{"id":13483,"date":"2017-10-05T10:00:41","date_gmt":"2017-10-05T13:00:41","guid":{"rendered":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/?p=13483"},"modified":"2017-10-05T10:34:54","modified_gmt":"2017-10-05T13:34:54","slug":"conhecendo-as-grandes-areas-de-pesquisa-do-if-secao-de-melhoramento-florestal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/2017\/10\/conhecendo-as-grandes-areas-de-pesquisa-do-if-secao-de-melhoramento-florestal\/","title":{"rendered":"Conhecendo as Grandes \u00c1reas de Pesquisa do IF: Se\u00e7\u00e3o de Melhoramento Florestal"},"content":{"rendered":"<p>Voc\u00ea conhece a origem da sua fam\u00edlia? Sabe qual a import\u00e2ncia dela? Quais s\u00e3o os feitos do passado? Pois bem, a tend\u00eancia das fam\u00edlias \u00e9 sempre deixar descendentes que contem sua hist\u00f3ria, mantenham seu \u201csangue\u201d no maior n\u00famero de locais poss\u00edvel, expandam seus dom\u00ednios para diversas regi\u00f5es habit\u00e1veis do planeta, assim como fez Gengis Khan em suas incont\u00e1veis conquistas e na forma\u00e7\u00e3o de diversos cl\u00e3s administrados pelos seus filhos. \u201cPara as esp\u00e9cies arb\u00f3reas \u00e9 assim que ocorre tamb\u00e9m\u201d, explica o Dr Miguel Luiz Menezes Freitas, pesquisador cient\u00edfico da Se\u00e7\u00e3o de Melhoramento Florestal do Instituto Florestal do Estado de S\u00e3o Paulo (IF).<\/p>\n<p>O Grupo de Conserva\u00e7\u00e3o e Melhoramento Gen\u00e9tico Florestal do IF, coordenado por Freitas, trabalha para que esp\u00e9cies arb\u00f3reas nativas (que foram coletadas em diversos locais do Estado de S\u00e3o Paulo e do Brasil) e ex\u00f3ticas (principalmente do g\u00eanero <em>Pinus<\/em> e <em>Eucalyptus<\/em> oriundas de diversas partes do planeta) possam deixar seus gen\u00f3tipos ao longo das gera\u00e7\u00f5es, preservando a identidade gen\u00e9tica das esp\u00e9cies florestais. \u00c9 como uma extens\u00e3o da Se\u00e7\u00e3o de Silvicultura, onde s\u00e3o realizadas pesquisas com o armazenamento de sementes. Na Se\u00e7\u00e3o de Melhoramento Florestal os estudos partem das sementes que s\u00e3o conservadas vivas, plantadas na forma de Banco Ativo de Germoplasma, para posteriores estudos e coleta de material para restaura\u00e7\u00e3o de \u00e1reas degradadas e produ\u00e7\u00e3o madeireira de qualidade.<\/p>\n<p>A conserva\u00e7\u00e3o de recursos gen\u00e9ticos florestais \u00e9 s\u00f3 uma das diversas linhas de pesquisa da Se\u00e7\u00e3o de Melhoramento Gen\u00e9tico Florestal do IF. Essa Se\u00e7\u00e3o desenvolve tamb\u00e9m estudos relacionados \u00e0 biologia e sistema de reprodu\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies, fluxo g\u00eanico, gen\u00e9tica quantitativa, bem como melhoramento de esp\u00e9cies arb\u00f3reas nativas e ex\u00f3ticas. Os numerosos estudos dentro da Se\u00e7\u00e3o s\u00e3o conduzidos tanto na sede no Instituto, no Parque Estadual Alberto L\u00f6fgren, quanto nas diversas Unidades Experimentais (Esta\u00e7\u00f5es Experimentais e Florestas Estaduais) espalhadas pelo estado de S\u00e3o Paulo. Estes estudos t\u00eam o objetivo de gerar conhecimento t\u00e9cnico e cient\u00edfico na \u00e1rea para atender \u00e0 crescente demanda dos diferentes segmentos dentro do setor florestal.<\/p>\n<p><strong>Breve hist\u00f3rico: dos prim\u00f3rdios com ex\u00f3ticas at\u00e9 o Banco Ativo de Germoplasma do IF<\/strong><\/p>\n<p>Os prim\u00f3rdios das atividades dentro dessa grande \u00e1rea de pesquisa remetem ao in\u00edcio do s\u00e9culo passado, quando o Instituto Florestal iniciou seus estudos para a adapta\u00e7\u00e3o e formas de cultivo comercial de esp\u00e9cies do g\u00eanero <em>Pinus<\/em>, origin\u00e1rias das Am\u00e9ricas do Norte e Central. Um dos primeiros registros desse tipo de \u00e1rvore no Brasil foi feito em 1906, quando o primeiro diretor do IF, o sueco Albert L\u00f6fgren, publicou um trabalho sobre a introdu\u00e7\u00e3o de algumas esp\u00e9cies deste g\u00eanero no Horto Florestal de S\u00e3o Paulo, atual sede do IF.