{"id":23599,"date":"2020-11-04T12:08:29","date_gmt":"2020-11-04T14:08:29","guid":{"rendered":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutodebotanica\/?p=23599"},"modified":"2020-11-04T12:22:35","modified_gmt":"2020-11-04T14:22:35","slug":"instituto-de-botanica-cria-modelos-para-prever-impactos-do-clima-e-da-urbanizacao-no-cinturao-verde-de-sp","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutodebotanica\/2020\/11\/instituto-de-botanica-cria-modelos-para-prever-impactos-do-clima-e-da-urbanizacao-no-cinturao-verde-de-sp\/","title":{"rendered":"Instituto de Bot\u00e2nica cria modelos para prever impactos do clima e da urbaniza\u00e7\u00e3o no cintur\u00e3o verde de SP"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-23601 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutodebotanica\/wp-content\/uploads\/sites\/235\/2020\/11\/mapa-fapesp.jpg\" alt=\"\" width=\"567\" height=\"409\" srcset=\"https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutodebotanica\/wp-content\/uploads\/sites\/235\/2020\/11\/mapa-fapesp.jpg 567w, https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutodebotanica\/wp-content\/uploads\/sites\/235\/2020\/11\/mapa-fapesp-250x180.jpg 250w, https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutodebotanica\/wp-content\/uploads\/sites\/235\/2020\/11\/mapa-fapesp-550x397.jpg 550w, https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutodebotanica\/wp-content\/uploads\/sites\/235\/2020\/11\/mapa-fapesp-416x300.jpg 416w, https:\/\/www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br\/institutodebotanica\/wp-content\/uploads\/sites\/235\/2020\/11\/mapa-fapesp-210x150.jpg 210w\" sizes=\"(max-width: 567px) 100vw, 567px\" \/><\/p>\n<p><b>Maria Fernanda Ziegler | Ag\u00eancia FAPESP<\/b>\u00a0\u2013 Pesquisadores do Instituto de Bot\u00e2nica v\u00e3o estudar os efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, da polui\u00e7\u00e3o e do uso do solo na vegeta\u00e7\u00e3o nativa ainda existente na cidade de S\u00e3o Paulo e em mais de 70 munic\u00edpios vizinhos. A ideia \u00e9 desenvolver modelos capazes de prever cen\u00e1rios para os pr\u00f3ximos 30 anos, a partir de dados hist\u00f3ricos, estudos de campo e simula\u00e7\u00f5es em laborat\u00f3rio.<\/p>\n<p>O estudo multidisciplinar tem por objetivo avaliar o n\u00edvel de conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade na Reserva da Biosfera do Cintur\u00e3o Verde de S\u00e3o Paulo e tamb\u00e9m de seus servi\u00e7os ecossist\u00eamicos como controle da qualidade e do fluxo da \u00e1gua, regula\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica e estocagem de carbono. A ideia \u00e9 que, com base nos resultados das pesquisas, a Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente do Estado de S\u00e3o Paulo possa desenvolver pol\u00edticas p\u00fablicas e regulamenta\u00e7\u00f5es para a \u00e1rea.<\/p>\n<p>Reconhecida pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Educa\u00e7\u00e3o, a Ci\u00eancia e a Cultura (Unesco) como patrim\u00f4nio da humanidade em 1993, a Reserva da Biosfera do Cintur\u00e3o Verde da Cidade de S\u00e3o Paulo inclui remanescentes da Mata Atl\u00e2ntica e de Cerrado, parques naturais urbanos, reservas estaduais, esta\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas, \u00e1reas de prote\u00e7\u00e3o de \u00e1gua doce e da vida silvestre e tamb\u00e9m \u00e1reas urbanas. A \u00e1rea \u00e9 considerada um\u00a0<i>hotspot<\/i>\u00a0para a conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade e abrange 73 munic\u00edpios em torno da capital paulista.<\/p>\n<p>\u201cO principal foco do projeto, estruturado em nove m\u00f3dulos, \u00e9 a integra\u00e7\u00e3o das \u00e1reas de pesquisa em bot\u00e2nica. Afinal, a reserva \u00e9 um ecossistema que funciona como uma grande rede interconectada. E notamos que tamb\u00e9m estamos trabalhando mais interligados agora com a nova infraestrutura e a central de equipamentos multiusu\u00e1rios\u201d, diz\u00a0<b><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/1970\/luiz-mauro-barbosa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Luiz Mauro Barbosa\u00a0<\/a><\/b>, diretor do Instituto de Bot\u00e2nica.