{"id":10885,"date":"2016-02-12T16:46:39","date_gmt":"2016-02-12T18:46:39","guid":{"rendered":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/?page_id=10885"},"modified":"2021-01-26T11:33:03","modified_gmt":"2021-01-26T13:33:03","slug":"xilografia","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/colecoes-e-acervos\/museu-florestal\/xilografia\/","title":{"rendered":"Xilografia"},"content":{"rendered":"<p><strong>A Escola de Xilografia do Horto<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A Escola de Xilografia do Horto nasceu em 1940, sob a dire\u00e7\u00e3o de Jos\u00e9 Camargo Cabral, com a inten\u00e7\u00e3o de formar xil\u00f3grafos impressores. Foi escolhido como professor o alem\u00e3o Adolf K\u00f6hler (1882-1950), que estava no Brasil desde 1927, e tinha uma s\u00f3lida experi\u00eancia em xilografia. Jovem, fez sua forma\u00e7\u00e3o na Alemanha e est\u00e1gios de aperfei\u00e7oamento na Fran\u00e7a e na Hungria. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Os primeiros alunos da escola do Horto foram recrutados dentre os funcion\u00e1rios do ent\u00e3o Servi\u00e7o Florestal, hoje denominado Instituto Florestal, que tivessem alguma aptid\u00e3o para o desenho. A artista e pesquisadora Rosita Gouveia, <\/span> <span style=\"font-weight: 400\">que na d\u00e9cada de 1980 estudou o legado da escola do Horto, registra tamb\u00e9m que alguns moradores locais se ofereceram como alunos procurando profissionaliza\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\"><a href=\"https:\/\/smastr16.blob.core.windows.net\/iflorestal\/sites\/234\/2021\/01\/adolfkohler.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-20139 size-medium\" src=\"https:\/\/smastr16.blob.core.windows.net\/iflorestal\/sites\/234\/2021\/01\/adolfkohler-239x300.jpg\" alt=\"\" width=\"239\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/smastr16.blob.core.windows.net\/iflorestal\/sites\/234\/2021\/01\/adolfkohler-239x300.jpg 239w, https:\/\/smastr16.blob.core.windows.net\/iflorestal\/sites\/234\/2021\/01\/adolfkohler-817x1024.jpg 817w, https:\/\/smastr16.blob.core.windows.net\/iflorestal\/sites\/234\/2021\/01\/adolfkohler-768x962.jpg 768w, https:\/\/smastr16.blob.core.windows.net\/iflorestal\/sites\/234\/2021\/01\/adolfkohler-1226x1536.jpg 1226w, https:\/\/smastr16.blob.core.windows.net\/iflorestal\/sites\/234\/2021\/01\/adolfkohler-250x313.jpg 250w, https:\/\/smastr16.blob.core.windows.net\/iflorestal\/sites\/234\/2021\/01\/adolfkohler-550x689.jpg 550w, https:\/\/smastr16.blob.core.windows.net\/iflorestal\/sites\/234\/2021\/01\/adolfkohler-800x1002.jpg 800w, https:\/\/smastr16.blob.core.windows.net\/iflorestal\/sites\/234\/2021\/01\/adolfkohler-144x180.jpg 144w, https:\/\/smastr16.blob.core.windows.net\/iflorestal\/sites\/234\/2021\/01\/adolfkohler-399x500.jpg 399w, https:\/\/smastr16.blob.core.windows.net\/iflorestal\/sites\/234\/2021\/01\/adolfkohler.jpg 1277w\" sizes=\"(max-width: 239px) 100vw, 239px\" \/><\/a>A Escola funcionou regularmente at\u00e9 1945, quando em 1946 sofreu um baque com a debandada de v\u00e1rios alunos que foram classificados como \u201ctrabalhador bra\u00e7al\u201d \u2013 a mais baixa remunera\u00e7\u00e3o do Servi\u00e7o Florestal, quando todos esperavam ser \u201cdesenhistas\u201d, a carreira profissional que desejavam. Apesar de tudo, a escola funcionou at\u00e9 1950 quando o mestre morreu, formou alguns gravadores: Jos\u00e9 Cruz, Waldemar Moll, que trabalhou nessa profiss\u00e3o na revista \u201cCh\u00e1caras e Quintais\u201d e Itajahy Martins foi o \u00fanico aluno que seguiu uma carreira art\u00edstica, rebelde \u00e0s t\u00e9cnicas de ensino da escola, foi um grande divulgador da xilogravura e o primeiro titular de uma disciplina de gravura no Brasil.