{"id":14164,"date":"2017-12-23T09:00:05","date_gmt":"2017-12-23T11:00:05","guid":{"rendered":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/?p=14164"},"modified":"2018-02-07T12:02:20","modified_gmt":"2018-02-07T14:02:20","slug":"e-ex-sta-rita-do-passa-quatro-se-destaca-por-patrimonio-florestal-historico-e-cientifico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/2017\/12\/e-ex-sta-rita-do-passa-quatro-se-destaca-por-patrimonio-florestal-historico-e-cientifico\/","title":{"rendered":"E. Ex. Sta Rita do Passa Quatro se destaca por patrim\u00f4nio florestal, hist\u00f3rico e cient\u00edfico"},"content":{"rendered":"<p>A Esta\u00e7\u00e3o Experimental de Santa Rita do Passa Quatro \u00e9 uma \u00e1rea protegida administrada pelo Instituto Florestal (IF), \u00f3rg\u00e3o da Secretaria do Meio Ambiente do Estado de S\u00e3o Paulo. A unidade se destaca pelo patrim\u00f4nio florestal de grande valor hist\u00f3rico, cient\u00edfico e educacional, podendo ser considerada um \u201cMuseu Vivo\u201d.\u00a0Suas belezas c\u00eanicas, clima apraz\u00edvel e saud\u00e1vel e proximidade \u00e0 sede do munic\u00edpio, aliados aos conhecimentos hist\u00f3rico, cultural e cient\u00edfico desenvolvido ao longo de sua exist\u00eancia, a credenciam para o desenvolvimento de atividades de educa\u00e7\u00e3o ambiental, lazer contemplativo e ecoturismo.<\/p>\n<p>Neste dia 23 de dezembro a Esta\u00e7\u00e3o Experimental de Santa Rita do Passa Quatro comemora 68 anos desde o decreto (n\u00ba 19.032-C, de 1949) que a transferiu para o Servi\u00e7o Florestal (atual Instituto Florestal), juntamente com a Esta\u00e7\u00e3o Experimental de Tupi (Piracicaba), iniciando per\u00edodo fecundo em pesquisa, experimenta\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o florestal.<\/p>\n<p>Esta unidade de pesquisa teve sua origem ao final da d\u00e9cada de 1930, quando vinculada a Secretaria da Agricultura, Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio do Estado, constituiu-se em um campo de demonstra\u00e7\u00e3o do Departamento de Fomento da Produ\u00e7\u00e3o do Instituto Agron\u00f4mico. Mas sua hist\u00f3ria remonta o auge da economia cafeeira, algumas d\u00e9cadas antes.<\/p>\n<p><strong>Terreno f\u00e9rtil<br \/>\n<\/strong>Ao final do s\u00e9culo XIX, no auge da cafeicultura, o munic\u00edpio de Santa Rita do Passa Quatro teve destaque como produtor na regi\u00e3o. Sua localiza\u00e7\u00e3o em uma altitude superior \u00e0quelas at\u00e9 ent\u00e3o ocupadas pelo caf\u00e9 em territ\u00f3rio paulista, constituia-se numa menor possibilidade de ocorr\u00eancia das geadas, tornando o munic\u00edpio como um dos mais cobi\u00e7ados no per\u00edodo de 1887 a 1890. Outros fatores, como solos, clima, topografia e infraestrutura agr\u00edcola, tamb\u00e9m foram favor\u00e1veis.<\/p>\n<p>Neste contexto, a estabilidade clim\u00e1tica e a variedade de tipos de vegeta\u00e7\u00e3o e ambiente, al\u00e9m da localiza\u00e7\u00e3o no Estado, tamb\u00e9m foram decisivas e estrat\u00e9gicas para a instala\u00e7\u00e3o de um espa\u00e7o de pesquisa e experimenta\u00e7\u00e3o que atendesse as demandas e objetivos \u00e0 \u00e9poca.<\/p>\n<p>O munic\u00edpio apresentava desde matas exuberantes (onde se destacam enormes exemplares de jequitib\u00e1s-rosa), at\u00e9 fitofisionomias de Cerrado (desde o campo limpo ao cerrad\u00e3o, al\u00e9m de grandes por\u00e7\u00f5es de Floresta Paludosa ao longo dos rios que drenam esta paisagem).