{"id":12421,"date":"2017-01-12T15:14:55","date_gmt":"2017-01-12T17:14:55","guid":{"rendered":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/?p=12421"},"modified":"2017-01-24T18:27:22","modified_gmt":"2017-01-24T20:27:22","slug":"a-restauracao-de-ecossistemas-em-ucs-cuidados-para-evitar-erros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/2017\/01\/a-restauracao-de-ecossistemas-em-ucs-cuidados-para-evitar-erros\/","title":{"rendered":"A restaura\u00e7\u00e3o de ecossistemas em UCs: cuidados para evitar erros"},"content":{"rendered":"<p><strong>por Giselda Durigan<\/strong><\/p>\n<p>Planos de Manejo s\u00e3o constru\u00eddos com base, geralmente, em relat\u00f3rios de especialistas, que caracterizam os ecossistemas pelos seus\u00a0atributos ambientais, pela biodiversidade e pelas amea\u00e7as a que est\u00e3o submetidos. A partir desses trabalhos, um grupo de coordena\u00e7\u00e3o\u00a0constr\u00f3i o Plano, que estabelece os objetivos do manejo, o zoneamento, as normas de cada zona e detalha os programas de manejo.<\/p>\n<p>Uma das zonas poss\u00edveis \u00e9 a Zona de Recupera\u00e7\u00e3o, em que os ecossistemas apresentam alguma forma de perturba\u00e7\u00e3o e precisam ser restaurados. Os ambientes perturbados mais comuns s\u00e3o \u00e1reas em que a vegeta\u00e7\u00e3o nativa foi destru\u00edda (desmatamento, fogo ou cultivo, por exemplo), \u00e1reas sob\u00a0efeito de borda ou \u00e1reas ocupadas por esp\u00e9cies indesej\u00e1veis (ruderais, invasoras ou mesmo nativas superdominantes), sendo a restaura\u00e7\u00e3o focada na cobertura vegetal. Em algumas situa\u00e7\u00f5es mais graves, os solos podem estar severamente degradados pela eros\u00e3o ou os corpos d\u2019\u00e1gua comprometidos pelo assoreamento, exigindo interven\u00e7\u00f5es mais radicais. Todas essas situa\u00e7\u00f5es indesej\u00e1veis requerem a\u00e7\u00f5es que devem ser indicadas nos Programas de Manejo.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que nem sempre a equipe de planejamento conta com especialistas em restaura\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica. O resultado da aus\u00eancia desses profissionais, muitas vezes, s\u00e3o normas ou programas de manejo equivocados, que, ao inv\u00e9s de contribuir para a recupera\u00e7\u00e3o dos ecossistemas, podem resultar em retrocesso ou at\u00e9 em novos problemas ecol\u00f3gicos.<\/p>\n<p>As interven\u00e7\u00f5es de restaura\u00e7\u00e3o, em qualquer situa\u00e7\u00e3o, visam conduzir o ecossistema \u00e0 condi\u00e7\u00e3o mais pr\u00f3xima poss\u00edvel daquela que existia anteriormente \u00e0 perturba\u00e7\u00e3o. Muitas vezes essa \u00e9 uma meta inating\u00edvel e, nesses casos, \u00e9 aceit\u00e1vel restaurar pelo menos os servi\u00e7os ecossist\u00eamicos. No entanto, no interior de Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o (UCs), a restaura\u00e7\u00e3o deve buscar, a todo custo, reproduzir as paisagens, restabelecer a composi\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies e os gen\u00f3tipos locais, assegurando a esperada conserva\u00e7\u00e3o da diversidade biol\u00f3gica, em todos os n\u00edveis, e os processos ecol\u00f3gicos a ela associados.<\/p>\n<div id=\"attachment_12498\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2016\/12\/p\u00e1g.-7-destaque_1.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-12498\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-12498\" src=\"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2016\/12\/p\u00e1g.-7-destaque_1.jpg\" width=\"600\" height=\"442\" srcset=\"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2016\/12\/p\u00e1g.-7-destaque_1.jpg 937w, https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2016\/12\/p\u00e1g.-7-destaque_1-300x221.jpg 300w, https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2016\/12\/p\u00e1g.-7-destaque_1-768x566.jpg 768w, https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2016\/12\/p\u00e1g.-7-destaque_1-367x270.jpg 367w, https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2016\/12\/p\u00e1g.-7-destaque_1-210x155.jpg 210w, https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2016\/12\/p\u00e1g.-7-destaque_1-132x97.jpg 132w, https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2016\/12\/p\u00e1g.-7-destaque_1-68x50.jpg 68w, https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2016\/12\/p\u00e1g.