{"id":11336,"date":"2016-06-22T15:42:06","date_gmt":"2016-06-22T18:42:06","guid":{"rendered":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/?p=11336"},"modified":"2016-06-29T11:17:51","modified_gmt":"2016-06-29T14:17:51","slug":"a-importancia-de-estudar-especies-nativas-com-potencial-comercial-madeireiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/2016\/06\/a-importancia-de-estudar-especies-nativas-com-potencial-comercial-madeireiro\/","title":{"rendered":"A import\u00e2ncia de estudar esp\u00e9cies nativas com potencial comercial madeireiro"},"content":{"rendered":"<p>Entre 2011 e 2012, Caio Souza, estudante biologia e estagi\u00e1rio do Instituto Florestal (IF) desenvolveu pesquisa que avaliou o plantio de duas esp\u00e9cies nativas com potencial comercial, a aroeira e o angico-vermelho, em cons\u00f3rcio com a esp\u00e9cie pioneira capixingui, tamb\u00e9m nativa. O objetivo foi verificar a influ\u00eancia de diferentes propor\u00e7\u00f5es da pioneira na sobreviv\u00eancia e crescimento das esp\u00e9cies de interesse comercial. A pesquisa foi realizada em Paragua\u00e7u Paulista e envolveu os pesquisadores do IF Osmar Vilas B\u00f4as e Giselda Durigan. O estudo foi apresentado como Trabalho de Conclus\u00e3o de Curso na Universidade Estadual Paulista J\u00falio de Mesquita Filho (Unesp).<\/p>\n<p>Atualmente, Caio \u00e9 mestre em bioci\u00eancias pela Unesp e nos contou um pouco mais sobre sua pesquisa, rec\u00e9m publicada na <a href=\"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/publicacoes-if\/revista-do-if\/\">Revista do Instituto Florestal<\/a>. Falou tamb\u00e9m sobre a import\u00e2ncia de se realizar estudos com esp\u00e9cies nativas que tenham potencial comercial madeireiro.<\/p>\n<p><strong>Por que estudar esp\u00e9cies nativas para fins comerciais?<\/strong><br \/>\nO Brasil apresenta grande demanda por madeira para os mais variados fins: produ\u00e7\u00e3o de carv\u00e3o, papel e celulose, m\u00f3veis, al\u00e9m da constru\u00e7\u00e3o civil leve e pesada, demanda esta que vem crescendo nos \u00faltimos anos. \u201cQuase 20% dessa demanda corresponde a madeiras de esp\u00e9cies nativas. O problema \u00e9 que o plantio dessas esp\u00e9cies nativas para a extra\u00e7\u00e3o de madeira n\u00e3o \u00e9 suficiente para suprir essa demanda, resultando na extra\u00e7\u00e3o ilegal de madeira diretamente de remanescentes florestais\u201d, alerta Caio. \u201cConhecendo melhor as particularidades do cultivo dessas esp\u00e9cies, \u00e9 poss\u00edvel planejar plantios que sejam mais eficientes em termos de produ\u00e7\u00e3o madeireira, aliviando a press\u00e3o extrativista nas florestas naturais ao mesmo tempo em que supre a demanda de madeira pela ind\u00fastria\u201d, complementa.<\/p>\n<p>H\u00e1 algumas d\u00e9cadas s\u00e3o desenvolvidas no Brasil pesquisas voltadas ao cultivo de esp\u00e9cies florestais nativas com potencial comercial. Entretanto, o foco desses estudos s\u00e3o plantios com apenas uma esp\u00e9cie. Dessa forma, plantios consorciados ainda s\u00e3o raros enquanto objetos de estudo.<\/p>\n<p><strong>Mas o que s\u00e3o plantios consorciados?<\/strong><br \/>\nOs plantios consorciados (tamb\u00e9m conhecidos por plantios mistos ou <em>mixed stands<\/em>) s\u00e3o formas de cultivo na qual duas ou mais esp\u00e9cies s\u00e3o plantadas simultaneamente no mesmo local. O plantio pode ser realizado sob variados modelos de espa\u00e7amento e propor\u00e7\u00e3o entre esp\u00e9cies. \u201cA ideia \u00e9 que as esp\u00e9cies de interesse comercial tenham sua produtividade beneficiada pela intera\u00e7\u00e3o com as demais esp\u00e9cies cultivadas no local, bem como pela intera\u00e7\u00e3o destas esp\u00e9cies com o meio. Um plantio misto de sucesso deve ter a produtividade superior ao monocultivo da esp\u00e9cie de interesse comercial\u201d, explica Caio.<\/p>\n<p>O entrevistado cita o exemplo cl\u00e1ssico do plantio consorciado de esp\u00e9cies de eucalipto com leguminosas fixadoras de nitrog\u00eanio: \u201cEstudos j\u00e1 apontaram crescimento significativamente superior, tanto em di\u00e2metro quanto em altura, para os eucaliptos consorciados quando comparados aos cultivados em plantios puros\u201d.