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">K\u00f6hler tamb\u00e9m influenciou a gravura de L\u00edvio Abramo (1903-1922). Embora ele n\u00e3o tenha sido aluno na escola do Horto, recebeu algumas aulas de grava\u00e7\u00e3o em topo, bem como de preparo das matrizes. Em 1950 quando ganhou o pr\u00eamio viagem no Sal\u00e3o Nacional de Belas Artes usou justamente madeiras preparadas pelo alem\u00e3o. Reproduzimos aqui depoimento do artista, dado em 10.03.86:<\/span><\/p>\n<p><em><span style=\"font-weight: 400\">\u201cO meu aprendizado com o K\u00f6hler na gravura de reprodu\u00e7\u00e3o resultou muito importante para mim. N\u00e3o como linguagem t\u00e9cnica simplesmente, mas aperfei\u00e7oando a est\u00e9tica dos efeitos gr\u00e1ficos. Eu j\u00e1 conhecia a madeira de topo, mas fiz esse tipo de gravura incentivado pelo K\u00f6hler. Eu era admirador da gravura de reprodu\u00e7\u00e3o do s\u00e9culo passado, que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 de \u201creprodu\u00e7\u00e3o\u201d, mas tamb\u00e9m art\u00edstica em grau extremo. (&#8230;)<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"font-weight: 400\">O K\u00f6hler era uma pessoa que eu me lembro com muito carinho, com muito respeito e me ensinou muitas coisas que eu, gravador incipiente, n\u00e3o sabia. Ele morreu esquecido e o seu trabalho que poderia ser t\u00e3o importante do ponto de vista cultural, assim como a perman\u00eancia de uma t\u00e9cnica art\u00edstica t\u00e3o rara, se perdeu. Foi uma pena.\u201d<\/span><\/em><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00c9 importante ressaltar que no caso do Horto, todas as matrizes s\u00e3o de guatambu-rosa (<em>Aspidosperma parvifolium<\/em>), uma \u00e1rvore encontrada desde o sul da Bahia at\u00e9 o Rio Grande do Sul e que possui uma madeira muito dura com fibras unidas e textura firme, o que permite um bom alisamento e a obten\u00e7\u00e3o de linhas finas no desenho. K\u00f6hler estabeleceu que esta era a melhor substituta ao buxo (<\/span><em><span style=\"font-weight: 400\">Buxus sempervirens<\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400\">) que se usava na Europa para a xilogravura de topo.<\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/smastr16.blob.core.windows.net\/iflorestal\/sites\/234\/2018\/05\/050-101x93.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone wp-image-14786\" src=\"https:\/\/smastr16.blob.core.windows.net\/iflorestal\/sites\/234\/2018\/05\/050-101x93.jpg\" alt=\"\" width=\"499\" height=\"604\" srcset=\"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2018\/05\/050-101x93.jpg 1136w, https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2018\/05\/050-101x93-248x300.jpg 248w, https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2018\/05\/050-101x93-768x930.jpg 768w, https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2018\/05\/050-101x93-223x270.jpg 223w, https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2018\/05\/050-101x93-128x155.jpg 128w, https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2018\/05\/050-101x93-80x97.jpg 80w, https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2018\/05\/050-101x93-56x68.jpg 56w, https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2018\/05\/050-101x93-166x201.jpg 166w, https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2018\/05\/050-101x93-107x129.jpg 107w, https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2018\/05\/050-101x93-82x99.jpg 82w, https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutoflorestal\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2018\/05\/050-101x93-58x70.jpg 58w\" sizes=\"(max-width: 499px) 100vw, 499px\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>A T\u00e9cnica<\/strong><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">A Xilografia \u00e9 uma antiga t\u00e9cnica de origem chinesa, ao que tudo indica tendo seu inicio no s\u00e9culo II, onde o artes\u00e3o grava na madeira a imagem que pretende reproduzir, utilizando-a como matriz e possibilitando a reprodu\u00e7\u00e3o de diversas imagens id\u00eanticas sobre papel ou outro suporte adequado.