{"id":13331,"date":"2017-07-14T17:17:45","date_gmt":"2017-07-14T20:17:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/?p=13331"},"modified":"2017-08-01T18:31:53","modified_gmt":"2017-08-01T21:31:53","slug":"conservacao-da-araucaria-deve-focar-nao-somente-em-fragmentos-florestais-mas-tambem-arvores-isoladas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/2017\/07\/conservacao-da-araucaria-deve-focar-nao-somente-em-fragmentos-florestais-mas-tambem-arvores-isoladas\/","title":{"rendered":"Conserva\u00e7\u00e3o da arauc\u00e1ria deve focar n\u00e3o somente em fragmentos florestais, mas tamb\u00e9m \u00e1rvores isoladas"},"content":{"rendered":"<p>Utilizando marcadores de microssat\u00e9lite para investigar a diversidade gen\u00e9tica e o fluxo de p\u00f3len entre duas popula\u00e7\u00f5es de Arauc\u00e1rias (<em>Araucaria angustifolia<\/em>) situadas na regi\u00e3o Sul do Brasil, pesquisador do Instituo Florestal do Estado de S\u00e3o Paulo detecta local com alto potencial para a conversa\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica da esp\u00e9cie. O estudo, que contou com o a colabora\u00e7\u00e3o do pesquisador do IF, Dr. Alexandre Sebbenn, e com pesquisadores da Universidade Federal do Paran\u00e1, Universidade Tecnol\u00f3gica do Paran\u00e1 e Embrapa, foi publicado na revista Tree Genetics &amp; Genomes em 2015.<\/p>\n<p>Antes da coloniza\u00e7\u00e3o europeia da Am\u00e9rica do Sul, o ecossistema conhecido como Mata de Arauc\u00e1rias era constitu\u00eddo principalmente por florestas cont\u00ednuas e cobriam uma \u00e1rea estimada de 200 mil km\u00b2.\u00a0 Ao longo do s\u00e9culo XX, a explora\u00e7\u00e3o extensiva da madeira dessas \u00e1rvores e o desmatamento desses ecossistemas para a convers\u00e3o de terras agr\u00edcolas, a Mata de Arauc\u00e1ria sofreu dr\u00e1stica redu\u00e7\u00e3o e a esp\u00e9cie foi inclu\u00edda na lista vermelha da IUCN (Uni\u00e3o Internacional para a Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza).\u00a0 Ap\u00f3s a esp\u00e9cie ser considerada criticamente amea\u00e7ada de extin\u00e7\u00e3o, a extra\u00e7\u00e3o de sua valiosa madeira foi proibida, o que permitiu a manuten\u00e7\u00e3o de aproximadamente 3% das popula\u00e7\u00f5es naturais de Arauc\u00e1rias.<\/p>\n<p>Distribu\u00edda por quase todo o territ\u00f3rio brasileiro, de Minas Gerais ao Rio Grande do Sul, as Arauc\u00e1rias podem ser encontradas hoje em fragmentos florestais de tamanhos variados e em diferentes est\u00e1gios de sucess\u00e3o. Al\u00e9m disso, \u00e9 bastante comum encontrar \u00e1rvores isoladas em fazendas, indiv\u00edduos formando cercas vivas ou mesmo em \u00e1reas urbanas. Esses pinheiros s\u00e3o polinizados pelo vento e t\u00eam suas sementes dispersadas principalmente por barocoria, embora a dispers\u00e3o por animais, tais como cutias, p\u00e1ssaros e esquilos, tamb\u00e9m seja observada. Essas \u00e1rvores possuem um longo ciclo de vida, podendo viver mais de 300 anos e atingir at\u00e9 50 m de altura e 250 cm de di\u00e2metro. Apresenta comportamento de esp\u00e9cie pioneira em \u00e1reas abandonadas e pastagens, mas tamb\u00e9m pode atuar como uma \u00e1rvore parcialmente tolerante a sombra em ambientes florestais. Devido ao seu ciclo de vida longo, a regenera\u00e7\u00e3o natural pode ser incomum por longos per\u00edodos at\u00e9 que sejam formadas clareiras no dossel da floresta, permitindo o desenvolvimento de pl\u00e2ntulas.<\/p>\n<p>O pesquisador Sebbenn explica que a redu\u00e7\u00e3o de habitats cont\u00ednuos em pequenos fragmentos florestais e problemas com a regenera\u00e7\u00e3o podem causar uma diminui\u00e7\u00e3o imediata da diversidade gen\u00e9tica devido \u00e0 perda de genes que podem ser fundamentais para a sobreviv\u00eancia da esp\u00e9cie no futuro, devido a altera\u00e7\u00f5es ambientais, como mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. \u201cUma redu\u00e7\u00e3o do tamanho da popula\u00e7\u00e3o reprodutiva leva a dist\u00farbios nos sistemas naturais de cruzamento e na interrup\u00e7\u00e3o do fluxo g\u00eanico. Todos estes processos est\u00e3o ligados a um aumento nos n\u00edveis de endogamia (cruzamento entre indiv\u00edduos aparentados), levando \u00e0 perda de alelos e \u00e0 diverg\u00eancia populacional, o que pode ser preocupante\u201d.