<\/p>\n<p>\u201cNo in\u00edcio, a introdu\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies ex\u00f3ticas com fins comerciais aconteceu devido ao aumento da demanda de madeira para serraria e, d\u00e9cadas depois, essa demanda foi ampliada para a produ\u00e7\u00e3o de celulose para a fabrica\u00e7\u00e3o de papel em raz\u00e3o da diminui\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies nativas no estado de S\u00e3o Paulo e em outras regi\u00f5es do pa\u00eds\u201d, explica o pesquisador Freitas. At\u00e9 o final da d\u00e9cada de 1950, foram plantadas, em extensas \u00e1reas administradas pelo IF, 55 esp\u00e9cies de Pinus, das 111 catalogadas no mundo. Destas, apenas nove se adaptaram bem ao clima e ao solo do pa\u00eds. Duas esp\u00e9cies s\u00e3o oriundas da Am\u00e9rica do Norte, <em>P. elliottii <\/em>e <em>P. taeda<\/em>, e s\u00e3o as principais representantes desse g\u00eanero cultivadas comercialmente no pa\u00eds. As outras s\u00e3o <em>P. caribaea<\/em>, <em>P. oocarpa<\/em>, <em>P. kesiya<\/em>, <em>P. pseudostrobus<\/em>, <em>P. strobus <\/em>e <em>P. tecunumanii<\/em>, origin\u00e1rios de pa\u00edses como Nicar\u00e1gua, Honduras, Bahamas, Cuba, Guatemala e El Salvador, na Am\u00e9rica Central. \u201cAs sementes dessas \u00e1rvores muitas vezes foram coletadas por profissionais do Instituo Florestal que se deslocaram para a Am\u00e9rica Central e do Norte, juntamente com pesquisadores da Embrapa\u201d, comenta Freitas.<\/p>\n<p>Nessa \u00e9poca, outro g\u00eanero de interesse econ\u00f4mico tamb\u00e9m foi introduzido no Brasil, o <em>Eucalyptus<\/em>, tamb\u00e9m com o apoio de Pesquisadores da Embrapa. Freitas comenta que <em>Pinu<\/em>s e <em>Eucalyptus<\/em> s\u00e3o \u00e1rvores de crescimento r\u00e1pido e tiveram uma grande demanda do setor de madeira e celulose no s\u00e9culo passado, o que levou \u00e0 grande expans\u00e3o territorial dos cultivos no Brasil, a partir do Estado de S\u00e3o Paulo. Na d\u00e9cada de 1970 o Programa de Melhoramento Gen\u00e9tico Florestal do Instituto Florestal foi criado, \u201cos trabalhos come\u00e7aram pela sele\u00e7\u00e3o dos melhores indiv\u00edduos, isto \u00e9, aqueles que apresentavam as melhores caracter\u00edsticas de volume, forma, resist\u00eancia a pragas e doen\u00e7as\u201d, explica o pesquisador.<\/p>\n<p>Assim, desde a d\u00e9cada de 1970 as esp\u00e9cies desses dois g\u00eaneros v\u00eam sendo estudas e comp\u00f5em, juntamente com outras esp\u00e9cies, o Banco Ativo de Germoplasma do Instituto Florestal. Atualmente esse Banco Ativo de Germoplasma \u00e9 composto de 250 talh\u00f5es de pesquisa, com \u00e1reas variando entre um a seis hectares e um total de 75 esp\u00e9cies. Os estudos nesse banco de germoplasma s\u00e3o conduzidos por pesquisadores do IF, que orientam alunos de gradua\u00e7\u00e3o e p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o envolvidos em in\u00fameros projetos de pesquisa financiados pela FAPESP, CNPq e parceria com Embrapa. \u201cOs estudos nesse banco t\u00eam resultado ultimamente em novas variedades de Pinus, com o melhoramento gen\u00e9tico de terceira gera\u00e7\u00e3o, implantados nos \u00faltimos 5 anos\u201d, comenta o pesquisador.<\/p>\n<p><strong>Esp\u00e9cies florestais: contribui\u00e7\u00e3o do IF para o PIB nacional <\/strong><\/p>\n<p>As pesquisas de melhoramento conduzidas por Freitas e sua equipe t\u00eam grande import\u00e2ncia na economia do pa\u00eds. