{"id":13469,"date":"2017-08-25T12:24:22","date_gmt":"2017-08-25T15:24:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/?p=13469"},"modified":"2017-09-06T12:10:33","modified_gmt":"2017-09-06T15:10:33","slug":"arvores-de-copaiba-correm-risco-de-extincao-local-em-um-fragmento-de-mata-atlantica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/2017\/08\/arvores-de-copaiba-correm-risco-de-extincao-local-em-um-fragmento-de-mata-atlantica\/","title":{"rendered":"\u00c1rvores de copa\u00edba correm risco de extin\u00e7\u00e3o local em um fragmento de Mata Atl\u00e2ntica"},"content":{"rendered":"<p>Utilizando marcadores gen\u00e9ticos e testes de paternidade para investigar a dispers\u00e3o e imigra\u00e7\u00e3o de sementes e p\u00f3len em uma pequena e isolada popula\u00e7\u00e3o de copa\u00edba (<em>Copaifera langsdorffii<\/em>) situada em um fragmento de Mata Atl\u00e2ntica, pesquisadores do IF, com auxilio financeiro da FAPESP, identificaram um baixo fluxo de g\u00eanico e uma forte estrutura gen\u00e9tica espacial na popula\u00e7\u00e3o, indicando que com o passar dos anos a esp\u00e9cie pode se tornar localmente extinta. O estudo foi coordenado pelos pesquisadores do IF, Alexandre Sebbenn e Miguel Freitas, em parceria com pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (UNESP), <em>campus<\/em> de Ilha Solteira, e do Instituto Johann Heinrich von Th\u00fcnen, na Alemanha e foi publicado em 2011 na revista Heredity, editada pela Nature.<\/p>\n<p>Ao longo do \u00faltimo s\u00e9culo, a Mata Atl\u00e2ntica sofreu um intenso processo de desmatamento e fragmenta\u00e7\u00e3o. O bioma, que antes era grande e cont\u00ednuo, atualmente encontra-se reduzido a pequenos e isolados fragmentos de mata. O processo de fragmenta\u00e7\u00e3o florestal isola espacial e reprodutivamente as popula\u00e7\u00f5es de plantas e animais, afetando o fluxo g\u00eanico e os padr\u00f5es de cruzamento das esp\u00e9cies, especialmente em pequenas popula\u00e7\u00f5es. O pesquisador Sebbenn explica que, em popula\u00e7\u00f5es de \u00e1rvores, o fluxo e dispers\u00e3o de sementes e p\u00f3len s\u00e3o os principais determinantes da diversidade gen\u00e9tica, que \u00e9 a mat\u00e9ria prima para sob a qual a sele\u00e7\u00e3o natural atua. \u201cEste estudo ajuda a entender melhor os efeitos da fragmenta\u00e7\u00e3o florestal sobre a estrutura gen\u00e9tica de esp\u00e9cies de \u00e1rvores e fornece subs\u00eddios para o desenvolvimento de estrat\u00e9gias de conserva\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica para essa esp\u00e9cie\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2017\/08\/copaiba.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone wp-image-13471\" src=\"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2017\/08\/copaiba.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"368\" srcset=\"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2017\/08\/copaiba.jpg 750w, https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2017\/08\/copaiba-300x184.jpg 300w, https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2017\/08\/copaiba-440x270.jpg 440w, https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2017\/08\/copaiba-253x155.jpg 253w, https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2017\/08\/copaiba-158x97.jpg 158w, https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2017\/08\/copaiba-68x42.jpg 68w, https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2017\/08\/copaiba-129x79.jpg 129w, https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2017\/08\/copaiba-161x99.jpg 161w, https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2017\/08\/copaiba-70x43.jpg 70w, https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2017\/08\/copaiba-330x202.jpg 330w, https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2017\/08\/copaiba-69x42.jpg 69w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Copa\u00edba (<em>Copaifera langsdorffii<\/em>) \u00e9 uma \u00e1rvore particularmente importante para o Brasil devido ao valor