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A grava\u00e7\u00e3o da figura ou forma que se pretende imprimir \u00e9 feita com ajuda de instrumento cortante (como o buril), tendo consci\u00eancia de produzir uma imagem invertida (espelhada) aquela que se pretende obter no final. Uma vez conclu\u00edda a grava\u00e7\u00e3o, usa-se um rolo de borracha embebido em tinta, tocando s\u00f3 as partes elevadas da matriz e a\u00ed deixando tinta. Sobre a matriz j\u00e1 entintada, \u00e9 colocada a folha de papel e, atrav\u00e9s da press\u00e3o, a tinta passa para o suporte, no caso da escola era usada uma prensa, mas tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel fazer a impress\u00e3o manualmente, com a ajuda de uma colher e pau. O final do processo \u00e9 a impress\u00e3o em papel ou pano especial, que fica impregnado com a tinta, revelando a figura.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A xilogravura se registra no ocidente desde o s\u00e9culo XIV, sendo a primeira datada em 1423, uma imagem de S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o, conservada at\u00e9 os dias atuais na Inglaterra. Com o tempo, as gravuras se tornaram essenciais para educa\u00e7\u00e3o e divulga\u00e7\u00e3o de descobertas, j\u00e1 que elas ilustravam o conhecimento humano, como desenhos t\u00e9cnicos de m\u00e1quinas, inventos, arte, fauna, flora e retratos. Por\u00e9m a xilogravura passa a ser menos utilizada com o advento da gravura em metal, j\u00e1 que esta apresentava maior semelhan\u00e7a e detalhes.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">No final do s\u00e9culo XVIII Thomas Bewick teve a ideia de usar uma madeira mais dura como matriz e marcar os desenhos com o buril, instrumento que dava uma maior defini\u00e7\u00e3o ao tra\u00e7o, o que possibilitou uma \u201csegunda chance\u201d para a t\u00e9cnica, mas que logo volta a ser considerada antiquada com a inven\u00e7\u00e3o dos processos de impress\u00e3o a partir da fotografia. \u00a0A partir do final do s\u00e9culo XIX, a xilogravura faz seu \u201crenascimento\u201d, mas sendo utilizada principalmente como arte.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">No Brasil, se estabelece que a gravura come\u00e7a em 1808 com a vinda da fam\u00edlia real, por\u00e9m Antonio Costella, grande advogado, jornalista, professor, escritor e artista diz em seu livro \u201cGravura e Gravadores em Madeira\u201d, que a t\u00e9cnica no pa\u00eds surge com os \u00edndios, j\u00e1 que usavam matrizes em madeira para pintar o corpo ou a roupa. Com a libera\u00e7\u00e3o das gr\u00e1ficas, em 1823, come\u00e7aram a surgir os profissionais necess\u00e1rios para ilustrar livros, jornais e propagandas, mas logo se instalou a litografia e a gravura em metal., em 1826 j\u00e1 havia pelo menos quatro prelos litogr\u00e1ficos no Rio de Janeiro, e a xilogravura ficou limitada a impressos baratos, carimbos e eventuais ilustra\u00e7\u00f5es em jornais.<\/span><\/p>\n<p><b>Fonte: <\/b>Maria Pinto \u00a0e Maura de Andrade em <a href=\"http:\/\/dialogos-xilogravuras.blogspot.com.br\/p\/historia-e-tecnica.html\">http:\/\/dialogos-xilogravuras.blogspot.com.br\/p\/historia-e-tecnica.html<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Escola de Xilografia do Horto A Escola de Xilografia do Horto nasceu em 1940, sob a dire\u00e7\u00e3o de Jos\u00e9 Camargo Cabral, com a inten\u00e7\u00e3o de formar xil\u00f3grafos impressores. 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