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Silvicultura (SBS), o PIB da Insd\u00fastria de Base Florestal em 2007 foi de US$ 44,6 bilh\u00f5es, representando 3,4% do PIB nacional. As exporta\u00e7\u00f5es do setor florestal estiveram em 2007 na casa dos US$ 9,1 bilh\u00f5es, uma das maiores receitas agr\u00edcola pa\u00eds. \u201cNosso trabalho \u00e9 manter essas e outras esp\u00e9cies de interesse comercial em condi\u00e7\u00f5es de avalia\u00e7\u00e3o de crescimento em regi\u00f5es distintas do estado de S\u00e3o Paulo, com clima e solo diferentes, verificando a adapta\u00e7\u00e3o delas e disponibilizando informa\u00e7\u00f5es de Incremento M\u00e9dio Anual para cada uma nessas regi\u00f5es\u201d, explica o pesquisador.<\/p>\n<p>Freitas comenta que os Bancos de Germoplasma de <em>Eucalyptus<\/em> e <em>Pinus<\/em> s\u00e3o fonte de poss\u00edveis resist\u00eancias a pragas e doen\u00e7as e que a manuten\u00e7\u00e3o destes \u00e9 uma quest\u00e3o estrat\u00e9gica, visto que o material pode ser acionado em caso de urg\u00eancia. \u201cPara termos no\u00e7\u00e3o da import\u00e2ncia desses bancos de germoplasma, podemos dar o exemplo do ocorrido no ano 2000 com a soja, onde a ferrugem quase acabou com a cultura que \u00e9 o carro chefe do PIB nacional. Gra\u00e7as ao Banco Ativo de Germoplasma de Soja que o Brasil armazena (Embrapa Cenargen), o pa\u00eds n\u00e3o corre mais o risco de perder sua produ\u00e7\u00e3o. O mesmo pode ser pensado para os bancos de germoplasma das esp\u00e9cies florestais\u201d, explica o pesquisador. Freitas comenta que esses bancos s\u00e3o fonte de explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, devido \u00e0s avalia\u00e7\u00f5es de crescimento e forma (quantitativo e qualitativo) realizadas de tempo em tempo, obtendo-se informa\u00e7\u00f5es dos melhores materiais gen\u00e9ticos provenientes de cada regi\u00e3o de estudo.<\/p>\n<p>Outras esp\u00e9cies com potencial para produzir madeira de qualidade t\u00eam sido estudas nesses bancos, como, por exemplo, o jequitib\u00e1 rosa (<em>Cariniana legalis<\/em>), o pau marfim (<em>Balfourodendron riedelianum<\/em>), louro pardo (<em>Cordia trichotoma<\/em>) e canaf\u00edstula (<em>Cassia fistula<\/em>), que possuem potencial produtivo a curto prazo em rela\u00e7\u00e3o a esp\u00e9cies como aroeira (<em>Schinus terenbinthifolius<\/em>), ip\u00ea amarelo (<em>Handronthus albus<\/em>), ip\u00ea roxo (<em>H. impetiginosus<\/em>), guarucaia (<em>Parapiptadenia rigida<\/em>) e cabreuva (<em>Myrocarpus frondosus<\/em>), que tamb\u00e9m comp\u00f5em estes bancos.<\/p>\n<p>O Brasil \u00e9 hoje o maior produtor de celulose do mundo e as esp\u00e9cies mantidas em cole\u00e7\u00e3o viva no Instituto Florestal possuem variabilidade gen\u00e9tica para formar material produtivo e resistente a pragas e doen\u00e7as e a condi\u00e7\u00f5es ambientais extremas. \u201cAs \u00e1reas de produ\u00e7\u00e3o do g\u00eanero <em>Eucalyptus<\/em> seguem avan\u00e7ando para novas regi\u00f5es do pa\u00eds, com a base gen\u00e9tica instalada pela Embrapa, no Paran\u00e1, e no Instituto Florestal nas Unidades Experimentais ao longo do estado\u201d.