econ\u00f4mico da sua madeira e do \u00f3leo, cientificamente comprovado como anticancer\u00edgeno, que pode ser extra\u00eddo de seu tronco. Essa esp\u00e9cie \u00e9 amplamente distribu\u00edda pelo pa\u00eds, com maior concentra\u00e7\u00e3o na Mata Atl\u00e2ntica. As \u00e1rvores de copa\u00edba podem chegar a 40 m de altura e 1 m de di\u00e2metro, contudo seu crescimento geralmente \u00e9 lento. A poliniza\u00e7\u00e3o ocorre por insetos, principalmente abelhas, e as sementes s\u00e3o dispersas por aves, como o tucano (<em>Ramphastos toco<\/em>), e o sabi\u00e1-laranjeira (<em>Turdus rufiventris<\/em>), e por mam\u00edferos, como o muriqui-do-sul (<em>Brachyteles arachnoides<\/em>) e o macaco-prego (<em>Cebus apella nigritus<\/em>).<\/p>\n<p>Com a intensa fragmenta\u00e7\u00e3o da Mata Atl\u00e2ntica, popula\u00e7\u00f5es de copa\u00edba t\u00eam sido encontradas cada vez mais espacialmente isoladas e em pequenas densidades. O pesquisador Freitas salienta que apesar de n\u00e3o estar presente na lista vermelha da IUCN (Uni\u00e3o Internacional para a Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza), o isolamento e o tamanho reduzido das popula\u00e7\u00f5es dessa esp\u00e9cie podem levar a eventos de extin\u00e7\u00e3o local, algo fortemente preocupante.<\/p>\n<p>O estudo foi conduzido em uma pequena e isolada popula\u00e7\u00e3o situada em um fragmento de 4.8 hectares no Parque Municipal de S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto, no estado de S\u00e3o Paulo. Ao todo, os pesquisadores mapearam, mensuraram e coletaram material vegetal para an\u00e1lise gen\u00e9tica de 112 \u00e1rvores adultas e 128 pl\u00e2ntulas (indiv\u00edduos muito jovens). Todo o material gen\u00e9tico coletado foi analisado em laborat\u00f3rio. Utilizando marcadores de microssat\u00e9lites nucleares e testes de parentesco, os pesquisadores investigaram os padr\u00f5es de dist\u00e2ncia de dispers\u00e3o e imigra\u00e7\u00e3o de sementes e p\u00f3len (fluxo g\u00eanico), a diversidade e a estrutura gen\u00e9tica espacial e endogamia dessa popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os pesquisadores detectaram um baixo fluxo g\u00eanico, com imigra\u00e7\u00e3o de p\u00f3len muito baixa (4.7%) e aus\u00eancia de imigra\u00e7\u00e3o de sementes. O pesquisador Sebbenn comenta que aves s\u00e3o dispersores capazes de ultrapassar o isolamento f\u00edsico, e que esse resultado de aus\u00eancia de sementes imigrantes pode estar associado \u00e0 aus\u00eancia de indiv\u00edduos reprodutivos de copa\u00edba no entorno da regi\u00e3o estudada.<\/p>\n<p>As an\u00e1lises de parentesco permitiram tamb\u00e9m detectar uma forte estrutura gen\u00e9tica espacial tanto nos adultos quanto nas pl\u00e2ntulas. Sebbenn explica que a estrutura gen\u00e9tica espacial diz respeito \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o espacial dos gen\u00f3tipos, indicando se as \u00e1rvores pr\u00f3ximas s\u00e3o ou n\u00e3o parentes entre si. Para os adultos o valor encontrado foi de 50 m e para as pl\u00e2ntulas esse valor foi de 20 m. \u201cEssa informa\u00e7\u00e3o pode orientar futuras coletas de sementes para a conserva\u00e7\u00e3o <em>ex situ<\/em> da esp\u00e9cie, indicando que as sementes neste local devem ser coletadas em \u00e1rvores matrizes distantes entre si em pelo menos 50 metros para se evitar coletar de \u00e1rvores parentes, e, assim, evitar a depress\u00e3o endog\u00e2mica\u201d.<\/p>\n<p>Por fim, o estudo detectou altos n\u00edveis de endogamia (cruzamento entre indiv\u00edduos aparentados) na popula\u00e7\u00e3o e uma diversidade gen\u00e9tica menor nas pl\u00e2ntulas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s \u00e1rvores adultas. Freitas explica o fluxo g\u00eanico comprometido e a concentra\u00e7\u00e3o de indiv\u00edduos aparentados pr\u00f3ximos uns dos outros levam ao aumento da endogamia, o que reduz a diversidade gen\u00e9tica dentro daquela popula\u00e7\u00e3o ao longo do tempo. \u201cO cruzamento entre parentes desencadeia a depress\u00e3o por endogamia, levando ao aumento da mortalidade, a perda de fertilidade e forma\u00e7\u00e3o de novas gera\u00e7\u00f5es com indiv\u00edduos apresentando defeitos de forma\u00e7\u00e3o, algo fortemente preocupante e que pode levar \u00e0 extin\u00e7\u00e3o local de uma esp\u00e9cie\u201d.