2, distribuindo-se nas regi\u00f5es sul e sudeste do pa\u00eds, principalmente no estado do Paran\u00e1. Entretanto, a partir do come\u00e7o do s\u00e9culo passado, a esp\u00e9cie sofreu uma indiscriminada explora\u00e7\u00e3o em fun\u00e7\u00e3o de sua relev\u00e2ncia econ\u00f4mica e social, o que levou \u00e0 redu\u00e7\u00e3o de seu habitat natural. Estima-se que atualmente esteja limitada a uma pequena porcentagem (de 1 a 5%) da \u00e1rea original.<\/p>\n<p>Considerada um &#8220;f\u00f3ssil vivo&#8221;, j\u00e1 que \u00e9 uma esp\u00e9cie primitiva com milhares de anos de exist\u00eancia no planeta, a arauc\u00e1ria \u00e9 um elemento importante para a biodiversidade da Mata Atl\u00e2ntica. Podendo atingir uma altura de at\u00e9 50 metros quando adulta, e viver em m\u00e9dia at\u00e9 os 250 anos, o pinheiro apresenta um tronco alongado com ramifica\u00e7\u00f5es apenas na copa, possuindo formato semelhante a uma ta\u00e7a.<\/p>\n<p>A<i> <\/i>arauc\u00e1ria \u00e9 uma esp\u00e9cie di\u00f3ica, ou seja, existem \u00e1rvores masculinas e femininas sendo que o p\u00f3len produzido nos estr\u00f3bilos masculinos deve atingir os estr\u00f3bilos femininos para a fecunda\u00e7\u00e3o e desenvolvimento das pinhas. A arauc\u00e1ria tamb\u00e9m \u00e9 famosa pelas suas sementes, denominadas pinh\u00f5es, consideradas um importante Produto Florestal N\u00e3o Madeireiro (PFNM), termo que se refere aos diferentes produtos extra\u00eddos de ambientes florestais, como frutas, fibras e sementes. Os PFNM constituem um meio de sustento para muitas comunidades, e fazem parte de pr\u00e1tica ancestral que mant\u00e9m a estrutura e funcionalidade das florestas. Sendo apontados como uma forma capaz de manter a biodiversidade de maneira sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>&#8220;A redu\u00e7\u00e3o da \u00e1rea de ocorr\u00eancia da arauc\u00e1ria gera um impacto ambiental negativo para a alimenta\u00e7\u00e3o da fauna nativa. Os pinh\u00f5es representam um importante recurso tanto para aves como papagaios, maritacas e gralhas, quanto para mam\u00edferos como veado, anta, paca, porco do mato e esquilo. Socialmente, afeta o sustento de comunidades rurais, e impacta a economia advindo da redu\u00e7\u00e3o na oferta de madeira, que pode ser produzida em plantios devidamente regulamentados,&#8221; explica o pesquisador cient\u00edfico do Instituto Florestal, Roberto Starzynski.<\/p>\n<p>O pinh\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 um alimento de alto valor nutricional, rico em calorias, fibras e v\u00e1rios minerais como pot\u00e1ssio, zinco e ferro.<\/p>\n<p>Autor de um <a href=\"https:\/\/smastr16.blob.core.windows.net\/iflorestal\/2019\/09\/ifsr_56_v3_art_3.pdf\">estudo<\/a> publicado no peri\u00f3dico <a href=\"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/publicacoes-if\/if-serie-registros\/\">IF S\u00e9rie Registros<\/a> que analisou a distribui\u00e7\u00e3o temporal da queda das sementes da arauc\u00e1ria entre os anos de 2012 a 2017, Starzynski constatou, que tanto a produ\u00e7\u00e3o anual, quanto o per\u00edodo de queda apresentaram varia\u00e7\u00f5es significativas. A produ\u00e7\u00e3o de sementes, das 11 \u00e1rvores estudadas, variou de 172 a 351 kg. O per\u00edodo de queda se concentrou nos meses de mar\u00e7o a maio, mas possuiu uma varia\u00e7\u00e3o de 56 a 94 dias de dura\u00e7\u00e3o. A pesquisa evidencia a dificuldade de se estabelecer, via legisla\u00e7\u00e3o, uma data fixa para o in\u00edcio da atividade de coleta.<\/p>\n<p>O experimento foi desenvolvido no <a href=\"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/pesm\/nucleos\/cunha\/\">Parque Estadual da Serra do Mar \u2013 N\u00facleo Cunha<\/a>, localizado na regi\u00e3o sudoeste do munic\u00edpio de Cunha. Representando a maior produ\u00e7\u00e3o de pinh\u00e3o no estado de S\u00e3o Paulo, a arauc\u00e1ria \u00e9 uma esp\u00e9cie importante para a paisagem e economia do munic\u00edpio de Cunha. J\u00e1 que atra\u00ed turistas, o desenvolvimento de festivais e exposi\u00e7\u00f5es sobre a \u00e1rvore, produzindo gera\u00e7\u00e3o de renda significativa para a economia local.