<\/p>\n<p>Outro produto florestal de grande destaque na economia do pa\u00eds \u00e9 a resina. De acordo com a Associa\u00e7\u00e3o dos Resinadores do Brasil (Aresb), atualmente o rendimento anual no pa\u00eds com a resina chega a ser aproximadamente R$ 2,4 mil por hectare. Os pesquisadores do IF t\u00eam conduzido estudos de melhoramento gen\u00e9tico com algumas esp\u00e9cies de Pinus com o intuito de identificar os melhores materiais para produ\u00e7\u00e3o e consequentemente clonagem para alto rendimento de resina por hectare. O Brasil \u00e9 o segundo maior produtor de resina do mundo e os estudos do Instituto Florestal nessa \u00e1rea o colocaram como maior produtor brasileiro de resina durante muito tempo. \u201cEsses estudos ajudam a alavancar esse produto e, com o apoio da Embrapa, colocam a silvicultura paulista em lugar de destaque no mercado nacional e mundial\u201d, diz Freitas. O pesquisador comenta que a produ\u00e7\u00e3o de bioenergia atrav\u00e9s de florestas plantadas \u00e9 um dos grandes alvos da engenharia florestal nesse s\u00e9culo. Fato este que pode ser traduzido em n\u00fameros: da receita total de exporta\u00e7\u00f5es do pa\u00eds, em 2007, o setor de base florestal, contribuiu com US$ 9,1 bilh\u00f5es, sendo que as exporta\u00e7\u00f5es de madeira representaram cerca de US$ 3,3 bilh\u00f5es, de m\u00f3veis US$ 994,3 milh\u00f5es, e carv\u00e3o vegetal US$ 600 mil. Os plantios de <em>Pinus <\/em>do IF podem, ap\u00f3s finalizado o processo de resinagem, ser colocados para produ\u00e7\u00e3o de bioenergia, o que mais uma vez destaca o potencial da Institui\u00e7\u00e3o em contribuir com a economia do pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>Melhoramento gen\u00e9tico: a forma\u00e7\u00e3o do time com as melhores caracter\u00edsticas <\/strong><\/p>\n<p>Mas como s\u00e3o feitos os estudos de melhoramento gen\u00e9tico de esp\u00e9cies florestais? Freitas explica que o primeiro passo \u00e9 a sele\u00e7\u00e3o dos indiv\u00edduos que fornecer\u00e3o material gen\u00e9tico \u2013 as \u00e1rvores matrizes. \u201c\u00c9 como montar uma sele\u00e7\u00e3o de futebol, escolhemos as melhores \u00e1rvores para formar o time com as melhores caracter\u00edsticas \u201d. Essa sele\u00e7\u00e3o se d\u00e1 atrav\u00e9s de aspectos como volume, forma, resist\u00eancia a pragas e doen\u00e7as, tempo de crescimento. \u201cO indiv\u00edduo pode ter uma forma considerada excelente, por\u00e9m se apresentar um crescimento lento ele n\u00e3o ser\u00e1 selecionado\u201d, explica o pesquisador. \u201cJ\u00e1 chegamos \u00e0 marca de escolher uma em cada 10 mil \u00e1rvores. \u00c9 um trabalho \u00e1rduo que demanda tempo e conhecimento t\u00e9cnico\u201d.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a sele\u00e7\u00e3o das \u00e1rvores, \u00e9 feito um levantamento edafoclim\u00e1tico, a fim de se ter locais com solo e clima conhecidos para a implanta\u00e7\u00e3o dos experimentos. Feito isso, s\u00e3o implantados o que os pesquisadores da \u00e1rea chamam de testes de prog\u00eanies. Esses testes permitem a avalia\u00e7\u00e3o da constitui\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica dos pais, a partir das caracter\u00edsticas dos filhos. O material gen\u00e9tico considerado bom para as caracter\u00edsticas estudadas ser\u00e1 ent\u00e3o implantado em pomares clonais. Esses pomares s\u00e3o usados para a produ\u00e7\u00e3o de sementes melhoradas das \u00e1rvores aprovadas nos testes de prog\u00eanies.<\/p>\n<p>Desde a d\u00e9cada de 1980 os pesquisadores utilizam a clonagem em laborat\u00f3rio para implanta\u00e7\u00e3o de pomares de <em>Pinus<\/em>. \u201cN\u00f3s temos pomares com diversos clones para produ\u00e7\u00e3o de sementes\u201d, diz Freitas. \u201cElas est\u00e3o agora na 3\u00aa gera\u00e7\u00e3o, coletadas de plantas que j\u00e1 vieram de sementes de pomares selecionados\u201d. O pesquisador comenta que nestes pomares evita-se plantar clones id\u00eanticos pr\u00f3ximos para que n\u00e3o ocorra a poliniza\u00e7\u00e3o entre indiv\u00edduos iguais, o que causaria uma degenera\u00e7\u00e3o dos descendentes.