<\/p>\n<p>A economia cafeeira atraiu grande n\u00famero de agricultores de outras regi\u00f5es, em especial de imigrantes que a partir de meados do s\u00e9culo XIX intensificaram a vinda ao ent\u00e3o Imp\u00e9rio do Brasil, motivados pelas oportunidades. Em 1840 o Brasil j\u00e1 era o maior produtor de caf\u00e9 do mundo.<\/p>\n<p><strong>Ocupa\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio e expans\u00e3o ferrovi\u00e1ria<br \/>\n<\/strong>Ao final do s\u00e9culo XIX e in\u00edcio do s\u00e9culo XX, a economia cafeeira caminhava a passos largos, ocupando o territ\u00f3rio, criando oportunidades e trazendo desenvolvimento \u00e0s diversas regi\u00f5es do Estado: partindo do Vale do Para\u00edba, passando pela regi\u00e3o da cidade de S\u00e3o Paulo e expandindo-se pelo nordeste do Estado, que j\u00e1 possu\u00eda uma infraestrutura agr\u00edcola estabelecida. Este processo de expans\u00e3o e ocupa\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio paulista proporcionou a expans\u00e3o da malha ferrovi\u00e1ria.<\/p>\n<p>Trilhos foram estendidos pra para v\u00e1rios destinos do Estado, com o objetivo de escoar a produ\u00e7\u00e3o, levando mantimentos e produtos de toda a natureza \u00e0s mais long\u00ednquas regi\u00f5es, al\u00e9m de se prestar como meio de transporte e \u00a0de comunica\u00e7\u00e3o para boa parte da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Entretanto, a expans\u00e3o das ferrovias deveu-se n\u00e3o apenas a necessidade de escoamento da produ\u00e7\u00e3o cafeeira (cuja exporta\u00e7\u00e3o se dava atrav\u00e9s do porto de Santos) e pela necessidade de transporte da popula\u00e7\u00e3o e de outros bens, mas tamb\u00e9m motivada pela oferta de madeira obtida de desmatamentos que se expandiam para o norte e o oeste. A madeira era utilizada para a queima em locomotivas, dormentes, mour\u00f5es e postes telegr\u00e1ficos ao longo das ferrovias, promovendo a comunica\u00e7\u00e3o entre as esta\u00e7\u00f5es ferrovi\u00e1rias e os povoados que se constitu\u00edam.<\/p>\n<p><strong>Uma cultura exigente e recursos finitos<br \/>\n<\/strong>A cultura do caf\u00e9 por suas caracter\u00edsticas e exig\u00eancias foi a grande motivadora do processo ocorrido neste per\u00edodo. N\u00e3o apenas pelo suporte econ\u00f4mico proporcionado, mas tamb\u00e9m pelo fato de normalmente ocupar solos de boa fertilidade e de boas caracter\u00edsticas f\u00edsicas, regi\u00f5es clim\u00e1ticas favor\u00e1veis sem extremos clim\u00e1ticos, sem secas prolongadas ou temperaturas muito altas ou baixas, tratando-se de cultura suscept\u00edvel a geadas, condi\u00e7\u00f5es aptas observadas em boa parte do interior de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Assim, estabelecido o cultivo em \u00e1reas de matas cuja vegeta\u00e7\u00e3o exuberante sinalizava as boas condi\u00e7\u00f5es de solo para a cultura, ap\u00f3s algumas safras com o esgotamento do solo, por n\u00e3o dispor a \u00e9poca de conhecimento e tecnologia agr\u00edcola que permitisse a recupera\u00e7\u00e3o de sua fertilidade e sua conserva\u00e7\u00e3o, abriam-se novas \u00e1reas para o cultivo.<\/p>\n<p>As \u00e1reas de vegeta\u00e7\u00e3o de Cerrado (identificadas \u00e0 \u00e9poca como Campos), por tratarem-se de solos de baixa fertilidade, \u00e1cidos e arenosos de baixa reten\u00e7\u00e3o h\u00eddrica na camada superficial, eram simplesmente ignoradas para o cultivo.