-7-destaque_1-273x201.jpg 273w, https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2016\/12\/p\u00e1g.-7-destaque_1-129x95.jpg 129w, https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2016\/12\/p\u00e1g.-7-destaque_1-134x99.jpg 134w, https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2016\/12\/p\u00e1g.-7-destaque_1-70x52.jpg 70w, https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2016\/12\/p\u00e1g.-7-destaque_1-330x243.jpg 330w, https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2016\/12\/p\u00e1g.-7-destaque_1-69x51.jpg 69w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-12498\" class=\"wp-caption-text\">Plantio de restaura\u00e7\u00e3o realizado como medida compensat\u00f3ria na Floresta Estadual de Assis. Na inexist\u00eancia de mudas de esp\u00e9cies de Cerrado, a empresa contratada plantou diversas esp\u00e9cies ex\u00f3ticas, algumas reportadas como invasoras<\/p><\/div>\n<p><strong>Diretrizes para a restaura\u00e7\u00e3o bem-sucedida em UCs<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>a primeira a\u00e7\u00e3o de restaura\u00e7\u00e3o no interior de UCs deve ser o controle e, se poss\u00edvel, a erradica\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies ex\u00f3ticas invasoras. A indica\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies e o grau de amea\u00e7a que oferecem devem constar no relat\u00f3rio dos especialistas em vegeta\u00e7\u00e3o;<\/li>\n<li>a restaura\u00e7\u00e3o passiva, ou seja, a regenera\u00e7\u00e3o natural do ecossistema sem necessidade de interven\u00e7\u00e3o, \u00e9 prefer\u00edvel em rela\u00e7\u00e3o ao plantio, exceto quando a recobertura r\u00e1pida do terreno for desej\u00e1vel para controlar processos erosivos ou para evitar reocupa\u00e7\u00e3o por esp\u00e9cies invasoras;<\/li>\n<li>em \u00e1reas que foram cultivadas com eucalipto, pinus ou outras esp\u00e9cies comerciais em ciclos longos, geralmente basta o corte e retirada das \u00e1rvores plantadas para desencadear a regenera\u00e7\u00e3o natural (neste caso, a t\u00e9cnica \u00e9 denominada regenera\u00e7\u00e3o natural assistida);<\/li>\n<li>quando o plantio de sementes ou mudas for indispens\u00e1vel, devem ser utilizadas sementes colhidas na pr\u00f3pria Unidade de Conserva\u00e7\u00e3o (UC), e<\/li>\n<li>a colheita de sementes no interior da UC deve estar expressamente autorizada e normatizada no Plano de Manejo, para plantio dentro da UC ou em sua Zona de Amortecimento (Art. 26 do Decreto Federal n\u00ba 4.340\/2002).<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Erros mais comuns<\/strong><\/p>\n<p>Os erros mais comuns que t\u00eam sido constatados nas interven\u00e7\u00f5es de restaura\u00e7\u00e3o no interior de Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o s\u00e3o os seguintes:<\/p>\n<ul>\n<li>plantio de \u00e1rvores onde a vegeta\u00e7\u00e3o natural nunca foi florestal. Por exemplo, em campos \u00famidos e v\u00e1rzeas;<\/li>\n<li>plantio de mudas de esp\u00e9cies que n\u00e3o s\u00e3o nativas daquela UC. T\u00eam sido constatados plantios de restaura\u00e7\u00e3o utilizando esp\u00e9cies brasileiras de outras regi\u00f5es e, tamb\u00e9m, esp\u00e9cies ex\u00f3ticas, at\u00e9 mesmo com potencial invasor, colocando em risco os ecossistemas naturais de toda a Unidade, e<\/li>\n<li>plantio de mudas de esp\u00e9cies nativas da UC, mas produzidas com sementes de outras regi\u00f5es (contamina\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica).<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Giselda Durigan \u00e9\u00a0pesquisadora cient\u00edfica do Instituto Florestal, formada em Engenharia Florestal pela Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) com p\u00f3s-doutorado pelo Royal Botanic Garden da Esc\u00f3cia.<\/em><\/p>\n<p>*<em>Texto publicado originalmente em 2013 no informativo <a href=\"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2013\/05\/if_noticias_n15.pdf\">IF not\u00edcias n\u00ba15<\/a>.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Giselda Durigan Planos de Manejo s\u00e3o constru\u00eddos com base, geralmente, em relat\u00f3rios de especialistas, que caracterizam os ecossistemas pelos seus\u00a0atributos ambientais, pela biodiversidade e pelas amea\u00e7as a que est\u00e3o submetidos. 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