<\/p>\n<p>Freitas conta que atualmente est\u00e3o em desenvolvimento estudos com a segunda gera\u00e7\u00e3o de melhoramento de uma esp\u00e9cie de eucalipto, a <em>Corymbia citriodora. \u201c<\/em>Foram 56 \u00e1rvores matrizes selecionadas e a implanta\u00e7\u00e3o dos testes de prog\u00eanie se deu em tr\u00eas solos diferentes na Esta\u00e7\u00e3o Experimental de Luiz Ant\u00f4nio\u201d. Os pesquisadores est\u00e3o avaliando o crescimento ao longo dos anos. \u201cForam feitas an\u00e1lises aos 2, 4, 25 e 35 anos de idade da implanta\u00e7\u00e3o do teste\u201d. Esses dados ser\u00e3o importantes para identifica\u00e7\u00e3o e sele\u00e7\u00e3o dos materiais mais produtivos para seguirem em nova gera\u00e7\u00e3o de melhoramento gen\u00e9tico. Atualmente t\u00eam havido interesse nessa esp\u00e9cie pelo valor agregado na produ\u00e7\u00e3o de madeira para fins de constru\u00e7\u00e3o civil, cercamento, serrada, mel\u00edfera, mas, principalmente, para a bioenergia.<\/p>\n<p><strong>Conserva\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica: conhecer para preservar<\/strong><\/p>\n<p>Os estudos desenvolvidos pelos pesquisadores do IF dentro da linha de pesquisa de conserva\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica t\u00eam contribu\u00eddo sobremaneira para a conserva\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies florestais nativas. Isso porque as florestas brasileiras t\u00eam enfrentado o problema da fragmenta\u00e7\u00e3o florestal, que representa uma das maiores amea\u00e7as \u00e0 biodiversidade desses ecossistemas. Nesse processo, florestas que antes eram cont\u00ednuas s\u00e3o subdivididas e as popula\u00e7\u00f5es de plantas e animais ficam espacialmente isoladas em fragmentos florestais de menor tamanho. A fragmenta\u00e7\u00e3o florestal afeta o fluxo g\u00eanico e os padr\u00f5es de cruzamento das esp\u00e9cies, especialmente em pequenas popula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Freitas explica que em popula\u00e7\u00f5es de \u00e1rvores o fluxo e dispers\u00e3o de sementes e p\u00f3len s\u00e3o os principais determinantes da diversidade gen\u00e9tica, que \u00e9 a mat\u00e9ria prima para sob a qual a sele\u00e7\u00e3o natural atua. Os estudos conduzidos nessa linha de pesquisa ajudam a entender melhor os efeitos da fragmenta\u00e7\u00e3o florestal sobre a estrutura gen\u00e9tica de esp\u00e9cies de \u00e1rvores, fornecendo subs\u00eddios para o desenvolvimento de estrat\u00e9gias de conserva\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica das esp\u00e9cies. \u201cPara entendermos esses efeitos precisamos conhecer a estrutura gen\u00e9tica das popula\u00e7\u00f5es, conhecer a variabilidade gen\u00e9tica, saber se est\u00e1 ocorrendo fluxo g\u00eanico, endogamia, entre outros. Para sabermos o que preservar \u00e9 preciso conhecer a estrutura gen\u00e9tica das popula\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>Os pesquisadores utilizam marcadores moleculares e testes de paternidade para conhecer a estrutura gen\u00e9tica de popula\u00e7\u00f5es naturais, saber quais dist\u00e2ncias percorrem as sementes e o p\u00f3len das \u00e1rvores, avaliar se est\u00e1 havendo cruzamentos entre indiv\u00edduos aparentados, identificar se as popula\u00e7\u00f5es est\u00e3o sofrendo deteriora\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica, entre outros.