<\/p>\n<p>O\u00a0<b><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/100779\/desafios-para-conservacao-da-biodiversidade-frente-as-mudancas-climaticas-poluicao-e-uso-e-ocupacao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">projeto\u00a0<\/a><\/b>come\u00e7ou a ser concebido em abril de 2018, quando o Instituto, vinculado \u00e0 Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente do Estado de S\u00e3o Paulo, foi aprovado no edital do<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/615\/programa-modernizacao-de-institutos-estaduais-de-pesquisa\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">\u00a0Programa de Moderniza\u00e7\u00e3o de Institutos Estaduais de Pesquisa<\/a><\/strong>\u00a0da FAPESP. No \u00e2mbito dessa iniciativa, a Funda\u00e7\u00e3o destinou um total de R$ 120 milh\u00f5es para a moderniza\u00e7\u00e3o da infraestrutura de pesquisa e a capacita\u00e7\u00e3o de pessoal para 12 institui\u00e7\u00f5es paulistas.<\/p>\n<p>A regi\u00e3o estudada \u00e9 muito populosa, com in\u00fameros fragmentos de vegeta\u00e7\u00e3o nativa. \u201cA popula\u00e7\u00e3o que vive nos munic\u00edpios do entorno j\u00e1 sofre com aumento de temperatura [mudan\u00e7as clim\u00e1ticas], altos \u00edndices de polui\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica e urbaniza\u00e7\u00e3o desordenada. \u00c9 tamb\u00e9m uma \u00e1rea que se beneficia com os servi\u00e7os ecossist\u00eamicos da reserva. Vamos mensurar como ser\u00e1 dada essa rela\u00e7\u00e3o nos pr\u00f3ximos anos e qual o papel da conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade nos ecossistemas terrestres e aqu\u00e1ticos para melhoria da qualidade de vida da popula\u00e7\u00e3o\u201d, afirma\u00a0<b><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/8229\/marisa-domingos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Marisa Domingos\u00a0<\/a><\/b>, pesquisadora do Instituto de Bot\u00e2nica.<\/p>\n<p><b>Fortalecimento da pesquisa<\/b><\/p>\n<p>O apoio da FAPESP envolve, al\u00e9m do financiamento de bolsas de pesquisa e do fortalecimento de parcerias internacionais, o melhoramento de laborat\u00f3rios e informatiza\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o de cole\u00e7\u00f5es cient\u00edficas, como as do herb\u00e1rio do Instituto de Bot\u00e2nica, com mais de 500 mil exsicatas (amostra de planta prensada e seca em estufa) da flora brasileira.<\/p>\n<p>O Museu Bot\u00e2nico Dr. Jo\u00e3o Barbosa Rodrigues\u00a0\u2013 interface do Instituto com a comunidade \u2013 tamb\u00e9m est\u00e1 sendo modernizado e receber\u00e1 uma exposi\u00e7\u00e3o voltada \u00e0s atividades de educa\u00e7\u00e3o ambiental e comunica\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia. Integra o projeto ainda o desenvolvimento de sistema digital para integra\u00e7\u00e3o de dados dos diversos setores da pesquisa cient\u00edfica. O Museu est\u00e1 instalado dentro da \u00e1rea do Jardim Bot\u00e2nico.<\/p>\n<p>Os recursos para a melhoria f\u00edsica das instala\u00e7\u00f5es s\u00e3o provenientes da Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente do Estado de S\u00e3o Paulo. J\u00e1 a compra de equipamentos para estrutura\u00e7\u00e3o da central multiusu\u00e1ria e o custeio das atividades de pesquisa, como a digitaliza\u00e7\u00e3o e modelagem, s\u00e3o apoiados pela FAPESP.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um projeto amplo que passa na escala macro pelo diagn\u00f3stico da biodiversidade, an\u00e1lise estrutural e funcional de comunidades e restaura\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica. J\u00e1 na escala micro, buscamos identificar biomarcadores qu\u00edmicos, fisiol\u00f3gicos e biomoleculares. Tudo isso associado ao contexto da educa\u00e7\u00e3o ambiental\u201d, relata\u00a0<b><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/33859\/emerson-alves-da-silva\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Emerson Alves da Silva\u00a0<\/a><\/b>, presidente do N\u00facleo de Inova\u00e7\u00e3o Tecnol\u00f3gica do Instituto de Bot\u00e2nica.<\/p>\n<p><b>Passado, presente e futuro<\/b><\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o de cen\u00e1rios sobre o que poder\u00e1 ocorrer nos pr\u00f3ximos anos sob os impactos clim\u00e1ticos, de polui\u00e7\u00e3o e de perda de h\u00e1bitat parte de tr\u00eas tipos de estudo.<\/p>\n<p>O primeiro deles s\u00e3o os diagn\u00f3sticos observacionais realizados por pesquisa de campo. Um grupo multidisciplinar est\u00e1 analisando diferentes grupos taxon\u00f4micos, como algas, brom\u00e9lias, ep\u00edfitas, \u00e1rvores pioneiras e n\u00e3o pioneiras que habitam a vegeta\u00e7\u00e3o nativa remanescente na regi\u00e3o da reserva.