<\/p>\n<p>O estudo incluiu uma popula\u00e7\u00e3o localizada em um fragmento florestal situado na Esta\u00e7\u00e3o Experimental da Embrapa em Ca\u00e7ador, em Santa Catarina, e uma popula\u00e7\u00e3o situada em uma \u00e1rea agr\u00edcola aberta adjacente, h\u00e1 muito tempo abandonada. \u201cEscolhemos essas popula\u00e7\u00f5es porque poucos estudos t\u00eam examinado os n\u00edveis de diversidade gen\u00e9tica e o movimento de genes entre novas popula\u00e7\u00f5es e popula\u00e7\u00f5es naturais\u201d, comenta o pesquisador.<\/p>\n<p>Todas as 295 \u00e1rvores adultas localizadas no fragmento florestal foram mapeadas e amostradas para an\u00e1lise de DNA. Os pesquisadores coletaram sementes de trezes \u00e1rvores no fragmento e oito \u00e1rvores na \u00e1rea aberta. O material gen\u00e9tico das \u00e1rvores adultas e das sementes foi analisado em laborat\u00f3rio e os pesquisadores avaliaram a diversidade gen\u00e9tica, endogamia, estrutura gen\u00e9tica espacial e dispers\u00e3o de p\u00f3len nas duas popula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Os pesquisadores encontraram altos n\u00edveis de diversidade gen\u00e9tica nas popula\u00e7\u00f5es, com alelos privativos presentes tanto nos adultos quanto nas sementes amostradas. Embora tenha sido detectada uma forte estrutura gen\u00e9tica espacial dentro da popula\u00e7\u00e3o do fragmento, com muitos indiv\u00edduos de Arauc\u00e1ria distantes entre si ate 90 m sendo parentes, o que pode gerar cruzamento entre parentes e endogamia. Contudo, os resultados revelaram altos n\u00edveis de hetorizogose nos adultos e uma aus\u00eancia de endogamia. O estudo detectou um substancial fluxo de p\u00f3len vindo de \u00e1rvores e popula\u00e7\u00f5es n\u00e3o amostradas e localizadas adjacentes a \u00e1rea de estudo, indicando que o tamanho da popula\u00e7\u00e3o reprodutiva era maior do que as popula\u00e7\u00f5es amostradas, o que explica a alta diversidade gen\u00e9tica encontrada. \u201cEsses resultados indicam que essa \u00e1rea tem um forte potencial para a conserva\u00e7\u00e3o in e ex situ da esp\u00e9cie, devido aos altos n\u00edveis de diversidade gen\u00e9tica e de imigra\u00e7\u00e3o de genes\u201d, comenta Sebbenn.<\/p>\n<p>O estudo tamb\u00e9m revelou que a dist\u00e2ncia percorrida pelo p\u00f3len foi maior em sementes amostradas na \u00e1rea aberta (m\u00e9dia de 298 m) em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s amostradas no fragmento (m\u00e9dia de 105 m). \u201cEsse resultado indica que o fluxo de p\u00f3len ocorre a mais longas dist\u00e2ncias em \u00e1reas abertas do que dentro das florestas, o que sugere que estrat\u00e9gias voltadas para o restabelecimento de popula\u00e7\u00f5es de Arauc\u00e1rias devem levar isso em conta e incluir maneiras de garantir a regenera\u00e7\u00e3o dentro de fragmentos florestais e \/ ou assegurar que as sementes de dentro das florestas sejam inclu\u00eddas na produ\u00e7\u00e3o de mudas\u201d, explica o pesquisador.<\/p>\n<p>O estudo mostrou tamb\u00e9m o potencial de \u00e1rvores localizadas perto de grandes \u00e1reas cont\u00ednuas em estrat\u00e9gias de conserva\u00e7\u00e3o. Sebben explica que essas \u00e1rvores podem receber p\u00f3len de fragmentos vizinhos, produzindo sementes com altos n\u00edveis de diversidade gen\u00e9tica. \u201cA coleta de sementes em \u00e1rvores situadas em \u00e1reas abertas \u00e9 bem mais f\u00e1cil e tem um menor custo do que a coleta de dentro de florestas densas, o que sugere que as estrat\u00e9gias de conserva\u00e7\u00e3o para a esp\u00e9cie n\u00e3o devam estar focadas somente nos fragmentos florestais, mas tamb\u00e9m na preserva\u00e7\u00e3o dessas \u00e1rvores isoladas distribu\u00eddas pela paisagem\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Para ler o estudo na \u00edntegra acesse:<\/strong><a href=\"http:\/\/bit.ly\/2kQQGAM\"> http:\/\/bit.ly\/2kQQGAM<\/a><\/p>\n<p><strong>Texto:<\/strong> Tamires Gon\u00e7alves (Bolsista FAPESP do Programa M\u00eddia Ci\u00eancia)<\/p>\n<p><strong>Mais informa\u00e7\u00f5es:<\/strong> Pesquisador cient\u00edfico Dr. Alexandre Magno Sebbenn. Tel.: (19) 3438-7116. E-mail: alexandresebbenn@yahoo.com.br.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Utilizando marcadores de microssat\u00e9lite para investigar a diversidade gen\u00e9tica e o fluxo de p\u00f3len entre duas popula\u00e7\u00f5es de Arauc\u00e1rias (Araucaria angustifolia) situadas na regi\u00e3o Sul do Brasil, pesquisador do Instituo Florestal do Estado de S\u00e3o Paulo detecta local com alto potencial para a conversa\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica da esp\u00e9cie. 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