<\/p>\n<p>Um bom exemplo da aplica\u00e7\u00e3o do conhecimento gerado pelos estudos nessa linha de pesquisa pode ser dado pela conserva\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica <em>in situ<\/em> de \u00e1rvores de Copa\u00edba no Bosque Municipal de S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto. Com o apoio da FAPESP, os pesquisadores conduziram um estudo onde georreferenciaram e genotiparam todas as \u00e1rvores da esp\u00e9cie, e coletaram pl\u00e2ntulas e sementes para saber quem era realmente filha de quem. Foram avaliadas a estrutura gen\u00e9tica espacial, a distribui\u00e7\u00e3o de p\u00f3len, a variabilidade gen\u00e9tica, entre outros. O estudo rendeu artigos que foram publicados em revistas internacionais conceituadas, sendo citado como exemplo de pesquisa que teve grande alcance nacional e internacional. No ano de 2016 ocorreram muitas quedas de \u00e1rvores nesse bosque, levando ao decl\u00ednio da popula\u00e7\u00e3o. \u201cComo temos informa\u00e7\u00f5es detalhadas dessas \u00e1rvores, iremos analisar os esp\u00e9cimes que morreram para identificar o status da variabilidade gen\u00e9tica dessa popula\u00e7\u00e3o <em>in situ, <\/em>para sabermos se h\u00e1 maior ou menor variabilidade ap\u00f3s a queda dos indiv\u00edduos, ou seja, se h\u00e1 ou n\u00e3o necessidade de fazermos interven\u00e7\u00f5es com materiais de gen\u00f3tipos externos\u201d, explica o pesquisador.<\/p>\n<p>\u201cTamb\u00e9m temos a possibilidade de enriquecer a Esta\u00e7\u00e3o Ecol\u00f3gica de Ribeir\u00e3o Preto\u201d, Freitas comenta. A \u00e1rea tem sofrido intensa degrada\u00e7\u00e3o e as sementes dos Bancos de Germoplasma do IF poder\u00e3o ser utilizadas para a produ\u00e7\u00e3o de mudas com o maior n\u00famero de matrizes afim de garantir a variabilidade gen\u00e9tica desej\u00e1vel para a restaura\u00e7\u00e3o dessa Unidade de Conserva\u00e7\u00e3o. \u201cEssa ser\u00e1 a primeira vez que poderemos lan\u00e7ar m\u00e3o de material gen\u00e9tico da conserva\u00e7\u00e3o <em>ex situ<\/em> apoiando a conserva\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica <em>in situ<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>O conhecimento gerado ao longo dos anos atrav\u00e9s das pesquisas conduzidas na Se\u00e7\u00e3o de Melhoramento Gen\u00e9tico Florestal est\u00e1 reunido em in\u00fameros artigos cient\u00edficos publicados a partir da d\u00e9cada de 1980, na <a href=\"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/publicacoes-if\/revista-do-if\/\">Revista do Instituto Florestal<\/a>, na <a href=\"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/publicacoes-if\/if-serie-registros\/\">IF S\u00e9rie Registros<\/a>, bem como em outros peri\u00f3dicos relacionados. J\u00e1 foram publicados tamb\u00e9m dois livros e nove cap\u00edtulos em livros. O chefe da Se\u00e7\u00e3o destaca a grande contribui\u00e7\u00e3o dos estudos conduzidos na Se\u00e7\u00e3o \u201cnossos resultados propiciam a\u00e7\u00f5es de restaura\u00e7\u00e3o de \u00e1reas degradadas, geram informa\u00e7\u00f5es sobre produtividade em \u00e1reas de plantios puros e multiesp\u00e9cies (Sistema Agrossilvopastoris), indicam esp\u00e9cies para com potencial produtivo e, mais recentemente, t\u00eam colaborado na forma\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas no que diz respeito \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de Reserva Legal, indicando esp\u00e9cies potenciais para cultivos mistos em sistemas silvopastoris\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Texto:<\/strong> Tamires Gon\u00e7alves (Bolsista FAPESP do Programa M\u00eddia Ci\u00eancia)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>SAIBA MAIS<\/strong><\/p>\n<p><strong>Gene:<\/strong> Unidade funcional da hereditariedade<\/p>\n<p><strong>Alelo:<\/strong> formas alternativas de um mesmo gene ou locus gen\u00e9tico<\/p>\n<p><strong>Varia\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica:<\/strong>\u00a0variantes al\u00e9licos originados por muta\u00e7\u00e3o e\/ou recombina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Variabilidade gen\u00e9tica:<\/strong> medida da quantidade de variabilidade existente dentro ou entre popula\u00e7\u00f5es e\/ou esp\u00e9cies.