<\/p>\n<p>A arauc\u00e1ria tamb\u00e9m enfrenta dificuldades em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Neste cen\u00e1rio, Starzynski aponta que com o aumento de temperatura deve-se esperar uma diminui\u00e7\u00e3o da quantidade de pinh\u00f5es produzidos. &#8220;A quantidade de p\u00f3len produzido pelos indiv\u00edduos masculinos diminui significativamente nos anos com maior temperatura m\u00e9dia, com consequ\u00eancias na produ\u00e7\u00e3o de sementes. Os gr\u00e3os de p\u00f3len s\u00e3o grandes em compara\u00e7\u00e3o com outras esp\u00e9cies de con\u00edferas e t\u00eam uma velocidade de dispers\u00e3o relativamente baixa. A umidade \u00e9 um fator fundamental para a libera\u00e7\u00e3o e transporte do p\u00f3len. Em dias de sol e com vento ocorre uma nuvem de p\u00f3len, enquanto que nos dias chuvosos a alta umidade e a menor temperatura impedem a libera\u00e7\u00e3o e transporte do p\u00f3len e, consequentemente, a poliniza\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o de sementes. Portanto, as safras apresentam depend\u00eancia das condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, que variam de ano a ano, e acarretam diferentes produ\u00e7\u00f5es anuais&#8221;.<\/p>\n<p>Entre os anos estudados destaca-se o de 2015, que apresentou a maior produ\u00e7\u00e3o de sementes. &#8220;Na \u00e9poca da poliniza\u00e7\u00e3o que resultou nesta safra, as condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas foram favor\u00e1veis para a produ\u00e7\u00e3o e dispers\u00e3o do p\u00f3len&#8221;, explica o pesquisador.<\/p>\n<p>Um <a href=\"https:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/abs\/10.1111\/gcb.14755\">estudo<\/a> da Universidade de Reading (Reino Unido) revela que as arauc\u00e1rias podem desaparecer por completo at\u00e9 2070 devido \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas caso n\u00e3o haja interven\u00e7\u00f5es direcionadas para ajudar a garantir sua sobreviv\u00eancia na natureza.<\/p>\n<p>Roberto Starzynski chama aten\u00e7\u00e3o da grande car\u00eancia de estudos que determinem a intensidade de coleta adequada para garantir a manuten\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie e ao mesmo tempo gerar renda para as comunidades coletoras. Por este motivo, o autor enfatiza a necessidade de mais pesquisas sobre esp\u00e9cie<i>. <\/i>&#8220;\u00c9 atrav\u00e9s das sementes que se obt\u00e9m o aumento da distribui\u00e7\u00e3o da arauc\u00e1ria pelo territ\u00f3rio, o que \u00e9 necess\u00e1rio para frear a cont\u00ednua redu\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie no pa\u00eds. Estudos realizados a partir das sementes podem fornecer o melhoramento gen\u00e9tico da esp\u00e9cie com a consequente produ\u00e7\u00e3o de mudas de maior crescimento, mais produtivas e melhor adaptadas \u00e0s diferentes regi\u00f5es de plantio&#8221;, conclui.<\/p>\n<p><strong>Texto:<\/strong> Amanda Nunes<\/p>\n<p><strong>Foto:<\/strong> Paulo Andreetto de Muzio<\/p>\n<p><strong>Mais informa\u00e7\u00f5es:<\/strong>\u00a0Roberto Starzynski &#8211;\u00a0<a href=\"mailto:rostarzynski@hotmail.com\"><em>rostarzynski@hotmail.com<\/em><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vejo uma Arauc\u00e1ria, solit\u00e1ria pela janela Tomando sozinha uma fria geada, e me pego pensando Na tristeza que abete sobre ela, ao ver suas irm\u00e3s e irm\u00e3os Cortadas e ostentadas em restaurantes e sal\u00f5es. O trecho do poema de Felipe Teixeira Moraes fala de um dos \u00fanicos pinheiros brasileiro, amea\u00e7ado de extin\u00e7\u00e3o. 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