{"id":13473,"date":"2017-09-28T13:23:41","date_gmt":"2017-09-28T16:23:41","guid":{"rendered":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/?p=13473"},"modified":"2017-08-31T13:24:56","modified_gmt":"2017-08-31T16:24:56","slug":"pesquisadora-do-if-alerta-para-o-perigo-do-florestamento-de-biomas-nao-florestais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/2017\/09\/pesquisadora-do-if-alerta-para-o-perigo-do-florestamento-de-biomas-nao-florestais\/","title":{"rendered":"Pesquisadora do IF alerta para o perigo do florestamento de biomas n\u00e3o florestais"},"content":{"rendered":"<p>A planta\u00e7\u00e3o de \u00e1rvores, a supress\u00e3o de inc\u00eandios e a exclus\u00e3o da megafauna herb\u00edvora s\u00e3o estrat\u00e9gias de restaura\u00e7\u00e3o ecologicamente razo\u00e1veis em paisagens desmatadas, por\u00e9m interven\u00e7\u00f5es semelhantes podem ser catastr\u00f3ficas quando aplicadas a pradarias, como os pampas e savanas. A quest\u00e3o foi levantada pelo texto \u201cTyranny of trees in grassy biomes\u201d, produzido pela pesquisadora do Instituto Florestal, Giselda Durigan, em parceria com cientistas de institui\u00e7\u00f5es brasileiras, francesas, americanas e sul-africanas, publicado na edi\u00e7\u00e3o de janeiro de 2015 da revista Science.<\/p>\n<p>Diante do atual contexto onde tem se observado cada vez mais um aumento da esperan\u00e7a de que os projetos de cr\u00e9dito de carbono financiar\u00e3o a restaura\u00e7\u00e3o florestal, a publica\u00e7\u00e3o levanta necessidade de se distinguir claramente o que \u00e9 &#8220;reflorestamento&#8221; e o que \u00e9 &#8220;florestamento&#8221;, alertando para o perigo da floresta\u00e7\u00e3o de biomas campados.<\/p>\n<p>O reflorestamento consiste no plantio de \u00e1rvores em terras que j\u00e1 foram florestas e encontram-se desmatadas), enquanto que o florestamento \u00e9 a convers\u00e3o de terras n\u00e3o florestadas em florestas ou planta\u00e7\u00f5es de \u00e1rvores.\u00a0 A publica\u00e7\u00e3o traz o importante alerta de que o florestamento dos biomas campados poder\u00e1 comprometer seriamente os servi\u00e7os ecossist\u00eamicas prestados por estes biomas, incluindo a hidrologia e os ciclos de nutrientes do solo, al\u00e9m de reduzir acentuadamente a biodiversidade destes locais.<\/p>\n<p>Apesar dos elevados custos ambientais, esses biomas s\u00e3o alvos priorit\u00e1rios dos programas de sequestro de carbono focados no plantio de \u00e1rvores. As amea\u00e7as do florestamento s\u00e3o ainda agravadas porque esses biomas n\u00e3o s\u00e3o formalmente reconhecidos pela Conven\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas, pelo Programa de Redu\u00e7\u00e3o de Emiss\u00f5es por Desmatamento e Degrada\u00e7\u00e3o Florestal, nem pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Agricultura e Alimenta\u00e7\u00e3o. Essa falta de reconhecimento reflete em percep\u00e7\u00f5es err\u00f4neas fundamentais a respeito da ecologia, valores de conserva\u00e7\u00e3o e valores hist\u00f3ricos destes biomas.<\/p>\n<p>O mapa do Instituto Mundial de Recursos (WRI) de &#8220;Oportunidades de restaura\u00e7\u00e3o de florestas e paisagens&#8221; serve como um exemplo dessas percep\u00e7\u00f5es err\u00f4neas. Tal mapa identifica 23 milh\u00f5es de km\u00b2 da biosfera terrestre como altamente adequado para o plantio de \u00e1rvores. No entanto, grande parte da \u00e1rea destinada \u00e0 &#8220;restaura\u00e7\u00e3o florestal&#8221; corresponde aos antigos biomas de campos do mundo. A WRI assume erroneamente que as \u00e1reas n\u00e3o florestadas onde o clima poderia teoricamente