<\/p>\n<p>Passado o per\u00edodo \u00e1ureo da economia cafeeira, a partir do in\u00edcio do s\u00e9culo XX, a cultura passou a declinar, n\u00e3o s\u00f3 pelo excesso de produ\u00e7\u00e3o, como tamb\u00e9m pelo baixo pre\u00e7o obtido pelo produto no mercado mundial. Esta situa\u00e7\u00e3o perdurou at\u00e9 que houve a quebra da bolsa de valores de Nova York, em 1929, o que levou \u00e0 bancarrota in\u00fameros produtores rurais no Brasil que tiveram que vender suas propriedades, dividi-las ou substituir os cafezais por outras culturas ou mesmo migrar para outra atividade ou regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Passado o ciclo da economia cafeeira, grande parte do territ\u00f3rio do Estado apresentava-se j\u00e1 descoberto.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone  wp-image-14168\" src=\"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2017\/12\/cobertura_vegetal_estado.jpg\" alt=\"\" width=\"599\" height=\"372\" srcset=\"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2017\/12\/cobertura_vegetal_estado.jpg 1000w, https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2017\/12\/cobertura_vegetal_estado-300x186.jpg 300w, https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2017\/12\/cobertura_vegetal_estado-768x477.jpg 768w, https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2017\/12\/cobertura_vegetal_estado-435x270.jpg 435w, https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2017\/12\/cobertura_vegetal_estado-250x155.jpg 250w, https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2017\/12\/cobertura_vegetal_estado-156x97.jpg 156w, https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2017\/12\/cobertura_vegetal_estado-68x42.jpg 68w, https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2017\/12\/cobertura_vegetal_estado-129x80.jpg 129w, https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2017\/12\/cobertura_vegetal_estado-159x99.jpg 159w, https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2017\/12\/cobertura_vegetal_estado-70x43.jpg 70w, https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2017\/12\/cobertura_vegetal_estado-330x205.jpg 330w, https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2017\/12\/cobertura_vegetal_estado-69x43.jpg 69w\" sizes=\"(max-width: 599px) 100vw, 599px\" \/><\/p>\n<p><strong>Novo ciclo, novos desafios<br \/>\n<\/strong>J\u00e1 na d\u00e9cada de 1930, o Estado de S\u00e3o Paulo, atrav\u00e9s de seus \u00f3rg\u00e3os de pesquisa e extens\u00e3o rural, passou a identificar culturas promissoras, de acordo com as demandas e a voca\u00e7\u00e3o de cada regi\u00e3o. Assim, os cafezais passaram a ser substitu\u00eddos por culturas como arroz, milho, feij\u00e3o, algod\u00e3o, fumo, laranja e ocorreu o fortalecimento das usinas a\u00e7ucareiras, com grandes \u00e1reas cultivadas com cana-de-a\u00e7\u00facar. A pecu\u00e1ria bovina tamb\u00e9m expandiu seu territ\u00f3rio, j\u00e1 que mesmo antes dos cafezais, j\u00e1 ocupava espa\u00e7o na economia em v\u00e1rias regi\u00f5es do Estado, a princ\u00edpio com ra\u00e7as europeias, posteriormente com as zebu\u00ednas. Ainda assim a cultura cafeeira manteve a produ\u00e7\u00e3o em algumas regi\u00f5es mais favor\u00e1veis e que j\u00e1 dispunham de tecnologia para obter e manter produtividade em \u00e1reas j\u00e1 estabelecidas e pr\u00f3ximas aos mercados consumidores.