<\/p>\n<p><strong>Influ\u00eancia das esp\u00e9cies pioneiras no crescimento das secund\u00e1rias<\/strong><br \/>\nO estudo que \u00e9 tema desta mat\u00e9ria avaliou o desempenho das duas esp\u00e9cies nativas de interesse comercial (aroeira e angico vermelho), em cons\u00f3rcio com o capixingui.<\/p>\n<p>O capixingui \u00e9 uma esp\u00e9cie pioneira. A aroeira e o angico vermelho s\u00e3o esp\u00e9cies secund\u00e1rias. \u201cEsp\u00e9cies pioneiras s\u00e3o as primeiras a ocuparem o ambiente, por esta raz\u00e3o s\u00e3o chamadas tamb\u00e9m de esp\u00e9cies colonizadoras ou oportunistas. Geralmente apresentam crescimento r\u00e1pido, grande capacidade de dispers\u00e3o e desenvolvem-se melhor sob abund\u00e2ncia de luz solar. As esp\u00e9cies secund\u00e1rias (ou n\u00e3o-pioneiras) aparecem em momentos posteriores da sucess\u00e3o ecol\u00f3gica, sendo esp\u00e9cies mais especializadas, de crescimento lento e ainda apresentando a capacidade de germinar e se desenvolver sob a sombra.\u201d, explica Caio.\u201cEm florestas de momento sucessional mais avan\u00e7ado as esp\u00e9cies secund\u00e1rias tendem a ser maioria, sendo comumente exemplificadas por \u00e1rvores de grande porte com o ciclo de vida mais longo\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>O estudo foi realizado em dois experimentos de restaura\u00e7\u00e3o florestal, um plantio consorciado de aroeira e capixingui e o outro de angico-vermelho e capixingui. Foram realizados com cinco repeti\u00e7\u00f5es de cada tratamento (25, 50, 75 e 85% da esp\u00e9cie pioneira).<\/p>\n<p>Os experimentos foram instalados no ano de 1997, na microbacia hidrogr\u00e1fica do ribeir\u00e3o \u00c1gua da Cachoeira (tribut\u00e1rio da bacia do M\u00e9dio Paranapanema), no munic\u00edpio de Paragua\u00e7u Paulista. Quinze anos ap\u00f3s o plantio, foram constatados alguns padr\u00f5es:<\/p>\n<ul>\n<li>mortalidade superior da esp\u00e9cie pioneira em compara\u00e7\u00e3o \u00e0s secund\u00e1rias;<\/li>\n<li>crescimento mais r\u00e1pido da aroeira e do angico-vermelho quanto maior a propor\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie pioneira;<\/li>\n<li>n\u00e3o houve varia\u00e7\u00e3o no volume de madeira produzido por que possa ser explicada pela propor\u00e7\u00e3o de pioneiras para nenhuma das duas esp\u00e9cies.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Embora a consorcia\u00e7\u00e3o com esp\u00e9cies pioneiras favore\u00e7a o crescimento individual das esp\u00e9cies-alvo, n\u00e3o h\u00e1 nenhum efeito da consorcia\u00e7\u00e3o no volume de madeira produzido por hectare.<\/p>\n<p>\u201cNo caso deste estudo, o maior volume m\u00e9dio de madeira produzido por indiv\u00edduo de cada uma das esp\u00e9cies-alvo (secund\u00e1rias) foi explicado pela mortalidade das esp\u00e9cies pioneiras, o que reduziu a competi\u00e7\u00e3o por recursos e permitiu que as esp\u00e9cies-alvo se desenvolvessem melhor. Al\u00e9m da rela\u00e7\u00e3o entre esp\u00e9cies pioneiras e secund\u00e1rias, outros fatores tamb\u00e9m influenciam no crescimento e desenvolvimento das esp\u00e9cies em um plantio consorciado, sendo que estes fatores variam desde as caracter\u00edsticas do meio (que podem favorecer determinadas esp\u00e9cies em detrimento a outras) at\u00e9 caracter\u00edsticas particulares de cada esp\u00e9cie que as favore\u00e7am em um ambiente de competi\u00e7\u00e3o\u201d, conclui Caio.<\/p>\n<p>Para ele, ainda \u00e9 cedo para se fazer generaliza\u00e7\u00f5es sobre plantios consorciados, por\u00e9m, fica bem evidente a necessidade de novos estudos para que haja cada vez mais entendimento sobre os processos ecol\u00f3gicos envolvidos nesse tipo de plantio. Dessa maneira, a produtividade dos plantios de esp\u00e9cies nativas poder\u00e1 ser melhorada e, consequentemente, os problemas ambientais e econ\u00f4micos relativos \u00e0 explora\u00e7\u00e3o dessas esp\u00e9cies poder\u00e3o ser atenuados.<\/p>\n<p>Os resultados da pesquisa realizada foram publicados na <a href=\"http:\/\/doi.editoracubo.com.br\/10.4322\/rif.2015.012\">Revista do IF, volume 27 n\u00ba 2<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entre 2011 e 2012, Caio Souza, estudante biologia e estagi\u00e1rio do Instituto Florestal (IF) desenvolveu pesquisa que avaliou o plantio de duas esp\u00e9cies nativas com potencial comercial, a aroeira e o angico-vermelho, em cons\u00f3rcio com a esp\u00e9cie pioneira capixingui, tamb\u00e9m nativa. 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