<\/p>\n<p>Os resultados desse estudo sugerem que a popula\u00e7\u00e3o pode estar sofrendo uma deteriora\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica, o que compromete a capacidade da popula\u00e7\u00e3o de responder adaptativamente a futuras modifica\u00e7\u00f5es ambientais, podendo a esp\u00e9cie se tornar extinta localmente. Os pesquisadores salientam a import\u00e2ncia de repetir esse estudo em outras popula\u00e7\u00f5es na regi\u00e3o e com a mesma popula\u00e7\u00e3o em outros eventos reprodutivos: \u201cprecisamos agora estudar mais popula\u00e7\u00f5es na regi\u00e3o e repetir o estudo com essa popula\u00e7\u00e3o, para ent\u00e3o confirmarmos se os padr\u00f5es de baixo fluxo g\u00eanico se mant\u00eam e ent\u00e3o desenvolver estrat\u00e9gias para a conserva\u00e7\u00e3o dessa esp\u00e9cie\u201d.<\/p>\n<p>Outro passo importante \u00e9 destacado por Freitas \u00e9 o plantio de \u00e1rvores com gen\u00f3tipos de outras regi\u00f5es. \u201cPrecisamos aumentar esta popula\u00e7\u00e3o, plantando novos indiv\u00edduos da esp\u00e9cie, originados de sementes coletadas de outras popula\u00e7\u00f5es, para aumentar a diversidade e o tamanho efetivo desta pequena popula\u00e7\u00e3o e ajudar na conserva\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica <em>in situ<\/em> da esp\u00e9cie\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Para ler o estudo na \u00edntegra acesse:<\/strong> <a href=\"http:\/\/go.nature.com\/2jy92ac\">http:\/\/go.nature.com\/2jy92ac<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Foto:<\/strong>\u00a0&#8220;<a href=\"https:\/\/www.flickr.com\/photos\/frutosatrativoscerrado\/11518851185\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Copa\u00edba<\/a>&#8221; por <a href=\"https:\/\/www.flickr.com\/photos\/frutosatrativoscerrado\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Frutos Atrativos do Cerrado<\/a> est\u00e1 licenciado sob <a href=\"https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-nc\/2.0\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">CC BY 2.0<\/a><\/p>\n<p><strong>Texto:<\/strong> Tamires Gon\u00e7alves (Bolsista FAPESP do Programa M\u00eddia Ci\u00eancia)<\/p>\n<p><strong>Mais informa\u00e7\u00f5es:<\/strong> Pesquisador cient\u00edfico Miguel Luiz Menezes Freitas \u2013 Tel.: (16) 3984-1352 &#8211; e-mail: <a href=\"mailto:miguel.freitas@pq.cnpq.br\">miguel.freitas@pq.cnpq.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Utilizando marcadores gen\u00e9ticos e testes de paternidade para investigar a dispers\u00e3o e imigra\u00e7\u00e3o de sementes e p\u00f3len em uma pequena e isolada popula\u00e7\u00e3o de copa\u00edba (Copaifera langsdorffii) situada em um fragmento de Mata Atl\u00e2ntica, pesquisadores do IF, com auxilio financeiro da FAPESP, identificaram um baixo fluxo de g\u00eanico e uma forte estrutura gen\u00e9tica espacial na [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":102,"featured_media":13471,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[12,5],"tags":[698,669,702,159,704,701,613,699,318,703,670,217,80,396,700],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13469"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/102"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13469"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13469\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13486,"href":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13469\/revisions\/13486"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13471"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13469"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13469"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13469"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}