<\/p>\n<p>O processo de ocupa\u00e7\u00e3o de solos de mata manteve-se para o oeste, n\u00e3o s\u00f3 para a cultura do caf\u00e9, como para outras promissoras.<\/p>\n<p>Este contexto explica a necessidade de intensifica\u00e7\u00e3o da pesquisa e da experimenta\u00e7\u00e3o a partir de 1930, com a valoriza\u00e7\u00e3o das infraestruturas agr\u00edcola e agr\u00e1ria estabelecidas no per\u00edodo anterior, inclusive a voca\u00e7\u00e3o \u00e0s atividades rurais de boa parte da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da dificuldade de mercado imposta, outra realidade que se impunha (a S\u00e3o Paulo e aos demais estados e regi\u00f5es que promoveram o cultivo do caf\u00e9 em larga escala) dizia respeito \u00e0 obten\u00e7\u00e3o de madeira. Sua oferta diminuiu drasticamente e sua disponibilidade era em regi\u00f5es cada vez mais long\u00ednquas. E o consumo aumentava rapidamente. Al\u00e9m da manuten\u00e7\u00e3o de demanda das ferrovias, setores como constru\u00e7\u00e3o civil, urbaniza\u00e7\u00e3o, transporte, utens\u00edlios dom\u00e9sticos, ferramentas, olarias, padarias e mesmo aquecimento e ilumina\u00e7\u00e3o se intensificaram no per\u00edodo.<\/p>\n<p>Parte da popula\u00e7\u00e3o que residia no campo, principalmente nas grandes propriedades, migrou para os grandes centros. J\u00e1 havia \u00e0 \u00e9poca a preocupa\u00e7\u00e3o com o esgotamento de nossas florestas.<\/p>\n<p>Era evidente o processo de extrativismo imposto ao Pinheiro-do-Paran\u00e1 (<em>Araucaria angustifolia)<\/em>, esp\u00e9cie de ocorr\u00eancia em estados brasileiros do sul e sudeste, mas com destaque ao sul, em especial no Estado do Paran\u00e1, apresentando extensas \u00e1reas de florestas nativas com predomin\u00e2ncia desta esp\u00e9cie. Sua madeira de uso m\u00faltiplo e seus produtos eram fornecidos para v\u00e1rias regi\u00f5es do Brasil e exportados para v\u00e1rios pa\u00edses. A esp\u00e9cie era utilizada no madeiramento de casas, na fabrica\u00e7\u00e3o de mobili\u00e1rio e utens\u00edlios dom\u00e9sticos, caixotaria, laminados e tamb\u00e9m para obten\u00e7\u00e3o de celulose para a produ\u00e7\u00e3o de papel.<\/p>\n<p><strong>C\u00f3digo Florestal<br \/>\n<\/strong>Neste contexto, o Governo Federal enunciou o 1\u00ba C\u00f3digo Florestal Brasileiro (Decreto n\u00ba 23.793 de 1934).<\/p>\n<p>O Decreto estabelecia, dentre outras disposi\u00e7\u00f5es, a manuten\u00e7\u00e3o pelos propriet\u00e1rios rurais de 25% da \u00e1rea de seus im\u00f3veis com a cobertura de mata original, sendo conhecida como a quarta parte (n\u00e3o definindo, por outro lado, em quais partes das terras, margens dos rios ou outras, a floresta deveria ser preservada).Denotava, no entanto, j\u00e1 a preocupa\u00e7\u00e3o com a preserva\u00e7\u00e3o ambiental ao criar a figura de florestas protetoras, para garantir a sa\u00fade de nascentes, rios, lagos e \u00e1reas de risco como encostas \u00edngremes, dunas, etc. Posteriormente, este conceito daria origem \u00e0s \u00c1reas de Preserva\u00e7\u00e3o Permanente (APPs).