<\/p>\n<p>\u201cPretendemos identificar quais esp\u00e9cies s\u00e3o mais ou menos adapt\u00e1veis a esses impactos e que efeitos a varia\u00e7\u00e3o de suas popula\u00e7\u00f5es podem acarretar no ecossistema e nas cidades. \u00c9 uma regi\u00e3o que sofre forte press\u00e3o antr\u00f3pica e queremos descobrir, entre os diversos estressores ambientais, clim\u00e1ticos e poluentes, quais proporcionam mais mudan\u00e7as na biodiversidade. Queremos entender tamb\u00e9m se haver\u00e1 efeitos aditivos, sin\u00e9rgicos ou antag\u00f4nicos, pois a ideia \u00e9 pensar numa perspectiva futura da conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade\u201d, diz Domingos.<\/p>\n<p>O segundo tipo de estudo parte do uso de dados e de s\u00e9ries temporais preexistentes. \u201cS\u00e3o dados hist\u00f3ricos de temperatura e polui\u00e7\u00e3o obtidos em bancos de dados ou por testemunhos de sedimentos, que recontam a hist\u00f3ria da urbaniza\u00e7\u00e3o nessa regi\u00e3o. Temos tamb\u00e9m dados, por exemplo, das condi\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas e de biodiversidade de algas. Por mais de 20 anos, os pesquisadores acompanharam as comunidades de algas de um lago e fazem associa\u00e7\u00f5es com as condi\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas de eutrofiza\u00e7\u00e3o [crescimento excessivo de plantas aqu\u00e1ticas, que reduz o n\u00edvel de oxig\u00eanio da \u00e1gua e causa a morte de esp\u00e9cies]\u201d, explica Domingos.<\/p>\n<p>O estudo do lago eutrofizado, que recebe cargas de esgoto, e as mudan\u00e7as nas condi\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas da \u00e1gua e da comunidade de algas tamb\u00e9m d\u00e3o pistas importantes sobre o que aconteceu nas cidades ao longo dos anos e como essas mudan\u00e7as impactaram a comunidade de algas.<\/p>\n<p>Por fim, a partir dos dados hist\u00f3ricos e observacionais, os pesquisadores v\u00e3o fazer simula\u00e7\u00f5es em laborat\u00f3rio e ent\u00e3o criar os modelos preditivos. \u201cDentre tantos fatores, \u00e9 dif\u00edcil imaginar qual estaria afetando mais uma determinada popula\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o no laborat\u00f3rio conseguimos simular as condi\u00e7\u00f5es, por exemplo, da temperatura atual em um ambiente e comparar com o que vai acontecer daqui a 20 ou 30 anos\u201d, diz.<\/p>\n<p>O objetivo \u00e9 compreender n\u00e3o s\u00f3 os efeitos da urbaniza\u00e7\u00e3o nos fragmentos de floresta, mas como a perda do Cintur\u00e3o Verde pode impactar a vida nas cidades.<\/p>\n<p>Silva compara a modelagem de conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade a uma equa\u00e7\u00e3o. \u201cEssa equa\u00e7\u00e3o tem v\u00e1rias inc\u00f3gnitas que precisam ser respondidas. No entanto, para que se consiga prever o que vai acontecer nos pr\u00f3ximos anos, s\u00f3 trazendo para essa equa\u00e7\u00e3o elementos de diversos n\u00edveis \u2013 como informa\u00e7\u00f5es sobre plantas, algas e fungos do ecossistema aqu\u00e1tico e terrestre, al\u00e9m de dados clim\u00e1ticos e de polui\u00e7\u00e3o. \u00c9 o que estamos fazendo e esperamos que o volume de dados que temos e estamos produzindo torne essas predi\u00e7\u00f5es as mais confi\u00e1veis poss\u00edveis.\u201d<\/p>\n<p>Este texto foi originalmente publicado por\u00a0<a href=\"https:\/\/agencia.fapesp.br\/\">Ag\u00eancia FAPESP<\/a>\u00a0de acordo com a\u00a0<a href=\"https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-nd\/4.0\/\">licen\u00e7a Creative Commons CC-BY-NC-ND<\/a>. Leia o\u00a0<a href=\"https:\/\/agencia.fapesp.br\/instituto-de-botanica-cria-modelos-para-prever-impactos-do-clima-e-da-urbanizacao-no-cinturao-verde-de-sp\/34517\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">original aqui<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maria Fernanda Ziegler | Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Pesquisadores do Instituto de Bot\u00e2nica v\u00e3o estudar os efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, da polui\u00e7\u00e3o e do uso do solo na vegeta\u00e7\u00e3o nativa ainda existente na cidade de S\u00e3o Paulo e em mais de 70 munic\u00edpios vizinhos. 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