permitir o desenvolvimento florestal s\u00e3o &#8220;desmatadas&#8221;, uma suposi\u00e7\u00e3o enraizada em ideias ultrapassadas sobre a vegeta\u00e7\u00e3o potencial e os pap\u00e9is do fogo e dos herb\u00edvoros em sistemas naturais. O mapa tem a inten\u00e7\u00e3o de ser uma ferramenta para ajudar a cumprir o Desafio de Bonn de &#8220;restaurar 150 milh\u00f5es de hectares das terras desmatadas e degradadas do mundo at\u00e9 2020&#8221;. Embora muitos ecossistemas dentro dos biomas gramados possam se beneficiar da restaura\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica, as estrat\u00e9gias de restaura\u00e7\u00e3o propostas pela WRI s\u00e3o incompat\u00edveis com a biodiversidade das pradarias.<\/p>\n<p>Entre as paisagens corretamente identificadas como desmatadas pelo mapa do WRI, extensas \u00e1reas de agricultura n\u00e3o s\u00e3o consideradas oportunidades de restaura\u00e7\u00e3o. Claramente, o rendimento econ\u00f4mico das terras agr\u00edcolas tornam o reflorestamento dessas terras economicamente invi\u00e1veis. A publica\u00e7\u00e3o da Science discute o fato de que as tentativas de compensar o desmatamento devido a atividades agr\u00edcolas atrav\u00e9s da floresta\u00e7\u00e3o dos biomas de campo simplesmente agravar\u00e3o as perdas de biodiversidade e comprometer\u00e3o os servi\u00e7os ecossist\u00eamicos.<\/p>\n<p>O mapa de &#8220;Oportunidades de restaura\u00e7\u00e3o de florestas e paisagens&#8221; foi produzido e analisado por influentes organiza\u00e7\u00f5es cient\u00edficas e ambientais, o que lhe d\u00e1 legitimidade. Os pesquisadores parceiros de Giselda nessa publica\u00e7\u00e3o destacam que \u00e9 preocupante que tal an\u00e1lise cientificamente falha esteja \u201cpronta\u201d para promover o plantio de \u00e1rvores de forma mal-informada e que isso acarreta na desvaloriza\u00e7\u00e3o destes biomas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s florestas.<\/p>\n<p>\u201cNos preocupamos com o fato de que os projetos de reflorestamento enfrentar\u00e3o uma resist\u00eancia p\u00fablica limitada e que an\u00e1lises como este mapa escapar\u00e3o ao escrut\u00ednio cient\u00edfico, posto que o plantio de \u00e1rvores seja visto como algo inato e os biomas de campos sejam considerados resultado do desmatamento\u201d, ressaltam os autores do texto.<\/p>\n<p>Com essa publica\u00e7\u00e3o fica o alerta de embora o desmatamento e a degrada\u00e7\u00e3o florestal sejam problemas cr\u00edticos que devam ser enfrentados, os tomadores de decis\u00e3o devem levar em considera\u00e7\u00e3o o valor de muitos biomas naturalmente n\u00e3o florestais que tamb\u00e9m enfrentam tremenda press\u00e3o por mudan\u00e7as ambientais causadas pelo homem.<\/p>\n<p><strong>Para ler o texto na \u00edntegra acesse: <\/strong><a href=\"http:\/\/bit.ly\/2kQppOF\">http:\/\/bit.ly\/2kQppOF<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Texto:<\/strong> Tamires Gon\u00e7alves (Bolsista FAPESP do Programa M\u00eddia Ci\u00eancia)<\/p>\n<p><strong>Mais informa\u00e7\u00f5es:<\/strong> Pesquisadora cient\u00edfica Dr. Giselda Durigan. Telefone: (18) 33217363. E-mail: giselda.durigan@gmail.com.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A planta\u00e7\u00e3o de \u00e1rvores, a supress\u00e3o de inc\u00eandios e a exclus\u00e3o da megafauna herb\u00edvora s\u00e3o estrat\u00e9gias de restaura\u00e7\u00e3o ecologicamente razo\u00e1veis em paisagens desmatadas, por\u00e9m interven\u00e7\u00f5es semelhantes podem ser catastr\u00f3ficas quando aplicadas a pradarias, como os pampas e savanas. 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