<\/p>\n<p>Este C\u00f3digo faz ainda men\u00e7\u00e3o \u00e0s florestas remanescentes e modelos, uma j\u00e1 clara percep\u00e7\u00e3o do poder p\u00fablico \u00e0s Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o de Prote\u00e7\u00e3o Integral (Parques, Reservas Biol\u00f3gicas e Ecol\u00f3gicas, etc.) e \u00e0quelas de Uso Sustent\u00e1vel (Florestas Estaduais, Hortos Florestais\/Experimentais, Reservas Extrativistas e demais), buscando assim estabelecer uma din\u00e2mica de ocupa\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio, de manejo e prote\u00e7\u00e3o aos recursos naturais, o que at\u00e9 ent\u00e3o n\u00e3o obedecia nenhum crit\u00e9rio ou orienta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>A necessidade de se fazer pesquisa<br \/>\n<\/strong>As Companhias Ferrovi\u00e1rias j\u00e1 vinham investindo na produ\u00e7\u00e3o de madeira para o seu pr\u00f3prio consumo, pois a obten\u00e7\u00e3o de madeira era de regi\u00f5es cada vez mais long\u00ednquas. Assim, adquiriram grandes \u00e1reas e promoveram o plantio de esp\u00e9cies de r\u00e1pido crescimento, com potencial para obten\u00e7\u00e3o de lenha, carv\u00e3o, dormentes, postes e mour\u00f5es.<\/p>\n<p>Dentre as que se apresentaram com grande potencial, destacaram-se as esp\u00e9cies do g\u00eanero <em>Eucalyptus.<\/em> Origin\u00e1rio da Austr\u00e1lia, foi investigado no Brasil a partir de 1904 atrav\u00e9s do trabalho pioneiro de Edmundo Navarro de Andrade nos Hortos da Companhia Paulista de Estradas de Ferro, em especial em Rio Claro, onde implantou e avaliou in\u00fameras esp\u00e9cies das mais de 600 deste g\u00eanero.<\/p>\n<p>Outra lacuna, no entanto, persistia. Embora houvesse um consumo intenso de madeira, em especial de nativas, pouco se conhecia sobre as caracter\u00edsticas silviculturais e ecol\u00f3gicas destas esp\u00e9cies: crescimento, comportamento e rendimento das mesmas quando implantadas em plantios homog\u00eaneos, consorciados ou heterog\u00eaneos.<\/p>\n<p>Diante deste quadro, de demanda cada vez maior de consumo de madeira \u00e0s mais variadas finalidades, era evidente a conveni\u00eancia de identificar esp\u00e9cies de madeira com caracter\u00edsticas similares ao Pinheiro-do-Paran\u00e1, n\u00e3o s\u00f3 para suprir a j\u00e1 not\u00f3ria escassez, mas tamb\u00e9m prevenir o esgotamento da esp\u00e9cie.<\/p>\n<p>O Estado de S\u00e3o Paulo sempre foi grande consumidor, mas tradicionalmente n\u00e3o produtor de florestas. Al\u00e9m disso, havia a necessidade de promover e disseminar atrav\u00e9s de pesquisa, experimenta\u00e7\u00e3o e extens\u00e3o os conhecimentos sobre as florestas naturais e de sua composi\u00e7\u00e3o, assim como do potencial madeireiro e de outros produtos florestais das esp\u00e9cies arb\u00f3reas nativas e ex\u00f3ticas. Neste contexto, sob coordena\u00e7\u00e3o do ent\u00e3o Servi\u00e7o Florestal (atual Instituto Florestal), o Estado incrementou os conhecimentos sobre implanta\u00e7\u00e3o, manejo, explora\u00e7\u00e3o e conserva\u00e7\u00e3o de florestas. Determinados espa\u00e7os at\u00e9 ent\u00e3o utilizados \u00e0s culturas agr\u00edcolas destinando, foram destinados \u00e0 pesquisa, experimenta\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o florestal. Deu-se in\u00edcio assim \u00e0s atividades ao Horto Experimental, hoje Esta\u00e7\u00e3o Experimental de Santa Rita do Passa Quatro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Mais informa\u00e7\u00f5es:\u00a0<\/strong>Heverton Jos\u00e9 Ribeiro &#8211; Tel. (19) 3582-1807<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Esta\u00e7\u00e3o Experimental de Santa Rita do Passa Quatro \u00e9 uma \u00e1rea protegida administrada pelo Instituto Florestal (IF), \u00f3rg\u00e3o da Secretaria do Meio Ambiente do Estado de S\u00e3o Paulo. 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