<\/p>\n<p><strong>Endogamia:<\/strong> Reprodu\u00e7\u00e3o ou acasalamento a partir de indiv\u00edduos aparentados ou com certo grau de parentesco.<\/p>\n<p><strong>Recombina\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica:<\/strong> troca aleat\u00f3ria de material gen\u00e9tico durante a meiose. A troca de genes que acontece entre duas mol\u00e9culas de \u00e1cido nucl\u00e9ico formando novas combina\u00e7\u00f5es de genes em um cromossomo.<\/p>\n<p><strong>Proced\u00eancias:<\/strong> local de origem da semente ou prop\u00e1gulo.<\/p>\n<p><strong>Prog\u00eanie:<\/strong> Conjunto de descendentes, prole (o mesmo que acesos).<\/p>\n<p><strong>Progenitores<\/strong>: Ancestrais, pai e m\u00e3e<\/p>\n<p><strong>Conserva\u00e7\u00e3o <em>ex situ<\/em>:<\/strong> conservar esp\u00e9cies fora do local de origem, protegendo esp\u00e9cies de algum perigo (Unidades Experimentais e Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o de Uso Sustent\u00e1vel).<\/p>\n<p><strong>Conserva\u00e7\u00e3o <em>in situ<\/em>:<\/strong> conservar esp\u00e9cies no pr\u00f3prio local de origem (Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p><strong>Fluxo g\u00eanico<\/strong>: migra\u00e7\u00e3o de genes entre popula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Fluxo contempor\u00e2neo de p\u00f3len e sementes<\/strong>: comportamento de uma popula\u00e7\u00e3o natural frente a fragmenta\u00e7\u00e3o, como os indiv\u00edduos dessa popula\u00e7\u00e3o est\u00e3o cruzando, se est\u00e3o formando n\u00facleos populacionais e se a dist\u00e2ncia entre os fragmentos \u00e9 um fator que influencia ou n\u00e3o a endogamia.<\/p>\n<p><strong>Matrizes<\/strong>: \u00e1rvores selecionadas para coleta de sementes. Essas sementes ser\u00e3o as descendentes &#8211; prog\u00eanies.<\/p>\n<p><strong>Pomares de sementes<\/strong>: Cultivo de v\u00e1rias esp\u00e9cies arb\u00f3reas simultaneamente, para produ\u00e7\u00e3o de sementes. As plantas cultivadas da mesma esp\u00e9cie possuem variabilidade gen\u00e9tica suficiente para evitarem futuros problemas de endogamia.<\/p>\n<p><strong>Banco ativo de germoplasma<\/strong>: \u00c1rea de pesquisa onde \u00e9 mantido o material gen\u00e9tico com variabilidade gen\u00e9tica, coletado de diferentes matrizes.<\/p>\n<p><strong>Bancos clonais<\/strong>: \u00c1rea de pesquisa onde \u00e9 mantido material gen\u00e9tico selecionado de alta produtividade para produ\u00e7\u00e3o em larga escala.<\/p>\n<p><strong>Gen\u00f3tipo<\/strong>: Constitui\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica de uma c\u00e9lula, organismo ou indiv\u00edduo. Conjunto completo de genes.<\/p>\n<p><strong>Fen\u00f3tipo<\/strong>: Conjunto de caracteres vis\u00edveis de um individuo ou de um organismo.<\/p>\n<p><strong>Marcador gen\u00e9tico<\/strong>: Qualquer caracter\u00edstica morfol\u00f3gica ou molecular que diferencia indiv\u00edduos e que seja capaz de identificar os progenitores.<\/p>\n<p><strong>DNA fingerprint<\/strong>: \u00c9 a impress\u00e3o digital do DNA. \u00c9 a sequencia de informa\u00e7\u00f5es que encontramos nas c\u00e9lulas dos seres vivos, sendo que cada ser possui sua forma\u00e7\u00e3o individual.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voc\u00ea conhece a origem da sua fam\u00edlia? Sabe qual a import\u00e2ncia dela? Quais s\u00e3o os feitos do passado? 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